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Ibovespa volta a cair mesmo com disparada da Vale e renova mínima de 5 meses

Mesmo com a mineradora subindo mais de 4%, índice cedeu à elevação surpreendente de juros na Turquia; nos EUA, Fed volta a reduzir programa de estímulos

painel com cotações
(Divulgação)

SÃO PAULO - O tímido repique de ontem do Ibovespa já indicava que o pregão desta quarta-feira (29) dificilmente seria positivo - e a profecia de fato se cumpriu. O principal índice da bolsa brasileira terminou o dia com queda de 0,59%, aos 47.556 pontos, renovando novamente seu menor patamar desde 7 de agosto do ano passado. A sessão ficou marcada pela decisão surpreendente do Banco Central da Turquia turco em aumentar em 4 pontos percentuais a taxa de juros de empréstimos de um dia para limitar a valorização do dólar ante a lira, alimentando assim os temores de que o Copom (Comitê de Política Monetária) eleve ainda mais a Selic neste ano.  O giro financeiro da Bovespa nesta sessão foi de R$ 6,37 bilhões.

Às 17h, horário do leilão de fechamento da Bovespa, terminou nos EUA a reunião do Fomc (Federal Open Market Committee) - a última com a presença de Ben Bernanke como chairman do Fed -, que culminou em mais um golpe na política de afrouxamento monetário do Fed, conhecida como QE3 (Quantitative Easing 3). Foi decidido por uma redução de US$ 10 bilhões no programa de injeção mensal dólares na economia, passando a ser de US$ 65 bilhões, sinalizando para uma recuperação cada vez mais clara da maior economia do mundo, com a autoridade monetária do país alegando que a retomada do "crescimento na atividade econômica" e a melhora nos dados do mercado de trabalho.

Em Wall Street, os três principais índices acionários caminham com quedas próximas a 1% - guiado também pela decepção com os resultados corporativos de grandes companhias, como o Yahoo -, mesmo andamento das bolsas europeias que terminaram o dia em queda.

Ainda na maior economia do mundo, vale destacar para o discurso "Estado da União" do presidente Barack Obama feito na véspera, que ressaltou a maior velocidade da economia e a queda da taxa de desemprego e prometeu ser mais agressivo na utilização de seus poderes executivos.

Emergentes em disputa
Os "efeitos colaterais" da retomada da economia dos EUA para as economias emergentes já começam a ser sentidos, com a tendência de menor liquidez do dólar nos mercados em desenvolvimentos, que faz a moeda americana seguir em tendência de alta, mesmo em patamares elevados. Nesta quarta, a divisa fechou com ganhos de 0,3%, cotada a R$ 2,4338 na venda - no intraday, a moeda chegou a superar os R$ 2,44. Também vale destacar a disparada dos contratos de juros futuro, com os papéis de DI com vencimento em janeiro de 2015 subindo de 11,22% para 11,43% nesta sessão.

O cenário de competitividade entre os emergentes se tornou ainda mais voraz com a decisão do Banco Central turco, tomada à meia-noite (horário local), para conter a elevação excessiva do dólar ante a lira. Por lá, a autoridade monetária elevou em 4,25 pontos percentuais a taxa de empréstimo overnight, para 12% - uma medida que visa atrais mais divisa estrangeira no país e, desta forma, saciar a força compradora com mais oferta -, ignorando a oposição do primeiro-ministro do país, Tayyip Erdogan.

Construtora e bancos chamam a atenção
No cenário corporativo nacional, o grande destaque ficou para a Cielo (CIEL3, R$ 63,33, +0,35%), que abriu a temporada de resultados do quarto trimestre com números elogiados pelos analistas e registra ganhos. A maior empresa de meios eletrônicos de pagamentos do país reportou lucro líquido de líquido de R$ 720,7 milhões entre outubro e dezembro, alta de 16,2% ante igual etapa de 2012.

Na ponta de cima, o destaque ficou por conta das empresas produtoras de commodities, sendo grande parte delas beneficiada pela alta do dólar, tendo em vista o “core business” voltado para o mercado externo. Com isso, Fibria (FIBR3, R$ 27,20, +6,00%), Suzano (SUZB5, R$ 9,64, +4,56%), Vale (VALE3, R$ 33,10, +4,25%; VALE5, R$ 29,96, +3,74%) – e a Bradespar (BRAP4, R$ 22,45, +4,03%), que tem boa parte de seu capital investido na mineradora – e as companhias do setor siderúrgico, puxados pela Gerdau (GGBR4, R$ 17,13, 2,64%), lideraram os ganhos do dia.

