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Ibovespa cai 0,65% na volta do feriado, com possível corte de estímulos nos EUA

Imobiliárias, Petrobras e Vale conduziram o índice para sua 2ª queda seguida; sinalização do Fed ajuda dólar a subir 1,64%, para R$ 2,3073

painel com cotações
(Divulgação)

SÃO PAULO - Em sua reabertura após o feriado do Dia da Consciência Negra, o Ibovespa conheceu sua segunda queda consecutiva nesta quinta-feira (21), ao fechar com variação negativa de 0,65%, a 52.688 pontos, descolando-se de Wall Street, onde os principais índices acionários caminham para um fechamento no verde. Nesta sessão, o benchmark da bolsa brasileira digeriu a repercussão negativa da ata do Fomc (Federal Open Market Commitee), divulgada na tarde de quarta-feira, além de PMIs na Europa e China que decepcionaram os mercados. O volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 6,57 bilhões.

Com os indicadores melhores que o esperado apresentados nas últimas semanas nos Estados Unidos, os membros do Fomc sinalizaram que o Federal Reserve pode reduzir o programa de compra de títulos nos "próximos meses", mostrou a ata divulgada na véspera. Atualmente, o QE3 (Quantitative Easing 3) injeta US$ 85 bilhões mensais por meio da compra de títulos públicos. Com o corte gradual destes estímulos, o receio dos investidores é que se inicie um processo de migração dos investimentos para os EUA, com a possibilidade da taxa de juros voltar a subir por lá. Diante dessa possível fuga de capital estrangeiro do País, o dólar comercial subiu subiu 1,64% nesta quinta-feira, fechando a R$ 2,3073 na venda.

Dados da economia chinesa também ajudaram ao clima de apreensão na bolsa. O PMI chinês preliminar de novembro decepcionou ao marcar um ritmo mais moderado por causa da contração das novas encomendas para exportação, caindo para 50,4 em novembro ante leitura final de outubro de 50,9. Isso impactou diretamente as ações da Vale (VALE3, R$ 35,02, -1,63%; VALE5, R$ 32,30, -1,40%), que possuem a 2ª maior participação individual dentro do Ibovespa, afetando assim o desempenho do índice. A China é o principal destino das exportações da mineradora brasileira.

Destaques da bolsa
O cenário de pessimismo em relação à longevidade do QE3 contribuiu para a alta do dólar e também fez com que os contratos futuros de DI subissem, prejudicando diretamente as empresas mais expostas a um cenário de maior taxa de juros, como é o caso do setor imobiliário. Assim, as ações 
de PDG Realty (PDGR3, R$ 1,71, -4,47%), Rossi Residencial (RSID3, R$ 2,24, -3,86%) e MRV (MRVE3, R$ 9,19, -3,16%) fecharam esta quinta em baixas superiores a 3%.

Ainda na ponta negativa, destaque para as ações da Gol (GOLL4, R$ 9,72, -2,41%) e Sabesp (SBSP3, R$ 24,66, -3,29%), empresas com exposição negativa ao dólar - a companhia aérea tem seu custo operacional baseado no petróleo, que é lastreado na moeda americana; já a empresa tem saneamento tem boa parte da dívida em dólar, mas também diminuíram as perdas em relação ao início da sessão. 

A Petrobras, empresa com maior participação individual no índice (cerca de 12%), chegou a ver suas ações ordinárias (PETR3, R$ 20,01, -0,15%) e preferenciais (PETR4, R$ 20,90, -0,99%) caírem mais de 3% nos minutos iniciais do pregão, repercutindo o adiamento para o dia 29 a reunião do conselho da estatal para discutir o reajuste de combustível. O movimento negativo já era esperado, já que na véspera o "recibo de ação" da empresa negociado em Nova York fechou ontem com queda de 4,1%.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Ibovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 PDGR3 PDG REALT ON 1,71 -4,47 -48,34 89,95M
 RSID3 ROSSI RESID ON 2,24 -3,86 -50,77 28,88M
 LLXL3 LLX LOG ON 1,02 -3,77 -49,36 12,74M
 USIM5 USIMINAS PNA 12,33 -3,52 -3,67 138,98M
 SBSP3 SABESP ON 24,66 -3,29 -12,72 38,35M

