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Ibovespa sobe e busca 5ª alta seguida, com siderúrgicas, Gol e "mundo X"

Índice toca nos 50.500 pontos em meio a boas referências de EUA, Japão e Europa; nova queda de Petrobras impede alta mais forte do Ibovespa

Bovespa - mesa - corretores - mercado financeiro
(Divulgação/BM&FBovespa)

SÃO PAULO - Estendendo o otimismo da sessão anterior - quando fechou acima dos 50.000 pontos pela primeira vez desde 10 de junho - o Ibovespa opera em alta na manhã desta terça-feira (13) e busca o 5º dia seguido no positivo. Por aqui, a temporada de resultados corporativos está próxima de seu final e conta, entre diversos balanços, com o lucro recorde do Banco do Brasil (BBAS3). Lá fora, indicadores de Alemanha e Estados Unidos e rumores de novos estímulos no Japão ajudam a animar o mercado. Às 10h33 (horário de Brasília) o benchmark da bolsa brasileira operava em alta de 0,74%, a 50.669 pontos. Nestes 5 pregões, a alta acumulada pelo índice já chega a 6,8%.

O Banco do Brasil (BBAS3, R$ 23,45, +2,18%) desbancou o Itaú Unibanco (ITUB4) ao registrar o maior lucro da história do setor, com R$ 10,03 bilhões no primeiro semestre deste ano. Em relação ao segundo trimestre, a instituição alcançou R$ 7,47 bilhões de lucro líquido, 147% acima do obtido no mesmo período do ano anterior, reflexo da venda das ações do BB Seguridade (BBSE3) no IPO (Initial Public Offering).

Já a Gol (GOLL4teve prejuízo de R$ 433 milhões no segundo trimestre, com uma redução de 39,5% sobre igual período do ano passado, e revisou algumas de suas projeções para 2013. O Ebitdar (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e aluguel de aeronaves) totalizou R$ 235,1 milhões entre abril e junho, revertendo o valor negativo em R$ 62,4 milhões um ano antes. O prejuízo já era esperado pelo mercado, e a redução nas despesas da companhia impulsionam as ações da empresa, que sobem 3,96%, a R$ 7,87, após chegarem a subir mais de 8% nos minutos iniciais.

Ainda entre as empresas que fazem parte do Ibovespa, também foram divulgaram balanços a BR Malls (BRML3, R$ 19,67, +0,87%) CCR (CCRO3, R$ 17,37, +0,40%) e Suzano (SUZB5, R$ 7,97, +0,89%), com as três operando em alta na Bovespa.

Por outro lado, as ações da Dasa (DASA3, R$ 11,72, -3,14%) respondem negativamente ao resultado trimestral, no qual a companhia registrou alta de 51,9% em seu lucro líquido, com R$ 35,2 milhões.

Siderúrgicas e mundo X em alta; Petro em queda
Também ajudando a sustentar o índice no terreno positivo, o setor siderúrgico estende os ganhos da véspera com Usiminas (USIM3, R$ 9,88, +3,35%; USIM5, R$ 9,86, +2,71%) e CSN (CSNA3, R$ 7,56, +4,28%). O mesmo movimento é visto pelas empresas do grupo EBX, de Eike Batista, LLX Logística (LLXL3, R$ 1,16, +5,45%) e MMX Mineração (MMXM3, R$ 2,02, +3,06%). Na véspera, as empresas subiram em meio aos rumores de que V
ale (VALE3; VALE5), Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM3; USIM5) estariam preparando um consórcio para comprar o Porto de Açu. A notícia é positiva também para a MMX Mineração, que está tentando vender o porto Sudeste.

No outro lado, as ações da Petrobras (PETR3, PETR4) voltam a cair forte e, assim como ontem, impedem que o Ibovespa tenha um desempenho melhor - a petrolífera responde por cerca de 10% da composição da carteira do índice. Após a divulgação de seu resultado timestral, a companhia viu suas ações irem do céu ao inferno. Agora, a empresa terá que explicar a contabilização de hedge feita em seu balanço para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários). Os papéis preferenciais recuam 2,00%, a R$ 16,20, enquanto os ordinários caem 0,95%, para R$ 15,69.

Estímulos na Ásia e confiança na Europa
No Japão, além da notícia de um jornal local dizendo que Shinzo Abe convocou um estudo sobre a possibilidade de diminuir as taxas corporativas para atrair investidores estrangeiros e amenizar o impacto do aumento no imposto sobre vendas, o enfraquecimento do iene perante o dólar estimulou o índice Nikkei.

Na China, o dia também contou com estímulos: as ações do setor imobiliário foram ajudadas pela cidade de Wenzhou, que foi a primeira a amenizar as restrições para compras de imóveis e o setor bancário foi beneficiado por uma nova injeção de fundos de curto prazo pelo Banco Central chinês, afim de manter as taxas estáveis ao suprir a liquidez do mercado.

Na Europa, a confiança do investidor alemão atingiu seu maior patamar em cinco meses em agosto, com 42,0, ante expectativa de alta para 40,3, após registrar 36,3 no período anterior. O aumento na confiança na maior economia da zona do euro aumenta o apetite por risco dos investidores, alimentado também pelo indicador de confiança para a zona do euro como um todo, que subiu de 32,8 para 44,0 no mesmo período - analistas esperavam 37,4. Ainda na Alemanha, o índice de preços ao consumidor confirmou-se em 0,5% em julho.

Por outro lado, a produção industrial da zona do euro subiu 0,7% em junho, menos do que o esperado (+1,1%), mas acima do recuo de 0,2% visto no mês anterior. Já no Reino Unido, os preços ao consumidor subiram 2,8% em julho, em linha com as expectativas e levemente abaixo do visto no mês anterior, de 2,9%.

Indicadores e discurso do Fed nos EUA
Na agenda norte-americana, as vendas no varejo cresceram 0,2% em julho, resultado em linha com o esperado, porém mais fraco do que a alta de 0,6% vista no mês anterior - vale destacar que em junho ele ficou aquém das expectativas. Já os preços de exportação no mesmo mês ficaram estáveis, após recuo de 0,2% em junho, enquanto os de importação diminuíram 0,4%.

Ainda por lá, será divulgado às 11h os estoques das empresas em junho. Por fim, às 13h45, haverá o discurso do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Dennis P. Lockhart. Os discursos de membros do Fed têm ganhado cada vez mais notoriedade, com expectativa sobre quando a autoridade monetária norte-americana iniciará a retirada gradual do Quantitative Easing 3, seu programa mensal de compra de até US$ 85 bilhões em títulos. Além disso, Lockhart já sinalizou na semana passada que defende a saída do QE3 ainda em setembro.

 

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