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As 6 lições que a derrocada de US$ 30 bi de Eike deixa para o mercado

Artigo da Bloomberg destaca lições como tomar cuidado com a falta de transparência e ficar atento em relação a diferenças entre metas e realidade

Eike Batista e Dilma Rousseff
(Reuters)

SÃO PAULO - A OGX Petróleo (OGXP3) está a um passo de entrar na recuperação judicial após não pagar US$ 44,5 milhões na última segunda-feira. E não é só a petrolífera que perde com isso, uma vez que os maiores credores nos Estados Unidos, como a Pimco e a BlackRock, podem perder milhões com a companhia, assim como milhares de acionistas, tanto grandes quanto pequenos, que apostaram nas empresas do Grupo EBX, de Eike Batista.

Com isso, a Bloomberg listou seis lições para os investidores de alguns "sinais bastante preciosos" para evitar que os investidores tenham novamente este tipo de problema. 

1. Evite companhias que "ninguém entende o que acontece". Conforme destaca a Bloomberg, o grupo EBX, de Eike Batista, é um labirinto de treze empresas iniciantes interligadas, sendo que apenas seis delas estão listadas na bolsa. A OGX foi o principal cliente da OSX Brasil (OSXB3) que, por sua vez, arrendou o espaço para a LLX Logística (LLXL3), outra empresa irmã. E a notícia aponta que nem mesmo os funcionários da companhia conseguiram descobrir o seu enigma.

2. Cuidado com a "falta de transparência". A holding EBX e outras seis unidades nunca revelaram as suas finanças. As caixas pretas da empresa eram impenetráveis, tornando difícil entender como a situação financeira da empresa afetou as unidades relacionadas. 

3. Cuidado com a "porta giratória", ou "dança das cadeiras" dos executivos. A Bloomberg ressaltou ainda a "dança das cadeiras" dos executivos, destacando que a OGX substituiu o seu diretor financeiro, executivo e chefe de exploração de petróleo por duas vezes só em 2012. 

No mês passado, a OGX demitiu o seu diretor financeiro e de relações com investidores, Roberto Bernardes Monteiro, e contratou um quinto conselheiro, de forma a reestruturar a dívida. Como destaca a Bloomberg, os prazos mais curtos tornam mais difícil para os executivos entregar resultados sólidos, um dos sintomas de que há problemas maiores no topo.

4. Atenção à diferença entre as metas e a realidade. A Bloomberg ressalta que Eike nunca entregou as suas promessas que, por sinal, eram bem grandiosas. O Superporto de Açu sofreu anos de atraso antes de Batista anunciar a venda para a EIG em meados de agosto. Já Tubarão Azul, que visava bombear 20 mil de barris de petróleo por dia, produziu menos da metade desse valor no ano passado antes da OGX finalmente declarar em julho que os poços não estavam viáveis.

Enquanto isso, em meio, a companhia arrematou nove blocos no leilão da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), mas anunciou no final de agosto que, tendo em vista o novo plano de negócios da companhia, desistiu da aquisição dos blocos. "Alguns CEOs (Chief Executive Officer) podem gostar de sonhar, mas este é um luxo que os investidores prudentes não podem pagar", diz. 

5. CEOs devem ser bons gerentes e não apenas bons vendedores. A Bloomberg ressalta que Eike é um grande vendedor de sonhos e que se aproveitou do uso da imagem e credibilidade da presidente Dilma Rousseff como moeda. Porém, as suas habilidades de gerência ficaram aquém. 

O empresário se destacou como um líder que se esforçou a delegar as decisões de sua equipe em constante mudança. 

6. Ego dos CEOs pode causar problemas. "Eike tem ego do tamanho de uma plataforma de petróleo offshore", afirma a Bloomberg. Há pouco tempo atrás, ele prometeu ultrapassar Carlos Slim como o homem mais rico do mundo e sugeriu que o Brasil deveria erguer uma estátua em sua homenagem. E a mistura entre interesses pessoais e das empresas passou a acontecer. Como exemplo, a matéria cita que, quando o filho de Eike, Thor Batista, atropelou e matou um ciclista em março de 2012, o empresário culpou o ciclista no Twitter e um porta-voz da EBX foi defender seu filho em público.

E a destruição do valor se tornou mais evidente ainda quando Eike passou a realizar diversos desinvestimentos. Por exemplo, as ações da LLX chegaram a subir mais de 50% depois que ele anunciou a venda da empresa. Eike pode querer mais tempo para vender seus ativos mas, ao mesmo tempo, ele será pressionado para que isso ocorra o mais rápido possível. "Após esta série de desastres, investidores sensíveis provavelmente devem se afastar de um homem que promete demais e que entrega pouco", conclui a Bloomberg. 

 

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