Nem mesmo a alta de empresas de peso na composição da carteira teórica do índice garantiu um dia positivo para a bolsa brasileira. Contribuindo para a 8ª queda em 10 pregões do Ibovespa, apareceram as ações da Petrobras (PETR3, R$ 13,75, -1,93%; PETR4, R$ 14,80, -1,66%), com a estatal alcançando seu menor patamar desde 2008. Também puxaram o índice para baixo as empresas dos setores financeiro e imobiliário, com Gafisa (GFSA3, R$ 3,08, -6,95%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 20,25, -4,44%) liderando as perdas do dia.

Do lado das construtoras, vale destacar a repercussão de uma perspectiva de que o BC possa prolongar o ciclo de ajustes em meio à forte elevação dos juros na Turquia. Em um cenário de maiores juros, o setor é um mais afetados negativamente, já que com taxas maiores, as condições de empréstimos para o consumidor ficam piores, o que pode afetar diretamente as vendas dessas empresas. O cenário econômico bastante negativo para o Brasil também tem forte impacto direto nos bancos.

Por fim, ainda no setor financeiro, também vale destacar o Itaú Unibanco (ITUB4), que que confirmou a compra do banco chileno Corpbanca e viu suas ações fecharem o dia com perdas de 1,90%, precificadas em R$ 29,49.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 GFSA3 GAFISA ON 3,08 -6,95 -12,75 43,89M
 BBAS3 BRASIL ON 20,25 -4,44 -17,01 188,33M
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 9,51 -3,35 -14,01 117,50M
 NATU3 NATURA ON 37,38 -3,29 -9,64 20,84M
 LLXL3 LLX LOG ON 0,96 -3,03 -11,11 4,14M

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 FIBR3 FIBRIA ON 27,20 +6,00 -1,63 54,06M
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 9,64 +4,56 +4,33 74,11M
 VALE3 VALE ON 33,10 +4,25 -7,31 288,59M
 BRAP4 BRADESPAR PN 22,45 +4,03 -10,49 56,52M
 VALE5 VALE PNA 29,96 +3,74 -8,46 743,39M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 29,96 +3,74 743,39M 480,54M 39.767 
 PETR4 PETROBRAS PN 14,80 -1,66 371,65M 355,60M 28.656 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 29,49 -1,90 365,65M 365,26M 23.809 
 VALE3 VALE ON 33,10 +4,25 288,59M 156,50M 21.037 
 BBDC4 BRADESCO PN 25,88 -2,30 224,71M 187,18M 24.037 
 PETR3 PETROBRAS ON 13,75 -1,93 195,50M 131,57M 25.075 
 BBAS3 BRASIL ON 20,25 -4,44 188,33M 130,10M 21.487 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,05 -0,31 168,35M 164,97M 20.596 
 CIEL3 CIELO ON 63,33 +0,35 145,14M 119,79M 8.798 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 9,51 -3,35 117,50M 130,79M 23.518 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Ásia e Europa
Na Ásia, após semanas de perdas, o dia foi de recuperação para os índices acionários do continente. O Nikkei, benchmark referência do Japão, fechou o dia em território positivo pela primeira vez em uma semana e atingiu sua maior valorização em quase cinco meses. O benchmark japonês terminou com alta de 2,70%.

Enquanto isso, na China, os mercados estenderam os ganhos pela segunda sessão consecutiva, apesar de uma forte desvalorização da moeda, que atingiu seu menor nível quase duas semanas. A decisão do Banco Central da China de injetar dinheiro no mercado asiático continua motivando os investidores. O índice de Shangai Composto fechou o pregão com valorização de 0,56%.

Já do lado macroeconômico europeu, destaque para a Alemanha, onde foram divulgados os dados divulgados a confiança do consumidor, que aumentou para 8,2%, contra expectativas de 7,6%, surpreendeu positivamente. Porém na Espanha os dados não foram positivos e mostraram uma diminuição de 1% das vendas no varejo em dezembro.

 

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