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Ibovespa sobe 1,14% após 3 quedas, puxado por Petrobras, Vale e siderúrgicas

Índice consegue reagir, mas ainda acumula perdas de 3,5% na semana, enquanto dólar cai 1,2% com fala de Tombini; ata do Copom, dados positivos dos EUA e decisões dos BCs europeus agitaram o mercado

Ibovespa
(Divulgação)

SÃO PAULO - O Ibovespa quebrou uma sequência de três quedas nesta quinta-feira (5) ao fechar em alta de 1,14%, a 50.787 pontos, impulsionado pelo bom desempenho de ações com forte participação na composição do índice, como Petrobras, Vale e siderúrgicas - que juntas respondem por cerca de 25% da carteira do benchmark. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 6,79 bilhões.

Para o assessor de investimentos da Monte Bravo Investimentos, Bruno Madruga, o dia de alta já era esperado após as acentuadas perdas dos últimos pregões, que deixou o mercado em zonas sobrevendidas. No entanto, Madruga destaca que a tendência ainda é negativa em meio aos dados positivos dos EUA, que podem sinalizar a aproximação do início da retirada do QE3 (Quantitative Easing 3) – a atual política de afrouxamento monetário do Federal Reserve que consiste na injeção de até US$ 85 bilhões mensais na maior economia do mundo –, o que aumenta o receio de mercados como o brasileiro de uma redução na entrada de dólares no país. “O mercado aguardava o repique, mas nada que mudasse a tendência de baixa do mercado Ibovespa. A expectativa continua sendo de baixa”, conclui Madruga.

Os dados positivos dos Estados Unidos foram vistos novamente nesta quinta-feira, que foi revelada a segunda prévia do PIB do país, apontando crescimento de 3,6% no terceiro trimestre na comparação anual - o maior ritmo em um ano e meio. Esta foi a segunda prévia do indicador, sendo que a primeira apontava para uma alta de 2,8% da atividade norte-americana. Vale ressaltar que o ganho foi impulsionado pelo maior acúmulo de estoques desde 1998. Por outro lado, os gastos dos consumidores caíram de 1,5% para 1,4% em relação à primeira prévia, enquanto as vendas finais de bens e serviços produzidos nos país foram reduzidas de 2% para 1,9%. Já o crescimento dos estoques foi revisado de US$ 86 bilhões para US$ 116,5 bilhões, enquanto os números de pedidos de auxílio desemprego semanal - Initial Claims - também mostraram recuperação, caindo em 23 mil, para 298 mil pedidos.

Os indicadores positivos no país fizeram os principais índices em Wall Street caminharem para mais uma queda, na medida em que as metas do QE3 chegam perto de serem batidas. Dennis Lockhart, presidente do Fed de Atlanta, afirmou que é a hora de colocar a redução de estímulos em prática. A pouco mais de uma hora do fechamento das bolsas americanas, os índices Dow Jones, S&P500 e Nasdaq oscilam entre a estabilidade e queda de 0,32%.

Outro fator importante desta sessão foi a queda do dólar, após uma sequência de fortes altas que levou a moeda novamente para patamares próximos aos que assustaram os investidores brasileiros no começo do semestre. A moeda americana fechou com baixa de 1,17%, cotada a R$ 2,3610 na venda, com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, anunciando ampliação do programa de hegde cambial para conter a apreciação excessiva da divisa.

Destaques do pregão
Dentro da bolsa, chamaram atenção as ações do setor siderúrgico, com os papéis da Usiminas (USIM3, R$ 11,85, +6,18%; USIM5, R$ 13,42, +7,53%) liderando os ganhos em meio à expectativa de aumento em torno de 12% no preço do aço para montadoras de veículos. Esta linha responde por cerca de 30% da receita da Usiminas. Os ajustes deverão ser implementados a partir de 1° de janeiro do próximo ano. Outra empresa do setor que chamou atenção foi a CSN (CSNA3, R$ 12,50, +3,82%), com a notícia de acordo judicial, no valor de US$ 168 milhões, na ação de indenização contra a SulAmérica e IRB Brasil Resseguros. O objetivo da ação era o pedido de indenização decorrente de sinistro no sistema de correias do Tecar e o colapso estrutural da Retomadora R3 e consequentes prejuízos causados.

