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Solução? Medidas devem aumentar desconfiança no governo e Petrobras pode sofrer

Para LCA, repasse do custo para uma instituição privada sem impacto nas contas públicas, sem explicação, não ajudará o governo a convencer o mercado financeiro e as agências que a fase da contabilidade criativa acabou

Graça Foster 2 - balanço Petrobras
(Tânia Rêgo/ABr)

SÃO PAULO - Na véspera, o governo anunciou um pacote de medidas para evitar o colapso financeiro das empresas distribuidoras de energia elétrica, a deterioração intensa das contas públicas e o expressivo repasse ao consumidor já em 2015. Porém, ao invés de gerar alívio, a atuação do governo pode levar a mais incertezas, como ressalta a LCA Consultores. 

Para evitar que o uso intenso de termelétricas tenha impacto no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 2014, o Tesouro aportará mais R$ 4 bilhões na CDE (Contas de Desenvolvimento Energético) neste ano a fundo perdido, o que não será repassado ao consumidor nos próximos anos. Conforme aponta a LCA, esse valor já inclui o montante de R$ 1,2 bilhão anunciado para cobrir o rombo de janeiro.

"Com isso, e na ausência de novos aportes, o impacto total dos repasses da União à CDE terá impacto de R$ 13 bilhões no superávit primário deste ano", destaca a LCA.  Desta forma, a medida anunciada pelo governo manterá a inflação reprimida nesse ano, mas aumenta as incertezas sobre a dinâmica de preços a partir de 2015, avalia a consultoria. 

Por sua vez, a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica) financiará as distribuidoras com R$ 8 bilhões, a serem tomados no mercado. Além disso, o governo anunciou que promoverá um novo leilão de energia existente, com o objetivo de fechar parte do buraco de 3,5 mil MW médios das distribuidoras, em função do fracasso da última operação do gênero.

Porém, conforme aponta a LCA, a eficácia da medida é muito incerta, tendo em vista que poucos teriam interesse em aderir ao leilão em um momento em que a energia tem sido vendida a preços recordes e sem claro sinal de arrefecimento para os patamares históricos nos próximos meses. Especula-se que o principal participante será a Petrobras (PETR3PETR4), o que certamente não auxiliará no preço das ações da empresa, afirma a consultoria. 

Os consultores ressaltam ainda que o repasse não explicado de 75% do custo para uma instituição privada, sem impacto nas contas públicas, "certamente não ajudará o governo a convencer o mercado financeiro e as agências de classificação de risco que a fase da contabilidade criativa acabou".

Vale ressaltar que, na véspera, o Ministério da Fazenda e o Banco Central receberam representantes da agência Standard & Poor's para passar um "pente-fino" nas contas públicas brasileiras e conversas com representantes do mercado e autoridades do governo. A diretora da S&P, agência que tem a nota de crédito brasileira em perspectiva negativa, saiu da reunião recusando a dar declarações. "Sem comentários", repetiu três vezes. Na véspera, a bolsa brasileira "azedou", refletindo a expectativa do mercado sobre os próximos passos da agência. 

A LCA afirmou ainda que restam muitas dúvidas sobre a eventual necessidade de novos aportes ainda em 2014 às elétricas, ou maior repasse de preços para a inflação deste ano, tendo em vista as dúvidas existentes sobre o sucesso do leilão anunciado.

 

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