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V-Agro deve ter prejuízo recorde em 2013, mas CEO espera alta da ação em 2014

Após reestruturação e com a possibilidade de captação de R$ 600 milhões, companhia deve voltar a ter lucro neste ano

Brasil Agro 07 - Trator
(Divulgação Brasil Agro)

SÃO PAULO - Após diversos trimestres de prejuízo, a Vanguarda Agro (VAGR3) espera registrar seu primeiro lucro agora em 2014, justificando que os preços do óleo vegetal estão aumentando e que a empresa teve uma safra maior em seus campos. Em entrevista para a Bloomberg, o CEO (Chief Executive Officer) da companhia, Arlindo Moura, afirmou que a empresa espera produzir cerca de 52 sacas de 60 quilos de grãos de soja por hectare este ano, mais do que as 44 sacas na temporada anterior.

Moura assumiu o comando da V-Agro no ano passado depois de trabalhar para a Deere e a SLC Agrícola. O executivo luta para reconquistar a confiança dos investidores, após a companhia atingir queda de 96% desde que entrou na Bolsa, em 2006. Segundo Moura, a companhia, que tem acionistas como a Gávea Investimentos e JPMorgan, busca arrecadar até US$ 600 milhões para comprar terras e está analisando suas opções, como um aumento de capital dos investidores atuais.

“Queremos ter uma decisão tomada sobre o assunto até o segundo semestre”, disse Moura, e acrescentou que tem o objetivo de arrecadar US$ 250 milhões do total neste ano. “Nossa prioridade é aumentar a produtividade. O problema que levou a empresa a ter prejuízo em cima de prejuízo nos últimos anos foi a baixa produtividade”.

Antes de começar a mostrar recuperação, a expectativa é que a V-Agro registre prejuízo recorde de R$ 192,3 milhões no acumulado de 2013 - segundo média compilada pela BLoomberg - em seu balanço que será apresentado no próximo dia 27 de março. Já para este ano, as projeções indicam um lucro de R$ 16,4 milhões.

“A empresa passou por uma grande reestruturação, de uma fabricante de biodiesel para uma fazenda. Demora um tempo para tudo isso dar resultado”, disse Catarina Pedrosa, analista do Banco Espírito Santo, em entrevista para a Bloomberg. “Esta ainda é a primeira safra planejada e executada por Arlindo Moura”.

Ações caem 13% no ano
Na última segunda-feira (10), as ações VAGR3 recuaram 2,3%, atingindo os R$ 2,97, o que fez com que os papéis chegassem a uma desvalorização acumulada de 13% em 2014. O mesmo caminho seguido pelos seus principais pares, a SLC Agrícola (SLCE3) que já caiu 16% no ano, enquanto a BrasilAgro (AGRO3) acumula perdas de 13%.

Moura afirma que o mercado ainda não está avaliando as perspectivas mais favoráveis da empresa depois de ter abandonado o biocombustível. “Muitos fundos com quem conversamos nos dizem: ‘vamos esperar para ver se vocês vão entregar o que estão prometendo dessa vez’”, disse. “Acho que vamos ter uma reação quando divulgarmos os resultados do primeiro trimestre”.

 

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