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Possível intervenção na Síria traz mau humor ao mercado e Ibovespa desaba

Possível conflito militar no Oriente Médio abala mercados mundiais; espera por Copom derruba imobiliárias

ações - mesa - bolsa de valores - Bovespa - cotações
(Rafael Matsunaga/Wikimedia)

SÃO PAULO - Em mais uma sessão negativa, o Ibovespa vai registrando queda de 2,40% por volta das 15h45 (horário de Brasília), atingindo os 50.193 pontos - em reflexo ao possível conflito na Síria, onde a guerra civil fica cada vez mais sangrenta. Em meio ao cenário de maior aversão ao risco, destaque para a alta dos preços de commodities: o petróleo - principal commodity do oriente médio - sobe 2,88% e o ouro, 1,79%.

Com o forte rali apresentado anteriormente, qualquer referência negativa leva os investidores a realizarem lucros, destaca o estrategista do BB Investimentos, Hamilton Alves. eLE ressalta que momento é de forte tensão no exterior, o que ajuda a derrubar a bolsa. "A bolsa brasileira estava muito esticada sem motivo. No exterior, o ambiente estava nebuloso e continuamos subindo. Sem esse 'suporte' lá fora, qualquer sinalização negativa derrubaria o Ibovespa, e é o que vemos no início desta semana", explica.

A tensão no exterior ganha um suporte adicional: a possibilidade dos EUA travarem um confronto armado na Síria, após o governo do país ser acusado de supostamente usar armas químicas contra a população. "A possibilidade de uma guerra sempre traz apreensão não só nas bolsas, mas em investimentos em geral, ainda mais sendo na região do Oriente Médio, com sua produção de petróleo e suas brigas internas. Historicamente, também é interessante analisar como o período pré-guerra mostra maior desespero dos investidores do que após a deflagração do conflito, como visto na Guerra do Iraque, em 2002", comenta o estrategista.

Ainda segundo Moreira, as tensões políticas na Europa, a espera por eleições na Alemanha e a indefinição sobre o início da retirada gradual do Quantitative Easing 3 - programa de estímulo monetário norte-americano que envolve até US$ 85 bilhões em compra de títulos por mês - formam o cenário de incertezas no qual a questão síria entra agora. "A incerteza derruba os índices acionários, com a indecisão gerando mais venda de ativos do que a consumação do fato, que pode acontecer nos próximos dias", disse Moreira.

Petrobras e Grupo EBX entre as quedas
Em meio ao cenário exterior nebuloso, as ações da Petrobras (PETR3, R$ 16,62, -3,03%; PETR4, R$ 17,62, -3,13%) sofrem com a crise na Síria. "A Petrobras compra petróleo para revender no Brasil, e a alta no preço do barril reflete diretamente na empresa. Com um conflito armado, os preços de combustíveis sobem, e ainda mais se esse conflito ocorrer no Oriente Médio", explica Moreira. Além disso, o Bank of America Merryl Lynch revisou os preços-alvo da companhia.

O Grupo EBX, de Eike Batista, também ganha destaque neste pregão, com a desistência de 9 poços arrematados no leilão da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis) por parte da OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,71, -12,35%), que pagará multa de R$ 3,4 milhões. Na esteira da petrolífera, MMX Mineração (MMXM3, R$ 2,06, -4,63%) e LLX Logística (LLXL3, R$ 1,63, -5,23%) também caem.

As preocupações com taxas de juros e inflação, que tomam maior forma na véspera da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) - analistas esperam aumento de 0,5% na Selic, que chegará a 9% caso a expectativa se confirme -, atingem o setor imobiliário, com PDG (PDGR3, R$ 2,25, -5,46%), Gafisa (GFSA3, R$ 2,82, -3,09%), Cyrela (CYRE3, R$ 15,47, -3,61%), MRV (MRVE3, R$ 7,78, -5,70%), Brookfield (BISA3, R$ 1,71, -5,00%) e Rossi (RSID3, R$ 2,75, -2,14%) na ponta negativa.

Discursos e indicadores
Nos EUA, os preços de moradias em junho subiram 12,1%, ante expectativa de 12,0%. Já a confiança do consumidor subiu para 81,5 em agosto, ante expectativa de 77,0. Ainda por lá, ganha destaque o discurso do presidente do Fed de São Francisco, John Williams, e a participação do Secretário do Tesouro norte-americano, Jack Lew, em um programa da rede CNBC. Os comentários de Lew ganham a atenção dos investidores após o secretário dizer que o Tesouro atingirá seu limite de empréstimos em meados de outubro e que poderá ficar sem recursos para saldar suas dívidas a partir de então.

Na Europa, os principais índices acionários operam no vermelho, não sendo motivados nem mesmo pelo aumento maior do que o esperado na confiança do empresário alemão, que subiu para sua máxima em 16 meses, com 107,5 em agosto, ante projeções de 107,1. Na Grã-Bretanha, dados também mostraram maior confiança e maior crescimento da atividade do setor de serviços desde 2007.

Por aqui, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) subiu 0,23% na 3ª quadrissemana de agosto, ante alta de 0,17% no período anterior, segundo dados da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Esta terça-feira marca também o início da reunião de dois dias do Copom (Comitê de Política Monetária), que pode trazer novidades quanto à taxa de juros Selic ao seu término. 

 

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