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Ibovespa firma queda com "chegada" de Wall Street; Petro e Vale passam a cair

Horário de verão tem mantido o índice brasileiro volátil até a proximidade da abertura do pregão norte-americano

trader na Nyse
(Lucas Jackson/Reuters)

SÃO PAULO - Assim como nos últimos dias, o Ibovespa tem enfrentado um começo de pregão volátil, formando uma tendência mais clara somente a partir das 11h30 (horário de Brasília), quando o "pré-market" norte-americano começa a ganhar forças.

Nesta terça-feira (12), esse movimento se repetiu: após oscilar entre perdas e ganhos nos primeiros 90 minutos de negociação, o benchmark da Bovespa passou a registrar queda mais acentuada, acompanhando a tendência das bolsas norte-americanas - às 12h16, o Ibovespa recuava 0,89%, a 52.155 pontos, enquanto contratos futuros de Dow Jones, Nasdaq e S&P500 caíam entre 0,1% e 0,2%.

Esse comportamento tem se tornado uma constante principalmente após o término do horário de verão no hemisfério norte e o início do horário de verão por aqui. Com isso, o "delay" entre a abertura da Bovespa e das negociações em Wall Street aumentou de 30 minutos para 150 minutos - enquanto a bolsa brasileira segue abrindo às 10h, os mercados norte-americanos passaram a abrir às 12h30, no horário de Brasília. A forte participação dos estrangeiros no volume financeiro da Bovespa justifica esse impacto: segundo balanço de operações da BM&FBovespa, os investidores não-residentes no Brasil responderam por 44,5% do volume negociado no mercado brasileiro de ações.

Colaborando para o movimento negativo do Ibovespa, as ações do Banco do Brasil (BBAS3, R$ 26,87, -4,20%) apresentam forte queda após a divulgação dos resultados do 3º trimestre, mesmo tendo trazido um lucro líquido acima das projeções dos analistas - o BB lucrou R$ 2,704 bilhões no terceiro trimestre, queda de 0,9% em relação ao mesmo período do ano passado e acima dos R$ 2,49 bilhões esperados pelos analistas. Na opinião dos analistas ouvidos pelo InfoMoney, a forte alta acumulada desde julho pelos ativos BBAS3 contribui para o movimento negativo nesta terça, já que o resultado não trouxe nenhuma novidade extraordinária. Além disso, a instituição revisou para baixo suas projeções de margens para financeira bruta, indo de 4% a 7% para 2% a 5%.

Ainda no lado negativo, as ações das duas principais blue chips do Ibovespa passaram a operar no negativo a partir das 11h30: Petrobras (PETR3, R$ 19,11, -0,98%; PETR4, R$ 19,94, -0,75%) e Vale (VALE3, R$ 36,89, -0,16%; VALE5, R$ 33,09, -0,48%). Juntas, elas respondem atualmente por 23,5% da composição do índice.

Agenda de Brasil e EUA
Além da safra de resultados do dia, a agenda brasileira também contou com dados de emprego divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). 
O emprego na indústria brasileira caiu 0,4% em setembro na comparação com agosto. Frente a setembro de 2012, o recuo foi de 1,4%.

Na agenda econômica, o índice de confiança das pequenas empresas dos EUA caiu mais do que o esperado, a 91,6 em outubro, de 93,9 em setembro e ante previsão de recuo menor, a 92,5.

Ainda por lá os investidores repercutem novos discursos feitos por membros da autoridade monetária, o que pode dar indícios de quando será dado o início da retirada de estímulos. Às 16h (horário de Brasília), falará o presidente do Fed de Mineapolis, Narayana Kocherlakota. Já às 16h50, será a vez de Dennis Lockhart, do Fed de Atlanta. Já o chefe do Fed de Dallas, Richard Fisher, disse à agência de notícias CNBC que o programa de compras de ativos QE3 (Quantitative Easing 3) "não pode durar para sempre".

Plano de 10 anos da China
Após quatro dias de reuniões, iniciadas no sábado, a expectativa é de que o Partido Comunista divulgue um comunicado traçando os planos econômicos do país para os próximos 10 anos. Segundo a agência de notícias Xinhua, líderes do país aprovaram as "principais questões que dizem respeito ao aprofundamento abrangente das reformas". Espera-se agora que mais novidades sejam divulgadas a seguir.

Com isso, o índice Xangai Composite fechou em alta de 0,8%.

Europa: Alemanha e "bolha" no Reino Unido...
Já na Europa, 
destaque para a análise da economia alemã pela Comissão Europeia, em meio ao debate sobre os grandes superávits em conta corrente do país. Por lá, a agência Federal de Estatísticas da Alemanha confirmou que os preços ao consumidor no país caíram em outubro 0,2% na comparação mensal e tiveram uma alta de 1,2% sobre o ano anterior, menor taxa anual desde agosto de 2010.

No Reino Unido, por sua vez, um aumento na demanda por casas levou a uma alta mais generalizada nos preços dos imóveis em mais de 11 anos em outubro, de acordo com dados do Royal Institution of Chartered Surveyors nesta terça-feira. Os dados podem alimentar temores de que, na ausência de uma aceleração das construções de casa, o Reino Unido pode voltar a ficar perto de uma bolha imobiliária - isso tudo a um dia da publicação do Relatório Trimestral de Inflação do Banco da Inglaterra. Analistas dizem que o banco central pode rever até suas previsões económicas em face de uma economia em crescimento, levando a especulações de que poderia elevar os juros antes do esperado.

...PIB francês e russo
Na França, o Banco Central espera que o país mostre crescimento de 0,4% nos últimos 3 meses do ano. Já a leitura oficial do 3º trimestre, que será divulgada na quinta-feira, deve mostrar desaceleração de 0,5% para 0,1% de expansão, projetam os economistas.

Por fim, o PIB da Rússia mostrou expansão de 1,2% na comparação entre o terceiro trimestre de 2012 e 2013, ficando levemente abaixo das expectativas dos analistas, que apontavam para crescimento de 1,4% no período.

 

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