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Com mais de 60 ações em alta, Ibovespa sobe forte antes do feriado

Discurso "dovish" de Yellen traz ânimo aos mercados nesta 5ª feira; Gafisa, Anhanguera, B2W, CSN e Lojas Americanas sobem mais de 5% após resultados

painel com cotações
(Divulgação)

SÃO PAULO - O Ibovespa caminha para uma quinta-feira (14) de forte alta antes do feriado nacional de Proclamação na República - que manterá a BM&FBovespa fechada -, embalado pela fala da nova presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, sinalizando um tom mais ameno sobre a retirada de estímulos no país. Às 13h29 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira subia 1,70%, a 53.119 pontos, com 67 das 72 ações que fazem parte do índice mostrando valorização. E o início do discurso de Yellen manteve a tendência de fortes altas para o índice, com as respostas da futura presidente do Fed em linha com o já apresentado pelo mercado. 

O último dia da temporada de resultados brasileiros guia boa parte dos ganhos vistos na Bovespa nesta véspera de feriado. Neste momento, aparecem entre as maiores altas do Ibovespa as ações de Gafisa (GFSA3, R$ 3,13, 7,56%), Anhanguera (AEDU3, R$ 14,83, +7,46%), B2W (BTOW3, R$ 14,04, +7,18%), CSN (CSNA3, R$ 12,87, +5,69%), Lojas Americanas (LAME4, R$ 16,13, +5,56%) e Rossi (RSID3, R$ 2,37, +4,87%), com todas tendo divulgado seus números trimestrais antes da abertura do pregão.

A única ação a subir forte e que não soltou seu balanço é a Copel (CPLE6, R$ 32,80, +8,47%). A companhia viu seus ativos subirem até 12,4% após anunciar um aumento no valor pago para juros sobre capital próprio e dividendos, além de também anunciar a antecipação do pagamento.

Outras diversas empresas que fazem parte do índice e que soltaram seus balanços trimestrais observam suas ações mostrarem forte oscilação neste pregão. É o caso da elétrica Cemig (CMIG4, R$ 19,21, +2,67%) e da imobiliária Brookfield (BISA3, R$ 1,15, +2,68%).

Dentre as 5 únicas ações do Ibovespa que operam em queda neste momento, destaque isolado para a LLX (LLXL3, R$ 1,08, -6,09%), que apresentou um forte prejuízo no 3º trimestre. Completam a lista de papéis no negativo a Embraer (EMBR3, R$ 17,99, -1,05%), Eletrobras (ELET3, R$ 6,13, -0,33%; ELET6, R$ 10,66, -0,47%) e Fibria (FIBR3, R$ 28,95, -0,07%).

Discurso de Yellen no radar
Em destaque, está o discurso de Yellen, que começou às 13h, mas que já fora antecipado pelo Federal Reserve. O tom "dovish", ou ameno da fala, levou os mercados a registrarem menor aversão ao risco. A futura presidente do Fed destaca que houve progresso nos EUA, mas que ainda há muito a ser feito e ressalta que a taxa de desemprego está alta demais, enquanto a inflação está abaixo da meta, o que sustenta os argumentos para a continuidade do QE3 (Quantitative Easing 3), programa de estímulos à economia através de compras de títulos no valor de US$ 85 bilhões mensais.

Em sessão de perguntas e respostas ao Senado, Yellen destacou que o Fed tem ferramentas para normalizar a política quando a "hora chegar". Ela destacou ainda que o programa de estímulos ajudou a reduzir a taxa de desemprego, mas também ressaltou que o programa não pode continuar para sempre e que sempre há riscos. "A cada reunião, tentamos avaliar os riscos".

Já entre os dados dos Estados Unidos, destaque para o déficit comercial, que aumentou mais que o esperado em setembro, na medida em que as importações subiram para seu maior nível em quase um ano, o que provavelmente poderia reduzir as estimativas de crescimento para o terceiro trimestre.

Brasil: prévia do PIB e resultados
Já no noticiário local, destaque para os números da atividade econômica brasileira e para a temporada de resultados. Em destaque, está o IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), que registrou queda de 0,12% no terceiro trimestre de 2013 em relação aos três meses anteriores. Em relação ao mesmo período do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 2,66% sem ajustes. 

