Em mercados / acoes-e-indices

Ibovespa sobe pelo 2º pregão seguido e volta aos 53 mil pontos

Mesmo com alta da Selic e dados ruins de emprego nos EUA, dia foi de forte euforia nos mercados diante do avanço nas negociações do teto da dívida norte-americana; B2W, Oi e Eletrobras sobem mais de 5%

Ibovespa
(Divulgação)

SÃO PAULO - Impulsionado pelo otimismo do mercado internacional, o Ibovespa fechou na sua segunda alta consecutiva nesta quinta-feira (10), com variação positiva de 0,85%, a 52.996 pontos.

No entanto, o desempenho do principal índice da bolsa brasileira foi bem mais modesto que o visto na Europa e Estados Unidos, que fecharam em alta na casa dos 2%, com a expectativa de que o presidente norte-americano Barack Obama chegue a um acordo com a oposição sobre os impasses políticos que têm mantido o país em "shutdown" há 10 dias.

No seu melhor momento do dia, o Ibovespa "flertou" com os 53 mil pontos, ao registrar alta de 1,1% na sua máxima do intraday (53.132 pontos). O volume financeiro negociado na Bovespa ficou em R$ 6,25 bilhões.

A notícia de que o líder da maioria no Senado dos EUA, Harry Reid, afirmou que ficará "feliz em trabalhar com os republicanos", após reunião com Obama, modificou a impressão dos mercados sobre o futuro do impasse político na maior economia do mundo. O otimismo sobre as maiores chances de que se chegue a um acordo entre as partes aumentou quando Reid disse que o governo deveria ser reaberto, uma vez que a paralisação estaria causando "muita dor e sofrimento". 

Com isso, as bolsas na Europa tiveram seu melhor desempenho no mês, com o principal índice acionário alemão, o DAX 30, subindo 1,99% e o francês CAC 40 avançando 2,20%. Nos EUA, os índices Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram mais de 2%, com as 30 ações que fazem parte do Dow Jones fechando em alta. Também chamou atenção o dólar: tida como "porto seguro" dos investidores em momentos de apreensão no mercado, a moeda perdeu atratividade neste momento de euforia, fechando em queda de 1,13%, cotado a R$ 2,1815 na venda - seu menor patamar desde junho.

Do lado das empresas, o destaque de alta do Ibovespa ficou por conta da alta das ações de B2W (BTOW3, R$ 15,80, +6,54%), Oi (OIBR3, R$ 4,21, +5,78%; OIBR4, R$ 4,00, +5,54%) e Eletrobras (ELET3, R$ 6,77, +5,29%). Outra companhia que viu seus papéis sofrerem significativa valorização neste pregão foi o Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 109,99, +4,55%), após anunciar crescimento de 15,8% em sua receita líquida consolidada no 3º trimestre, com R$ 14,08 bilhões.

Desta forma, as maiores altas do Ibovespa foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 BTOW3 B2W DIGITAL ON 15,80 +6,54 -7,06 6,87M
 OIBR3 OI ON 4,21 +5,78 -46,97 6,19M
 OIBR4 OI PN 4,00 +5,54 -43,68 71,49M
 ELET3 ELETROBRAS ON 6,77 +5,29 +15,44 18,24M
 OGXP3 OGX PETROLEO ON 0,22 +4,76 -94,98 23,16M

Na ponta de baixo, a PDG Realty (PDGR3) liderou as perdas desta quinta-feira, com queda de 2,09% no valor de suas ações, que fecharam cotadas a R$ 2,34. Também puxaram o Ibovespa para baixo nesta sessão os papéis da Cosan (CSAN3, R$ 43,53, -2,55%) e ALL Logística (ALLL3, R$ 8,72, -3,00%).

Com isso, as maiores baixas dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano Vol1
 MRFG3 MARFRIG ON 5,32 -5,17 -37,26 26,40M
 MMXM3 MMX MINER ON 0,97 -4,90 -78,20 12,92M
 ALLL3 ALL AMER LAT ON 8,72 -3,00 +5,77 35,54M
 CSAN3 COSAN ON 43,53 -2,55 +6,08 90,80M
 PDGR3 PDG REALT ON 2,34 -2,09 -29,31 71,87M

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 30,56 +0,30 555,15M 565,75M 29.448 
 PETR4 PETROBRAS PN 18,15 +0,44 398,07M 426,75M 29.152 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 32,40 +1,76 339,75M 309,93M 23.337 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 31,65 +1,38 242,66M 202,29M 17.241 
 PCAR4 P.ACUCAR-CBD PN 109,99 +4,55 164,78M 55,24M 8.750 
 BRFS3 BRF SA ON 55,39 +1,75 157,45M 113,40M 10.825 
 AMBV4 AMBEV PN 84,40 +0,82 148,67M 137,50M 6.933 
 BBAS3 BRASIL ON 26,80 +1,21 132,61M 167,84M 10.354 
 VALE3 VALE ON 33,45 +0,75 121,57M 149,51M 11.756 
 PETR3 PETROBRAS ON 17,02 +1,13 114,54M 160,52M 14.756 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Selic a 9,5%, como o esperado
No noticiário local, o Copom (Comitê de Política Monetária) encerrou sua reunião na véspera, seguindo a expectativa do mercado ao aumentar a Selic em 50 pontos-base, que chega a 9,50% ao ano. O comunicado, que poderia trazer novidades, não apresentou grandes informações e leva a crer que ocorrerá mais um aumento na taxa de juros neste ano, reforçando expectativa para taxa de 2 dígitos ainda em 2013. Com a decisão, o aumento acumulado desde abril já soma 225 pontos-base.

Dados do desemprego nos EUA em segundo plano
Nos Estados Unidos, o Initial Claims registou alta de 374 mil solicitações de auxílio-desemprego na semana finda em 5 de outubro, variação muito acima do esperado, de 318 mil novos pedidos. Apesar de negativo, o indicador não impulsionou um possível pessimismo nos mercados, tendo em vista as expectativas de que se aproxima um possível acordo entre o governo e a oposição republicana sobre a elevação do teto da dívida pública do país, que deve alcançar o limite máximo na semana que vem.

Na Europa o Bank of England manteve sua taxa de juros na mínima recorde de 0,5% e seu programa de estímulo monetário em 375 milhões de libras. Por aqui, o IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado) desacelerou alta para 0,85% na 1ª prévia de outubro, ante aumento de 1,02% no mesmo período de setembro.

 

Contato