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Petrobras cai 2,8% e Eletrobras lidera perdas pelo 2º dia; veja 15 destaques

Siderúrgicas tem sessão de alta após recomendação positiva e PDG cai 1,5% com possível cancelamento de projetos

P-52 Plataforma Petrobras
(Reuters)

SÃO PAULO - Com uma forte volatilidade de blue chips, o Ibovespa acabou encerrando esta quinta-feira (16) com queda de 0,82%, aos 49.696 pontos. O destaque ficou com as duas empresas de maior participação no índice: Petrobras (PETR3, -2,71%, R$ 14,71; PETR4, -2,81%, R$ 15,59) e Vale (VALE3, +1,17%, R$ 32,83; VALE5, +0,20%, R$ 30,29), que fecharam em lados opostos. Juntos, esses papéis representam cerca de 20% da carteira teórica do índice. Enquanto nenhuma ação subiu mais de 2% neste pregão, na ponta negativa foram 3 ativos recuando mais de 3%.

Além das informações divulgadas entre a noite de ontem e hoje, repercutiram nos papéis, o vencimento de opções na próxima segunda-feira (20). Isso porque os investidores terão até amanhã para negociarem suas "calls" (opções de compra) e "puts" (opções de venda) antes do exercício delas na segunda. Esses pregões antes do vencimento costumam resultar em volatilidade no preço das ações das principais blue chips da bolsa brasileira, com grandes investidores exercendo maior pressão para que seus contratos de derivativos possam ser exercidos com lucro, impedindo que eles "virem pó" - expressão usada no mercado de opções para designar os contratos que perderam valor no dia do vencimento. 

Já sobre o noticiário, a petroleira e o governo negaram acordo sobre reajuste nos preços de combustíveis em junho. Além de ser penalizada por essa informação, o JPMorgan Chase cortou o preço-alvo das ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras, de US$ 22 para US$ 21, mas manteve recomendação neutra. Por sua vez, do lado positivo, a Petrobras reflete o anúncio de que suas reservas provadas no pré-sal cresceram 43% em 2013. Além disso, a estatal informou que a emissão de cerca de US$ 5 bilhões em bônus este mês poderá ser uma das últimas grandes ofertas feitas pela companhia, já que ela espera gerar caixa suficiente para pagar suas dívidas com o aumento da produção de petróleo e reduzir gradativamente as captações a partir do final de 2015. 

Em relação à Vale, o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, comentou que essa alta é um movimento corretivo após "exagerada" queda recente. Esse é o segundo pregão de ganhos das ações da mineradora, mas ainda assim não é suficiente para fazer frente ao recuo em 2014. No acumulado do ano, os papéis ordinários registram desvalorização de 8,06%, enquanto os preferenciais caem 7,45%. Além disso, a Vale ganha força hoje embalada por seus pares internacionais. Lá fora, a Rio Tinto reportou os números de 2013, com crescimento de produção e embarques de minério de ferro de 5% no ano. Para analistas, a Vale pode apresentar uma pequena queda, mas já terá uma melhora no primeiro trimestre de 2014 visto que a companhia espera que as licenças pendentes em Carajás devem sair neste começo do ano. 

Outros destaques:

Siderúrgicas
As ações preferenciais da Usiminas (USIM5, +0,36%, R$ 13,91) fecharam com ganhos nesta sessão. Na máxima do dia, esses papéis atingiram valorização de 2,38%, a R$ 14,19. O desempenho ocorreu após um relatório positivo divulgado pelo HSBC. O otimismo teve seus impactos nas outras empresas do setor, como a Metalúrgica Gerdau (GOAU4, +0,27%, R$ 22,08) e CSN (CSNA3, +0,73%, R$ 13,83). Enquanto isso, a Gerdau (GGBR4, -0,06%, R$ 17,44) registrou leve perdas.

O HSBC manteve recomendação como underweight (desempenho abaixo da média) para a Usiminas, mas elevou o preço-alvo das ações de R$ 14,50 para R$ 17,00, vendo os esforços da empresa para entregar melhores resultados, enquanto para CSN ainda vê upside limitado, em função de pouco espaço para melhorar seu mix de produtos. Vale lembrar que os papéis do setor passaram por um dia de recuperação na véspera após dados ruins de exportação nos EUA e o dólar prejudicarem as empresas no começo da semana.

Eletrobras volta a liderar perdas do índice
As ações da Eletrobras (ELET3; ELET6) voltaram a ter fortes perdas um dia após ficar com um dos piores desempenhos do Ibovespa. Neste pregão, as ações ordinárias caíram 4,07%, a R$ 5,42, enquanto as preferenciais recuaram 4,18%, a R$ 9,17. Na véspera influenciou a notícia de que a Aneel determinou que a empresa devolva R$ 1,924 bilhão à conta do encargo setorial RGR (Reserva Global de Reversão).

O ressarcimento se refere aos pagamentos de financiamentos concedidos a agentes com recursos da RGR que não foram transferidos à conta do encargo setorial, administrada pela holding federal. No mesmo despacho, foi determinado que a Eletrobras também devolvesse outros R$ 113,5 milhões por causa da apropriação de encargos financeiros da RGR durante os anos de 1998 e 2001.