TIM e BR Properties: destaques de alta
Na ponta positiva, apenas 10 das 72 ações do Ibovespa ações subiram mais de 1%. O destaque ficou por conta de TIM Participações (TIMP3, R$ 11,16, +2,76%) e BR Properties (BRPR3, R$ 19,33, +7,57%). A primeira reagiu positivamente à notícia divulgada ontem de que o CEO da Telecom Italia - controladora da TIM - planeja vender torres da brasileira ainda em 2014. Já a segunda sobiu forte depois de fechar a venda de 100% dos ativos imobiliários de galpões industriais e de logística para a WTGoodman, pelo valor de R$ 3,18 bilhões.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRPR3 BR PROPERT ON 19,33 +7,57 -22,41 164,91M
 TIMP3 TIM PART S/A ON 11,16 +2,76 +41,31 66,90M
 DTEX3 DURATEX ON 13,87 +2,21 +2,20 15,50M
 BRKM5 BRASKEM PNA 20,90 +2,20 +63,28 41,46M
 JBSS3 JBS ON 8,36 +2,20 +40,74 32,56M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 PETR4 PETROBRAS PN 20,90 -0,99 742,52M 668,78M 30.940 
 VALE5 VALE PNA 32,30 -1,40 526,39M 584,05M 21.726 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN 32,81 -1,03 298,81M 304,67M 20.829 
 PETR3 PETROBRAS ON 20,01 -0,15 292,86M 212,84M 18.640 
 BBAS3 BRASIL ON 25,57 -2,03 226,41M 182,26M 16.962 
 BBDC4 BRADESCO PN 30,50 -0,42 184,46M 246,02M 14.377 
 BRPR3 BR PROPERT ON 19,33 +7,57 164,91M 45,83M 13.595 
 USIM5 USIMINAS PNA 12,33 -3,52 138,98M 76,96M 21.068 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,27 -0,58 130,06M 77,85M 16.831 
 ITSA4 ITAUSA PN 9,22 -1,18 127,82M 113,09M 18.338 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

PMIs europeus mostram fragilidade
Além da expectativa pelos próximos passos da autoridade monetária norte-americana, e o PMI chinês, também contribuem para a cautela dos mercados os dados de PMI (Índice de Gerente de Compras) na Europa, que mostraram enfraquecimento da atividade nas regiões.

Por lá, os dados de serviços mostraram a fragilidade da recuperação da zona do Euro, que enfraqueceu inesperadamente em novembro, apesar do crescimento na Alemanha, com o PMI preliminar de serviços do bloco caindo de 51,6 para 50,9 entre outubro e novembro - pior leitura em três meses. Por outro lado, o PMI da indústria subiu de 51,3 para 51,5, impulsionada pelo aumento mais rápido das novas encomendas de exportação desde maio de 2011, sendo este o melhor resultado nos cinco meses desde que as fábricas interromperam uma série de quase dois anos de declínio da atividade.

Desemprego no Brasil e EUA em queda
No Brasil, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou que a taxa de desemprego ficou em 5,2% no mês de outubro, abaixo do que foi visto em setembro (5,4%) e no mesmo mês do ano passado (5,3%). Já a prévia de novembro do índice de confiança na indústria de transformação brasileira sinalizou alta de 0,7% em relação ao resultado final de outubro.

O número de norte-americanos que solicitaram novos pedidos de auxílio-desemprego caiu mais do que o esperado na semana passada, sugerindo fortalecimento nas condições do mercado de trabalho. Por outro lado, os números da inflação mostraram queda de 0,2%, ante expectativa do mercado de estabilidade.

 

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