As duas ações com maior participação na composição acionária do Ibovespa, Vale (VALE3, R$ 35,63, +1,16%; VALE5, R$ 32,85, +1,42%) e Petrobras (PETR3, R$ 16,50, +0,49%; PETR4, R$ 17,63, +1,32%) também tiveram boas altas e contribuíram para o dia positivo.

Com menor peso no índice, o setor de varejo também teve um dia positivo em meio às vendas de fim de ano, com os papéis das Lojas Renner fechando com alta de 4,17%, precificados em R$ 62,50. Por fim, vale destacar o desempenho de empresas do setor imobiliário, com destaque para Gafisa (GFSA3, R$ 3,35, +7,03%).

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 USIM5 USIMINAS PNA 13,42 +7,53 +4,84 202,07M
 GFSA3 GAFISA ON 3,35 +7,03 -28,87 30,45M
 USIM3 USIMINAS ON 11,85 +6,18 -13,31 7,88M
 SUZB5 SUZANO PAPEL PNA 8,66 +5,35 +25,80 38,12M
 DASA3 DASA ON 12,45 +4,18 -5,06 20,17M

Bovespa despenca 4%
Já na ponta de baixo, destaque para as ações da BM&FBovespa (BVMF3, R$ 10,66, -4,57%), que foram a principal queda do dia depois que a empresa divulgou que o CARF (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) negou recurso apresentado sobre o auto de infração da Receita Federal, que questiona a amortização, para fins fiscais, do ágio de patrimônio líquido gerado na operação de fusão com a Bovespa Holding.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 10,66 -4,57 -20,26 305,12M
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 7,24 -2,29 -12,18 30,58M
 MRFG3 MARFRIG ON 4,00 -1,96 -52,83 7,68M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,61 -1,83 -51,36 30,67M
 CSAN3 COSAN ON 40,30 -1,61 -1,79 75,84M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 32,85 +1,42 553,49M 590,25M 28.061 
 PETR4 PETROBRAS PN 17,63 +1,32 445,12M 623,15M 37.236 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 31,10 -0,32 394,73M 323,83M 25.237 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 29,02 -0,48 312,78M 254,76M 23.985 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 10,66 -4,57 305,12M 121,66M 30.313 
 USIM5 USIMINAS PNA 13,42 +7,53 202,07M 77,37M 27.042 
 BBAS3 BRASIL ON 24,80 +3,72 181,05M 235,92M 21.073 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 16,85 +1,51 180,51M 139,11M 19.721 
 PETR3 PETROBRAS ON 16,50 +0,49 173,45M 210,09M 19.996 
 ITSA4 ITAUSA PN ED 8,77 -0,34 152,77M 114,99M 21.144 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Ata do Copom
Na agenda doméstica, foi divulgada nesta manhã a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), mostrando que o Banco Central ponderou que a transmissão dos efeitos da política monetária "ocorre com defasagens", e que deve-se manter "especialmente vigilante". O Copom também informou que é apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias "ora em curso".

A ata mostrou ainda uma redução na inflação projetada para 2013, embora ela permaneça acima da meta do governo. Para 2014, a projeção se manteve estável também no cenário de referência, acima da meta de 4,5%. Já para o terceiro trimestre de 2015, a inflação se posiciona acima da meta.

Europa
Na Europa, o BCE (Banco Central Europeu) e o Bank of England mantiveram as taxas de juros. O BCE a conservou a taxa de juro da zona do euro em 0,25%. Anteriormente, o BoE havia anunciado que manteria a taxa em 0,5%.

Já o governo da Grã-Bretanha anunciou a maior revisão nas projeções oficiais de crescimento em mais de uma década nesta quinta-feira, após a forte recuperação inesperada da economia. A economia deverá crescer 1,4% neste ano, mais do que o dobro do ritmo de 0,6% projetado no orçamento de março.

Na Espanha e na França, más notícias: a produção industrial espanhola caiu 0,8% em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, após subir 0,8% em setembro, enquanto a taxa de desemprego de desemprego francesa atingiu o maior patamar dos últimos 16 anos ao marcar 10,9% no 3º trimestre.

 

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