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Vale recua mais de 2% e faz Ibovespa cair em dia de bom humor internacional

Ações da mineradora, que possuem a maior participação individual no índice, acentuaram as perdas após o meio-dia e jogaram o índice para perto dos 47 mil pontos

SÃO PAULO - Após firmar movimento negativo no horário do almoço, o Ibovespa retomou a baixa oscilação da manhã por volta das 13h45 (horário de Brasília) desta segunda-feira (24), descolando-se das bolsas norte-americanas, que iniciaram esta segunda-feira (24) com ganhos significativos. A derrocada de mais de 2% das ações da Vale (VALE3, VALE5), que possuem a maior participação individual dentro do Ibovespa, colabora para o declínio do índice nesta tarde.

Segundo cotação das 12h16, os papéis ON e PNA da mineradora recuavam 2,05% e 2,35%, respectivamente, cotados a R$ 33,90 e R$ 29,89, enquanto os papéis da Bradespar (BRAP4), holding que detém forte participação no capital da mineradora, recuavam 2,12%, para R$ 21,65. Com isso, o Ibovespa recuava 0,14%, operando a 47.313 pontos. Juntas, Vale e Bradespar correspondem a 13,35% da carteira teórica do benchmark.

Segundo o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, não saiu nenhuma notícia que justificasse a aceleração das perdas nesta tarde. Contudo, ele acredita que essa reação seja mesmo reflexo do pessimismo dos investidores acerca dos resultados do 4º trimestre de 2013 da mineradora, que serão divulgados nesta quarta-feira (26) após o fechamento do pregão.

Nos EUA, os três principais índices abriram com alta e quase 1%. Destaque para o índice S&P500, que com alta de 0,91%, aos 1.853 pontos, atinge seu novo recorde histórico neste intraday. Nesta manhã, um dos membros votantes do Federal Reserve, Richard Fisher - líder do Fed de Dallas - afirmou que concorda com a ideia de uma redução de US$ 10 bilhões nos estímulos à economia a cada nova reunião do Fomc.

De volta ao Brasil, entre os destaques da agenda, chamou atenção nesta manhã a relatório Focus do Banco Central, que diminuiu a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2014 de 1,79% para 1,67%, para 2015, passou de 2,10% para 2%. Em relação à inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) este ano, os economistas aumentaram a expectativa, para 6,00% ante 5,93%, enquanto para o próximo ano a projeção continuou para 5,70%. Já a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 11,25% para o final de 2014 e de 12% para 2015. E o mercado também fica de olho na fala do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini na reunião do G-20, destacando que a percepção sobre o Brasil na cena internacional melhorou.

A semana promete ser bastante movimentada no noticiário econômico: no plano corporativo, a Petrobras trará seus números do 4º tri do ano passado um dia antes da Vale - vale mencionar que mais de 40 empresas brasileiras apresentarão seus balanços. No âmbito econômico, a semana contará com reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), resultado primário do governo brasileiro e a divulgação dos PIBs (Produto Interno Bruto) de Brasil e Estados Unidos.

Entre as ações, chama a atenção os papéis da ALL (ALLL3), que sobem 9,20%, a R$ 7,12 após a confirmação, pela Cosan (CSAN3, R$ 36,00, +1,81%), da fusão entre Rumo - empresa de logística do Grupo Cosan - e a ALL. Na nova empresa, a ALL foi avaliada em R$ 6,958 bilhões, equivalente a R$ 10,18 por ação, ou seja, 56% acima do fechamento da última sexta-feira.

Destaque ainda para o balanço da Hypermarcas (HYPE3), que mostrou queda no lucro líquido de 55,9% no quarto trimestre, para R$ 54,9 milhões, impactado por maiores despesas financeiras relacionado a recompra parcial de um bônus de dívida da companhia. As ações da companhia registram leves perdas, mas uma das maiores do índice, com baixa de 0,73%, a R$ 15,01.

As maiores baixas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 AEDU3 ANHANGUERA ON 11,05 -4,00 -25,84 31,83M
 DTEX3 DURATEX ON EJ 11,04 -3,24 -16,05 6,60M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,53 -3,16 -15,47 10,24M
 USIM5 USIMINAS PNA 10,12 -2,79 -28,78 16,23M
 MRVE3 MRV ON 8,06 -2,66 -4,39 7,12M

As maiores altas dentre as ações que compõem o Ibovespa são:

Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 7,12 +9,20 +8,54 38,47M
 KROT3 KROTON ON 42,81 +3,41 +9,04 80,67M
 ESTC3 ESTACIO PART ON 20,20 +2,28 -1,03 23,22M
 QUAL3 QUALICORP ON 20,42 +1,95 -9,24 13,07M
 CSAN3 COSAN ON 36,00 +1,81 -9,05 42,58M
* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)

China preocupa
Vale ressaltar ainda a queda das bolsas chinesas, em meio aos rumores de que os bancos do gigante asiático pararam de estender empréstimos para companhias do setor imobiliário. Dados publicados nesta segunda-feira mostraram que o ritmo de crescimento dos preços imobiliários na China desaceleraram em janeiro pela primeira vez em 14 meses, sugerindo que os esforços do governo para esfriar o mercado estão tendo efeito. O dado abaixo do esperado, aliado aos rumores de um corte dos créditos pelos bancos chineses, fez com que as ações despencassem no continente.

Com os dados do setor imobiliário desanimadores, o índice Xangai Composto estendeu as perdas dos últimos dois pregões e fechou a segunda-feira com desvalorização de 1,7%, maior queda em sete semanas. Enquanto isso, o Hang Seng terminou o dia com perdas de 0,8%. Já no Japão, o Nikkei, após iniciar 3 semanas em alta, encerrou o primeiro dia da semana com perdas de 0,2%.

Enquanto isso na Europa, na reunião de ministros das Finanças do G-20, pela primeira vez, o grupo reportou que pretende impulsionar um crescimento global na faixa dos dois pontos percentuais para os próximos cinco anos. Dados econômicos divulgados pelo Ifo, na Alemanha, mostraram que o índice de negócios no país subiu para 111,3 no mês de fevereiro, superando as expectativas, e atingiu seu maior nível desde julho de 2011.

Mesmo com a visão do G-20 e com dados econômicos divulgados na Alemanha, os investidores seguem cautelosos com o crescente risco no setor imobiliário na China e as bolsas europeias seguem sem uma direção única.

 

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