BRF
As ações da BRF (BRFS3) também tiveram um dia bastante negativo, perdendo apenas para a Eletrobras como a pior do índice. Os papéis registraram queda de 3,06%, a R$ 43,34. No acumulado do ano, a queda é ainda mais expressiva, de 11,24%. Com esse desempenho, as ações atingiram nesta sessão o menor patamar desde junho de 2013. Na semana passada, operadores alertaram que o papel estaria sofrendo forte pressão vendedora dos investidores estrangeiros. 

Gol
Já a Gol (GOLL4) viu suas ações subirem 0,47%, a R$ 10,75. O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou, sem restrições, um acordo de compartilhamento de voos entre a Gol e o Grupo Aerolíneas Argentinas, segundo decisão publicada no Diário Oficial nesta quinta-feira. Segundo documentos do processo no site do Cade, o acordo considera o compartilhamento de voos entre a empresa brasileira e as companhias Aerolíneas Argentinas e Austral Líneas Aéreas, ambas do grupo argentino, com foco no transporte de passageiros entre Brasil e Argentina.

Frigoríficos
Pelo segundo dia seguido, as ações dos frigorífico na bolsa chamaram atenção pelo desempenho positivo. As ações da Marfrig (MRGF3) registraram alta de 1,58%, a R$ 4,50. Na véspera, a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias de Carnes) informou que as exportações de carne bovina totalizaram US$ 6,6 bilhões em 2013, uma alta de 13,9% ante o resultado de 2012, que ficou em US$ 5,8 bilhões. Por outro lado, o resultado foi acima do esperado pela própria Abiec. Por outro lado, os papéis da JBS (JBSS3, R$ 8,87, -0,34%) e da Minerva (BEEF3, R$ 11,59, -0,52%) fecharam em queda após fortes ganhos na véspera.

PDG
As ações da PDG Relaty (PDGR3) tiveram um dia de fortes perdas nesta sessão, com queda de 1,58%, a R$ 1,87. A companhia, que afirmou que iria rever 48 de seus projetos - que juntos valem R$ 2,11 bilhões - já cancelaram oficialmente 43 deles. Segundo fontes da Agência Estado, os últimos cinco projetos, no valor de R$ 250 milhões, deverão ser cancelados em breve. Somados, esses projetos superam os lançamentos da empresa em 2013, que valem apenas R$ 2,01 bilhões.

CCR
A CCR (CCRO3) liderou as altas do Ibovespa nesta quinta-feira, ganhando força na última hora de pregão. Os papéis da companhia fecharam com alta de 1,92%, a R$ 16,43, após acumularem fortes perdas nas últimas sessões. Na última semana a Controlar, empresa da CCR que realiza inspeção veicular em São Paulo, entregou aviso prévio a seus 800 funcionários, em meio a possibilidade de perder o contrato com a Prefeitura da capital paulista. Do dia da notícia até a sessão da véspera, as ações da companhia recuaram 4,05%.

IMC
Fora do índice, a IMC (IMCH3), uma das maiores empresas de rede multimarca e de restaurantes do Brasil, anunciou um acordo com os aeroportos de Guarulhos e Viracopos para expandir suas lojas nos novos terminais que estão sendo construídos. Segundo o Credit Suisse, o acordo é positivo pois conclui uma negociação importante, podendo agora focar na melhoria de resultados a parir de agora. Com isso, as ações da companhia caminham para a 5º alta nas últimas 6 sessões. Hoje, os papéis registraram valorização de 3,85%, a R$ 18,90.

Coelce
As ações da Coelce (COCE5) tiveram novo dia de ganhos após dispararem 11,47% na véspera. Nesta sessão, porém, o avanço foi bem menos expressivo, de 0,52%, atingindo R$ 48,35. Na véspera, a chilena Enersis aprovou em reunião de seu conselho de administração a OPA (Oferta Pública de Aquisição) das ações da companhia que estão em circulação no mercado. O preço oferecido aos acionistas é de R$ 49 por cada ação, o que representa um prêmio de 20,1% sobre o preço médio ponderado de cotação dos papéis preferenciais classe A na BM&FBovespa no fechamento dos 30 pregões anteriores a 13 de janeiro.

Telebras
Uma ação de baixíssima liquidez ganhou destaque nesta sessão. A Telebras (TELB3TELB4) viu suas ações ordinárias dispararem 11,80%, a R$ 5,02, e as preferenciais - as mais negociadas em bolsa - avançarem 9,45%, cotadas a R$ 2,78, após chegarem a subir 20,08%. O volume financeiro também chamou atenção e atingiu R$ 851,9 mil nos papéis preferenciais, bem acima da média diária dos últimos 21 pregões, de R$ 50,4 mil. A empresa informou na véspera o conselho administrativo da empresa aceitou a renúncia do presidente Caio Cezar Bonilha Rodrigues, que também integrava o conselho administrativo da companhia. O executivo alegou motivos pessoais para sua saída. Rodrigues será substituído interinamente por Francisco Ziober Filho, que assume como presidente e diretor de relações com investidores. 

Além disso, a companhia celebrou memorando de entendimento com as empresas Silica Networks Argentina e Silica Networks Chile para estabelecer parceria para construir, operar e manter uma rede de fibra ótica para estabelecer uma conexão entre o Brasil, na cidade de Uruguaiana (RS), e a Argentina, na cidade de Paso de Los Libres, província de Corrientes, com ligação direta ao Chile, o que possibilitará à Telebras o acesso às redes na costa do Pacífico.

 

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