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Em dia de "surpresas", Ibovespa fecha no menor patamar em 1 mês

Índice acompanha incertezas do mercado internacional e fecha a 52.740 pontos; Petro recua 2% e Vale cai mais de 3% mesmo com lucro de 139,36%, enquanto MMX e Marfrig invertem perdas dos últimos dias

painel com cotações
(Divulgação)

SÃO PAULO - O Ibovespa conheceu sua terceira queda consecutiva nesta quinta-feira (7), ao fechar com variação negativa de 1,21%, a 52.740 pontos - seu menor patamar desde 9 de outubro, quando marcou os 52.547 pontos. O desempenho do índice acompanhou o movimento das bolsas norte-americanas, que caminham para um fechamento negativo entre 0,6% e 1,3%, e alguns índices europeus, a despeito da aparente surpreendente notícia da redução para 0,25% na taxa de juros local. O volume financeiro negociado na Bovespa nesta sessão foi de R$ 8,47 bilhões.

O benchmark da bolsa brasileira chegou a subir instantes após o anúncio do BCE (Banco Central Europeu) de estímulo à liquidez da economia ao rebaixar a taxa de juros para a nova mínima histórica. No velho continente, o presidente da autoridade monetária da zona do Euro destacou ainda que o piso das taxas de juros ainda não foi atingido e o BCE pode rebaixá-las mais.

No entanto, o Ibovespa virou para queda depois dos mercados digerirem melhor o também surpreendente PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano, que registrou uma alta de 2,8% no terceiro trimestre. Com o indicador superando as expectativas, o mercado voltou a acreditar em uma possível redução do QE3 (Quantitative Easing 3), o programa de compra de títulos num valor mensal de US$ 85 bilhões, o que gerou maior aversão ao risco principalmente para os emergentes.

No entanto, para o analista João Pedro Brugger, da Leme Investimentos, a precificação pelo mercado foi exagerada, uma vez que os números do terceiro trimestre não englobam a paralisação do início de outubro, que afetará a economia do país e que pode levar o Fed a adiar a retirada dos estímulos.

Também vale destacar que o desempenho do Ibovespa de queda mais acentuada que os demais índices internacionais. Segundo o analista Luis Gustavo Pereira, da Futura Corretora, contribuiu para esse movimento o receio do mercado quanto à questão fiscal brasileira, com a desconfiança a respeito da capacidade em geração de superávit primário, além dos próximos indicadores econômicos a serem divulgados no cenário internacional, com destaque para a balança comercial e a Terceira Sessão Plenária do Partido Comunista na China e os payrolls nos EUA.

Ainda no cenário macroeconômico, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostrou aceleração de 0,35% para 0,57% no IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) entre setembro e outubro.

Destaques do pregão
Já na bolsa, a temporada de resultados trimestrais voltou a ser a tônica com uma enxurrada de balanços corporativos. O destaque ficou por conta da Vale (VALE3, R$ 37,23 -3,22%VALE5, R$ 33,32 -3,25%), cujos papéis caíram mesmo com o forte desempenho visto no trimestre passado. A mineradora mostrou crescimento de 140% no lucro líquido, superior às estimativas dos analistas, fechando o período com R$ 7,95 bilhões de ganhos. O movimento negativo das ações da companhia nesta sessão sinalizou que os investidores já haviam precificado nos últimos dias esses números melhores que o esperado.

Também contribuíram para a queda do índice a queda das ações da Petrobras (PETR3, R$ 19,15, -2,30%; PETR4, R$ 20,00, -2,01%), que chegaram a subir 1% no intraday. Ainda na ponta de baixo, chamaram atenção os papéis de B2W (BTOW3, R$ 12,99, -7,35%) - que com essa queda já acumula perdas de cerca de 20% neste começo de novembro - e PDG Realty (PDGR3, R$ 1,77, -4,32%), que, na véspera já tinha registrado forte queda após divulgar balanço referente ao terceiro trimestre.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 12,99 -7,35 -23,59 17,11M
 ENBR3 ENERGIAS BR ON 11,79 -4,69 -5,60 26,44M
 PDGR3 PDG REALT ON 1,77 -4,32 -46,53 106,07M
 TRPL4 TRAN PAULIST PN 29,40 -3,76 -10,88 13,04M
 VALE5 VALE PNA 33,32 -3,25 -13,65 1,07B

Entre as maiores altas, destaque para Eletropaulo (ELPL4, R$ 9,50, +9,20%), Kroton (KROT3, R$ 36,48, +5,07%), Cosan (CSAN3, R$ 44,10, +0,59%) e Braskem (BRKM5, R$ 19,71, +1,65%), com todas elas divulgando seus balanços do 3º trimestre antes da abertura do pregão. Também na ponta de cima, chamaram atenção as ações de Marfrig (MRFG3, R$ 4,46, +7,47%) e MMX Mineração (MMXM3, R$ 0,71, +5,97%), que vinham caindo forte nos últimos pregões.

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 ELPL4 ELETROPAULO PN N2 9,50 +9,20 -43,43 51,18M
 MRFG3 MARFRIG ON 4,46 +7,47 -47,41 29,54M
 MMXM3 MMX MINER ON 0,71 +5,97 -84,04 28,53M
 KROT3 KROTON ON 36,48 +5,07 +60,08 120,04M
 EMBR3 EMBRAER ON 17,29 +3,53 +20,72 49,42M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 33,32 -3,25 1,07B 542,79M 49.868 
 PETR4 PETROBRAS PN 20,00 -2,01 420,10M 591,60M 25.950 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 31,92 -0,87 407,68M 225,83M 17.418 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 33,03 -1,49 358,84M 314,95M 27.683 
 BVMF3 BMFBOVESPA ON 11,83 -2,47 274,08M 90,42M 26.471 
 VALE3 VALE ON 37,23 -3,22 258,37M 202,38M 16.211 
 AMBV4 AMBEV PN 85,00 +1,19 249,04M 144,00M 11.932 
 USIM5 USIMINAS PNA 12,20 +3,30 172,60M 77,59M 30.534 
 CYRE3 CYRELA REALT ON 15,60 -1,95 167,36M 42,76M 13.597 
 BBAS3 BRASIL ON 28,59 -0,49 161,85M 146,67M 17.135 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão) 

Próximos eventos
Antes da decisão do BCE, o mercado já havia recebido o fim da reunião do BoE (Bank of England), no qual foi decidido pela manutenção dos juros e do como o programa de estímulos do governo.

Nos EUA, os mercados esperam agora pelo relatório de emprego de outubro, que será divulgado na próxima sexta-feira. Essa bateria de indicadores pode sinalizar quais serão os próximos passos do Federal Reserve com o QE3, programa mensal de compra de títulos no valor de US$ 85 bilhões. Caso os dados mostrem certa melhora da economia, a expectativa do mercado passa a ser de que uma redução dos estímulos, o chamado "tapering", aconteça de forma mais rápida.

Já na China, o mercado fica no aguardo do início da Terceira Sessão Plenária do Partido Comunista a ser iniciada na próxima semana e que pode definir o futuro das políticas públicas para o gigante asiático. Além disso, serão divulgados na próxima sexta-feira os dados da balança comercial e o índice de preços de outubro.

 

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