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As 9 ações do setor elétrico que mais ganham com ajuda do governo

Segundo XP, embora medidas tenham vindo em boa hora para distribuidoras, risco de racionamento ainda não foi afastado

SÃO PAULO - Em uma estratégia arriscada, o governo anunciou na noite da última quinta-feira (14) pacote de três grandes medidas para o setor elétrico. Para o mercado, que estava inseguro com um possível rombo no caixa das empresas com o aumento do uso das térmicas, a notícia foi bem vista.

Em relatório, a XP Investimentos já listou as nove empresas que seriam as mais beneficiadas com a ajuda do governo. "A notícia é positiva e deve influenciar positivamente o desempenho dos papéis do segmento de distribuição do setor elétrico", disseram os analistas. Isso significa, na avaliação da corretora, que quem ganhará com isso é: Cemig (CMIG4), Light (LIGT3), Copel (CPLE6), CPFL Energia (CPFE3), Eletropaulo (ELPL4), Energias do Brasil (ENBR3), Celesc (CLSC4), Equatorial (EQTL3) e Coelce (COCE5).  

Ainda que pese a incerteza quanto ao repasse futuro às tarifas, o que propiciará o pagamento dos recursos que deverão ser levantados pela CCEE, eles entendem que a resolução proposta pelo governo retira as incertezas ligadas a como seriam repassados os recursos para as distribuidoras, que vinham tendo séries dificuldades para fechamento de seu fluxo de caixa. Vale mencionar, no entanto, que a medida ainda precisa ser aprovada pela CCEE. Fica a expectativa também quanto ao leilão A-0, que será realizado para que as empresas hoje descontratadas, consigam reduzir sua exposição a mercado à vista de energia. 

Entre as três medidas anunciadas na véspera pela governo, duas são estritamente financeiras (um aporte adicional de R$ 4 bilhões na Conta de Desenvolvimento Energético, o fundo setorial que banca a redução tarifária de energia, e a autorização para a CCEE contratar financiamento no mercado de R$ 8 bilhões para suprir as necessidades das distribuidoras para pagar os geradores); a terceira grande medida é a realização de um novo leilão de energia existente, em 25 de abril, com a entrega de eletricidade a partir de maio.

O objetivo é claro: o governo espera reduzir a exposição das distribuidoras ao preço volátil praticado no mercado à vista. Ou seja, com esse leilão, o governo espera fechar pelo menos parte do "rombo" de 3,5 mil MW médios das distribuidoras, que não conseguiram contratar esse volume de eletricidade nos últimos certames.

Risco de racionamento ainda existe
Apesar das três grandes medidas retirar parte do peso negativo que vinha pressionando as distribuidoras, o anúncio do governo não alivia em nada o risco de racionamento, disse a XP. "No que tange o racionamento, essa manobra não alivia em nada a pressão sobre os reservatórios e não retira a possibilidade de racionamento de energia ainda em 2014", disseram. Para eles, o aumento de 4,6% no preço de energia em 2014 não será capaz de reduzir o consumo de energia observado neste ano.

Já em relação à questão institucional, eles comentaram que o governo esta usando uma entidade sem fins lucrativos, a CCEE, como forma de levantar recursos e não ter que arcar com essa conta, não prejudicar suas contas para o superávit primário, nem repassá-la ao consumidor o que geraria inflação. Ou seja, mais uma vez o governo foi “criativo” em alcançar uma solução sem que isso afetasse números relevantes. No entanto, vale a ressalva que deveremos perceber pressões inflacionárias em 2015 por conta do repassa aos consumidores previsto.

 

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