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Ibovespa quebra sequência de 4 quedas com mão do exterior e resultados

Índice firma alta após abertura de Wall Street em dia de volume abaixo da média por conta de feriado nos EUA; Petrobras avança mais de 2%, enquanto MRV sobe 3,6% antes de divulgação de resultado

Ibovespa
(Divulgação)

SÃO PAULO - O Ibovespa encerrou nesta segunda-feira (11) uma sequência de 4 quedas ao fechar com alta de 0,72%, a 52.623 pontos. Em dia de feriado bancário do dia dos Veteranos nos Estados Unidos, o benchmark da bolsa brasileira firmou sua tendência positivo após a abertura do pregão em Wall Street. Além disso, o volume financeiro negociado na Bovespa foi de R$ 4,76 bilhões, abaixo da média de R$ 7,91 bilhões vista nos últimos 21 pregões - um claro sintoma do feriado norte-americano.

No começo da sessão, o índice oscilou entre leves perdas e ganhos, firmando alta com a abertura das bolsas norte-americanas, que repercutiram os dados positivos da China, que viu sua produção industrial crescer 10,3% em outubro. Antes de fecharem, os três principais índices acionários dos EUA acumulavam ganhos próximos de 0,1%. O mesmo dia positivo foi visto nas bolsas europeias, com o índice alemão DAX 30 subindo 0,49% nesta segunda-feira.

Mesmo com essa sessão positiva no mercado acionário, o dólar comercial teve seu 3º dia consecutivo de alta e fechou acima de R$ 2,33. Por ser considerado um "porto seguro" dos investidores, a cotação da moeda norte-americana costuma subir em momentos de maior apreensão no mercado, por isso Ibovespa e dólar costumam andar em direções diferentes.

Temporada de resultados
A semana promete muita agitação por conta do fim da temporada de resultados do 3º trimestre, com as empresas de capital aberto tendo até o dia 14 para divulgarem seus balanços. Nesta segunda-feira, chamaram atenção as ações de empresas que divulgaram seus números nesta sessão, como é o caso de Light (LIGT3, R$ 20,20, +0,60%) e Vanguarda Agro (VAGR3, R$ 3,45, -3,63%).

Já a MRV Engenharia (MRVE3, R$ 8,91, +3,60%) viu suas ações figurarem entre os destaques de alta antes da divulgação de resultados, marcada para após o fechamento do pregão, com expectativa de que a companhia reporte bons números, assim como fez na sua prévia operacional divulgada em outubro.

A Light teve um lucro líquido de R$ 121,2 milhões no terceiro trimestre, numa alta de 44,1%, na comparação anual, impulsionada pelo crescimento do mercado e redução nas provisões. Considerando o aporte da CDE, homologado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) na revisão tarifária, o lucro líquido da Light foi de R$ 321,5 milhões, alta anual de 282,1%. A média de estimativas de cinco analistas consultados pela Reuters apontava para lucro de R$ 145 milhões. Já a Vanguarda Agro teve um crescimento de 287,7% no seu prejuízo líquido, passando de R$ 17,1 milhões para R$ 66,5 milhões ao final do terceiro trimestre, resultados muito abaixo das expectativas.

Petrobras sobe mais de 2%
Contribuindo para a alta do índice, mas fora da temporada de resultados trimestrais, apareceram as ações da Petrobras (PETR3; PETR4), que registram ganhos de 2,93% para os ativos ON e de 2,29% para os papéis ON, fechando o dia valendo R$ 19,30 e R$ 20,09, respectivamente. Vale ressaltar que, no último final de semana, o ministro da Fazenda Guido Mantega declarou que a petrolífera não foi usada politicamente e que reajuste de combustíveis.

As maiores altas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BRPR3 BR PROPERT ON 17,85 +5,31 -28,35 48,20M
 TIMP3 TIM PART S/A ON 11,04 +3,86 +39,79 54,35M
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 13,39 +3,72 -21,24 5,44M
 MRVE3 MRV ON 8,91 +3,60 -22,72 34,96M
 OIBR4 OI PN 3,67 +3,38 -48,33 24,11M

Já na ponta de baixo, chamaram atenção, mais uma vez, os papéis da MMX Mineração (MMXM3, R$ 0,64, -7,25%), que já acumulam queda de 85,62% no ano. Vale destacar que, no noticiário desta segunda-feira, repercutiu a informação de que a mineradora do Grupo EBX informou que desconhecia qualquer requerimento de falência, em resposta a uma publicação atribuindo tal pedido à Vision Engenharia e Consultoria Ltda.

