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Após chegar a 49.549 pontos, Ibovespa vira e opera em queda

Menor criação de empregos no país em julho trouxe temor aos investidores no começo do pregão; Brookfield e Usiminas estão entre as maiores altas e Sabesp cai mais de 5%

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(Divulgação/BM&FBovespa)

SÃO PAULO - O Ibovespa zerou os ganhos e opera em queda nesta sexta-feira (2). Às 13h02, o benchmark da bolsa brasileira registrava queda de 0,33%, a 48.979 pontos, após chegar a subir 0,83% na máxima do dia (49.549 pontos) e cair 0,58%, a 48.857 pontos.

Para Filipe Borges, analista da Solidez Corretora, os dados externos influenciam na abertura da bolsa brasileira, mas seu desempenho durante a sessão têm mostrado caminho próprio, refletindo a situação das ações e das empresas. "Indicadores econômicos e movimentos extremos no exterior refletem por aqui, mas o desempenho em si dos índices, principalmente dos norte-americanos, movem os investidores no Brasil somente na abertura do pregão", comenta Borges.

O analista cita ainda a forte queda que o Ibovespa apresenta neste ano, diferente do S&P 500, por exemplo, que sobe 20% neste ano, enquanto o índice brasileiro cai 19% no período. "Com a diferença no desempenho, acentuada por questões locais de cada país, o rumo que cada índice segue durante o intraday e até no curto prazo não é o mesmo. O Ibovespa está mais 'independente' de Wall Street, trilhando seu próprio caminho", explica.

Brookfield e Usiminas estão entre as altas; Sabesp cai 5%
O setor imobiliário continua na ponta positiva, com Brookfield (BISA3, R$ 1,71, +3,64%) e PDG (PDGR3, R$ 1,90, +0,53%), na semana, as ações acumulam queda de 4,47% e 4,52%, apesar da alta hoje. As siderúrgicas Usiminas (USIM3, R$ 8,94, +2,05%; USIM5, R$ 8,96, +2,63%) e CSN (CSNA3, R$ 6,68, +0,91%) também caem no acumulado semanal. Juntas, as 5 ações respondem por 7% da composição do índice.

A blue chip Vale (VALE3, R$ 31,48, +0,48%; VALE5, R$ 28,81, +0,91%) também ajuda a segurar o índice, uma vez que possui mais de 10% de participação. As ações da mineradora chegaram a subir 1,63% e 1,54% na máxima do intraday.

Por outro lado, a maior queda fica com a Sabesp (SBSP3, R$ 22,03, -5,94%), após a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) manter a suspensão da revisão tarifária da companhia. Vale lembrar que a companhia foi uma das maiores altas do Ibovespa em 2012 por conta especificamente deste reajuste, mas desde então elas têm sofrido em 2013 - até o momento, elas já caíram 20,6%.

Entre as maiores quedas, OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,65, -2,99%), JBS (JBSS3, R$ 6,84, -2,15%), Natura (NATU3, R$ 42,87, -2,03%) e BMFBovespa (BVMF3, R$ 12,24, -1,92%) recuam.

Relatório de emprego pesa nos EUA
O relatório de emprego norte-americano mostrou que foram criados menos empregos do que o esperado em junho - 162 mil criações, ante expectativa de 175 mil -, apesar de taxa de desemprego atingir menor nível em 4 anos, caindo para 7,4%, ante projeções de 7,5%. Ainda por lá, o Personal Income, que avalia a renda individual do norte-americano, recuou para 0,3% em junho, ante expectativa de aumento para 0,5%, após registrar 0,4% no mês anterior, segundo dados revisados. Já os gastos do consumidor, mensurados pelo Personal Spending, subiram de 0,2% para 0,5% na comparação mensal, ante expectativa de 0,4%. Já o Factory Orders, que compila o número de pedidos feitos à indústria, subiu 1,5% em junho, menos do que o esperado, de 2,2%, e da alta de 3% registrada no mês anterior.

Os indicadores norte-americanos têm sido acompanhados com atenção pelos mercados, que aguardam o anúncio de quando o Federal Reserve iniciará a retirada gradual de seu programa de compra de títulos, caso a economia apresente consistente melhora no país. Por falar em Fed, James Bullard, membro votante do Fomc (Federal Open Market Comittee) discursará hoje em Boston.

IPC-Fipe e resultado da Fleury
Por aqui, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) calculado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) mostrou deflação de 0,13% em julho, amenizando a alta de 0,32% vista nos preços no mês anterior.

Além disso, a Fleury (FLRY3) divulgou seu  resultado do segundo trimestre registrando crescimento de dois dígitos na receita, mas com lucro líquido passando de R$ 32 milhões no segundo trimestre de 2012 para R$ 22 milhões em igual período deste ano - uma queda de 31,5%. Vale destacar que a alta na receita líquida superou à da receita bruta, que foi de R$ 485 milhões - crescimento de 14%. As ações da companhia recuam 2,05%, para R$ 19,10.

Resultados e preços ao produtor na Europa
Na Europa, os principais índices oscilam próximos da estabilidade, com investidores aguardando os dados norte-americanos e analisando a temporada de resultados local, que contou com divulgações de importantes companhias, como Allianz, MAN Group, IAG e Royal Bank of Scotland. As ações das empresas, no entanto, reagem de forma diferente aos lucros reportados. Enquanto as três primeiras superaram as estimativas e apresentam alta em suas ações, os resultados do banco não vieram tão bons quanto o esperado e os ativos caem. O RBS também anunciou a nomeação de Ross McEwan como chefe executivo.

Na agenda econômica, os preços ao produtor na zona do euro ficaram estáveis em junho contra maio como esperado, destacando as expectativas do BCE (Banco Central Europeu) de inflação baixa. A expectativa é de que o bloco de 17 países que usam o euro saia da sua mais longa recessão na história e retorne a um crescimento bastante modesto no segundo semestre do ano, mas será preciso mais tempo para que o crescimento se fortaleça.

PMIs na China
Na China, o índice Shanghai encerrou a sessão no zero a zero, com investidores analisando os dados do PMI industrial divulgados na véspera e aguardando os dados do setor de serviços, que serão apresentados nesta noite. No país, destaque para o banco central, que alertou contra o "otimismo cego" sobre a perspectiva da inflação do país nesta sexta-feira, dizendo que continuará a estabilizar os preços aos consumidores enquanto estabiliza o crescimento na segunda maior economia do mundo.

Já o índice japonês Nikkei fechou o pregão em alta de 3,29%, a 14.466 pontos, impulsionado pelo noticiário da véspera e pela temporada de resultados. A manutenção das taxas de juros e do programas de estímulo na Europa trouxe alívio para o mercado asiático, assim como o Initial Claims nos EUA. As ações da Mitsubishi, Sony, Sharp e Suzuki Motors subiram amparadas por resultados positivos no balanço das empresas.

 

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