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Puxado por tensões nos EUA, Ibovespa cai 1,15% e fecha abaixo dos 53 mil pontos

Índice segue tendência das bolsas internacionais e conhece sua segunda queda consecutiva; Oi despenca 13%, MMX e construtoras caem mais de 3%

Ibovespa
(Divulgação)

SÃO PAULO - O Ibovespa conheceu sua segunda queda consecutiva nesta quinta-feira (3), acompanhando mais uma vez o movimento de baixa visto nas bolsas internacionais, com disputas políticas e indicadores abaixo do esperado nos Estados Unidos. O principal índice da bolsa brasileira registrou queda de 1,15%, a 52.489 pontos, abaixo da marca da zona dos 53.000 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 5,28 bilhões, mais uma vez abaixo da média dos últimos 21 dias, que é de R$ 6,51 bilhões.

Além das tensões geradas pelo impasse sobre o "shutdown" norte-americano, a divulgação do PMI (Purchase Manager's Index) de serviços abaixo do esperado em setembro e o cancelamento da divulgação do relatório de emprego no país - justamente por conta da paralisação dos setores da economia - contribuíram para o dia negativo dos mercados mundiais. Por lá, os índices acionários Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuaram entre 0,9% e 1,1%. Já o dólar comercial fechou com alta de 0,41% em relação ao real, cotado na venda a R$ 2,2029 - a moeda norte-americana ganha maior atratividade em momentos de incerteza na economia.

No Ibovespa, a principal baixa do dia ficou por conta da Oi (OIBR3, R$ 4,08, -11,88%; OIBR4, R$ 3,85, -13,29%), que, na véspera, subiu forte com o anúncio de memorando para a fusão com a Portugal Telecom. Também destacam-se as baixas de MMX Mineração (MMXM3, R$ 1,31, -5,76%), BR Malls (BRML3,R$ 20,01, -3,57%) além das construtoras Brookfield (BISA3, R$ 1,59, 3,64%) PDG Realty (PDGR3, R$ 2,36, -4,07%). Também colaboram com o movimento negativo as ações da Vale (VALE3, R$ 34,04, -1,36%; VALE5, R$ 31,45, -1,16%), além das preferenciais da Petrobras (PETR4, R$ 18,54, -1,28%) que chegaram a subir no começo do pregão.

As maiores baixas, dentre as ações que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 OIBR4 OI PN ED 3,85 -13,29 -45,79
 OIBR3 OI ON ED 4,08 -11,88 -48,61
 MMXM3 MMX MINER ON 1,31 -5,76 -70,56
 PDGR3 PDG REALT ON 2,36 -4,07 -28,70
 BISA3 BROOKFIELD ON 1,59 -3,64 -53,51

As maiores altas, dentre os papéis que compõem o Índice Bovespa, foram:

 Cód. Ativo Cot R$ % Dia % Ano
 ELET3 ELETROBRAS ON 6,67 +2,77 +13,73
 ELET6 ELETROBRAS PNB 10,96 +2,53 +23,96
 SBSP3 SABESP ON 22,10 +2,08 -21,78
 DASA3 DASA ON 12,10 +1,43 -7,73
 CSNA3 SID NACIONAL ON 9,47 +0,85 -14,19

As ações mais negociadas, dentre as que compõem o índice Bovespa, foram :

 Código Ativo Cot R$ Var % Vol1 Vol 30d1 Neg 
 VALE5 VALE PNA 31,45 -1,16 485,76M 604,52M 30.576 
 PETR4 PETROBRAS PN 18,54 -1,28 342,29M 464,71M 30.571 
 ITUB4 ITAUUNIBANCO PN ED 31,70 +0,25 210,44M 321,78M 17.724 
 OIBR4 OI PN ED 3,85 -13,29 182,72M 54,44M 27.834 
 BRFS3 BRF SA ON 53,50 -2,87 147,80M 113,05M 9.555 
 VALE3 VALE ON 34,04 -1,36 134,47M 145,14M 8.209 
 BBDC4 BRADESCO PN EJ 30,75 -0,32 130,46M 208,72M 9.677 
 GGBR4 GERDAU PN 16,39 -1,27 129,83M 129,47M 17.124 
 PETR3 PETROBRAS ON 17,17 -0,64 127,11M 169,82M 11.897 
 BBAS3 BRASIL ON 26,15 +0,04 110,94M 169,80M 8.266 

* - Lote de mil ações
1 - Em reais (K - Mil | M - Milhão | B - Bilhão)
 

Teto da dívida e indicadores pressionam EUA
O PMI de serviços dos EUA recuou para 54,4 em setembro, ante expectativa de diminuição para 57,2, após atingir 58,6 no mês anterior. O dado negativo vem em um momento delicado, com o impasse sobre o aumento do teto da dívida e o novo orçamento norte-americanos ganhando visibilidade.

Mais cedo, os EUA mostraram uma referência positiva, mas que acaba sendo ofuscada pela cautela do mercado: o Initial Claims apresentou 308 mil novos pedidos de auxílio-desemprego na última semana, enquanto as projeções apontavam para 315 mil.

Com a paralisação do governo, o Mercado de Trabalho cancelou a divulgação do relatório de emprego, tradicionalmente divulgado na 1ª sexta-feira do mês. Além disso, o Tesouro dos EUA disse que um "default" nas contas do país, que deve ocorrer no final de outubro caso o teto da dívida não seja aumentado, pode ser catastrófico para a economia e o mercado, com efeitos piores até do que a crise do subprime em 2008.

O temor sobre os EUA atinge também os títulos públicos do país. O título com vencimento mais curto, 1 mês, apresenta alta de 62,9% em seu yield, o que sugere uma maior desconfiança sobre a capacidade do governo de honrar com suas dívidas. Segundo estimativas do Tesouro, o país perderá sua capacidade de pedir empréstimos ainda em outubro, e pode ficar sem fundos para honrar suas dívidas ao final deste mês.

Moody's rebaixa perspectiva brasileira
A agência de classificação de riso ng dos títulos Baa2 do Brasil. Segundo a agência, o rebaixamento foi consequência de métricas mais fracas do que de outros países com mesmo rating.

Em contraponto à visão pessimista da Moody's, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse durante conferência em Londres que o País pode apresentar acomodação no 3º trimestre, mas que crescerá mais do que o esperado. Tombini comentou também que a inflação está sob controle e convergindo para o centro da meta do governo, de 4,5% ao ano.

PMIs em foco
Na China, o PMI de serviços subiu para 55,4 em setembro, ante 53,9 no mês anterior - valores acima de 50 indicam expansão do setor e abaixo, contração. O dado soma-se ao também positivo PMI industrial, divulgado no início desta semana. O mercado em Xangai ficará fechado até segunda-feira, devido ao feriado do Dia Nacional. Enquanto isso, o índice Hang Seng subiu 1,00%, com investidores animados com o PMI e apostando no maior fluxo de turistas devido ao feriado, conhecido como semana dourada. 

Na Europa, o PMI de serviços da zona do euro fechou setembro em 52,2, ante expectativa de 52,1. Entre os indicadores regionais, o PMI italiano avançou para 52,7 - o mercado esperava 49,3 - e o espanhol recuou mais do que o previsto, com 49,0. Já na Inglaterra, o PMI ficou em 60,3, em linha com as projeções de 60,4. Ainda entre os indicadores, as vendas no varejo da zona do euro em agosto subiram 0,7%, bem acima da expectativa de alta de 0,3%.

 

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