Além da companhia do empresário Eike Batista, outro destaque de queda ficou por conta das imobiliárias Brookfield (BISA3, R$ 1,11, -1,77%), e Gafisa (GFSA3, R$ 2,85, -1,72%), que já acumulam quedas anuais de 67,54% e 39,49%, respectivamente.

As maiores baixas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MMXM3 MMX MINER ON 0,64 -7,25 -85,62 12,78M
 VAGR3 V-AGRO ON 3,45 -3,63 -6,50 4,57M
 BISA3 BROOKFIELD ON 1,11 -1,77 -67,54 10,93M
 GFSA3 GAFISA ON 2,85 -1,72 -39,49 18,45M
 ELPL4 ELETROPAULO PN N2 9,37 -1,58 -44,21 6,74M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 33,25 +1,19 493,08M 590,86M 24.820 
 PETR4 PETROBRAS PN 20,09 +2,29 437,91M 600,52M 28.157 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 30,75 -0,10 173,08M 250,55M 12.754 
 VALE3 VALE ON 36,95 +0,54 161,87M 210,04M 9.997 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 32,30 +0,44 153,72M 326,10M 11.752 
 PETR3 PETROBRAS ON 19,30 +2,93 148,00M 188,19M 16.166 
 ABEV3 AMBEV S/A ON 17,40 +0,23 130,14M 172,33M 14.991 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,72 -0,68 120,22M 103,13M 13.419 
 BBAS3 BRASIL ON 28,09 +0,90 109,86M 150,84M 10.982 
 ITSA4 ITAUSA PN 9,08 +0,44 79,05M 113,99M 12.140 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Expectativas da semana, resultados e Focus
Nesta segunda, mais de 10 resultados repercutiram na Bovespa, com destaque para Light, Copel (CPLE6, R$ 30,06, -0,76%), V-Agro e BB Seguridade (BBSE3). Ainda nesta semana, o mercado deve ficar atento à expectativa sobre o vencimento de opções sobre ações, que ocorrerá na próxima segunda-feira (18). O evento costuma trazer bastante volatilidade nos dias que antecedem o vencimento, sobretudo às ações com maior liquidez no mercado de derivativos, como Petrobras e Vale (VALE3, R$ 36,95, +0,54%; VALE5, R$ 33,25, +1,19%), refletindo diretamente no desempenho do Ibovespa - já que as duas empresas respondem por mais de 20% da composição do índice.

Na agenda doméstica, o Banco Central divulgou a versão semanal do relatório Focus, mostrando que os economistas mantiveram a perspectiva de que a Selic encerrará este ano a 10% e o próximo a 10,25% ao ano. Em relação à inflação em 2013, as projeções se mantiveram em 5,85% para 2013 e foram elevadas de 5,92% para 5,93% em 2014. Já a expansão do PIB (Produto Interno Bruto) em 2013 foi mantida em 2,50% em 2013 e diminuiu ligeiramente para 2014, de 2,13% para 2,14%.

Nos EUA, os resultados melhores que o esperado do PIB e do relatório de emprego aumentaram a expectativa de que o Federal Reserve antecipe o início da retirada do QE3 (Quantitative Easing 3), programa de estímulo do governo que consiste na compra mensal de até US$ 85 bilhões. Com isso, a agenda de indicadores norte-americana deverá ganhar ainda mais importância ao longo do mês. Nesta semana, dados de emprego, inflação e produtividade serão divulgados por lá entre quarta e sexta-feira.

China: no aguardo da reunião histórica
Já na China, a expectativa para os resultados da terceira reunião da plenária do Partido Comunista Chinês deve seguir em pauta, com a possibilidade de uma grande quantidade de reformas - o país vive temores de que uma bolha imobiliária possa estar se formando, o que levaria as autoridades a intervir com o intuito de frear o crescimento interno. Mesmo com essa apreensão, as bolsas chinesas fecharam em leve alta, impulsionadas pelos bons dados da atividade econômica chinesa. Na agenda local, a produção industrial do país que cresceu 10,3% em outubro, enquanto o índice de inflação ao consumidor subiu 3,2% nos últimos 12 meses.

Destaque ainda para a publicação no diário oficial do país de que a China permitirá que investidores privados comprem até 15% de participação em empresas estatais, numa estratégia em que Pequim tentará usar recursos privados para evitar ter de resgatar companhias controladas pelo estado.

Na França, destaque para a fala do ministro das finanças Pierre Moscovici, que destacou em entrevista à TV TV5 que conseguir a nota "triplo A" das agências de rating não é uma prioridade. Ele destacou ainda que os mercados reagiram demonstrando confiança na França após a agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixar o rating soberano do país de AA+ para AA na semana passada.

 

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