Além disso, a temporada de resultados se intensifica em sua reta final. Dentro do Ibovespa, destaque para os números da CSN, registrando um lucro líquido de R$ 503 milhões, o que representa um crescimento de 216% frente ao mesmo período do ano passado. Já a JBS lucrou 40% a menos, totalizando R$ 219,8 milhões, enquanto a LLX viu seu prejuízo subir 8 vezes. A Anhanguera, por sua vez, sofreu uma queda de 91% no lucro líquido do terceiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, para R$ 4,3 milhões, pressionado pela menor base de alunos e despesas contábeis maiores com provisões para calotes.

No setor imobiliário, a Cyrela viu seu lucro cair 4,4% em comparação com o terceiro trimestre de 2012, ao registrar R$ 174 milhões, enquanto a receita marcou 1,39 bilhões em uma alta de 1,6% no mesmo comparativo. Já a Brookfield Incorporações registrou um prejuízo líquido de R$ 53,2 milhões, revertendo lucro de R$ 17,2 milhões obtido um ano antes, enquanto o Ebitda totalizou R$ 60,4 milhões, queda de 58,9% sobre um ano antes. Já a Rossi Residencial registrou lucro líquido de R$ 2,1 milhões no terceiro trimestre de 2013, uma baixa de 88,8%, ao passo que o Ebitda ajustado foi de R$ 136 milhões, alta de 16%.

Passando para as elétricas, a Cemig reportou um lucro líquido de R$ 788,84 milhões no terceiro trimestre de 2013, uma queda de 15,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. Nos primeiros nove meses do ano, o lucro acumulado foi de R$ 2,271 bilhões, crescimento de 4,5%. Já a CPFL Energia  registrou lucro líquido de R$ 355 milhões no terceiro trimestre, leve queda de 0,4% frente ao mesmo período do ano passado. Mas o lucro veio acima da previsão média de cinco analistas consultados pela Reuters para o período, de R$ 293,9 milhões.

No setor varejista, a Lojas Americanas teve alta de 16% no lucro líquido do terceiro trimestre sobre o mesmo período do ano passado, para R$ 97 milhões, apoiada em controles de despesas e crescimento da receita. A B2W, seu braço de atuação no varejo online, viu o prejuízo diminuir em 14,6% na passagem anual, para R$ 39 milhões, enquanto a receita líquida cresceu 22,4% em relação ao mesmo período de 2012, para R$ 1,5 bilhão. O Ebitda ajustado, por sua vez, somou R$ 107 milhões, 30,0% acima do registrado no 3T12, o que levou a margem Ebitda ajustada para 7,1% - alta de 0,4 ponto percentual.

PIBs europeus
Na Europa, o PIB (Produto Interno Bruto) da França registrou queda de 0,1% no terceiro trimestre. O resultado negativo aconteceu logo após a economia do país ter saído da recessão, o que decepcionou o mercado, que esperava estabilidade nos números. 

A Alemanha, maior economia do bloco, apresentou expansão de 0,3% do PIB no terceiro trimestre, em linha com o esperado, mas registrando desaceleração em relação aos 0,7% no segundo trimestre. Já a atividade econômica da Itália caiu 0,1%, em linha com o previsto, enquanto na Grécia o PIB preliminar caiu 3% na comparação anual. Na zona do euro, a atividade econômica subiu 0,1% frente ao segundo trimestre, mas registrou baixa de 0,4% na base de comparação anual. 

Ainda na agenda, as vendas do varejo no Reino Unido caíram inesperadamente em outubro, com baixa de 0,7%. Dentre a agenda de eventos na Europa, destaque para a reunião do eurogrupo, formado por ministros de finanças da zona do  euro, a partir das 12h. 

Ásia no azul
Na Ásia, o destaque fica para o índice Nikkei, do Japão, que fechou com ganhos de 2,1%; no intraday, o índice chegou a atingir a sua cotação máxima desde 24 de maio, aos 14.996 pontos. O iene fraco também foi um dos catalisadores da sessão, impulsionando as ações de companhias exportadoras, que se beneficiam de uma moeda local mais desvalorizada.

Além disso, os mercados também reagiram bem aos números do crescimento econômico do Japão no terceiro trimestre, que superou as expectativas do mercado. No entanto, a produção industrial japonesa ficou abaixo do esperado em setembro.

 

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