Em mercados / acoes-e-indices

JPMorgan rebaixa recomendação e sugere reduzir exposição em ações no Brasil

Mudança significa uma menor exposição no mercado acionário do País; equipe do banco também reduziu projeções para PIB para 2%

bandeira do Brasil com crianças - Dia do Soldado
(Antonio Cruz/ABr)

SÃO PAULO - Em meio à forte queda de 25% do Ibovespa no ano, o JP Morgan rebaixou as perspectivas para o mercado acionário do Brasil de neutro para underweight (exposição abaixo da média do mercado), tirando a Petrobras (PETR3;PETR4) do portfólio. Assim, de acordo com a metodologia do banco, isso significa que ele recomenda uma menor exposição no mercado acionário do País, diminuindo assim a sua participação em energia e em bancos.

Com isso, o banco recomenda a exposição em outros países, como México, Colômbia e Peru, enquanto tem recomendação underweight também para o Chile. 

Conforme destaca a equipe de análise do banco, chefiada por Pedro Martins Jr., a atividade econômica do Brasil aponta para desaceleração em meio às incertezas globais e domésticas. Além disso, o risco de crédito aumenta, enquanto os investidores ainda estão desconfiados com relação às sinalizações de que o governo adote medidas mais prudentes pelo lado fiscal, tendo em vista as eleições presidenciais de 2014.

Blue chips e small caps são afetadas
Martins Jr. e sua equipe destacam que as blue chips continuam bastante pressionadas, destacando dois setores bastante afetados: o de bancos e o de energia. Neste cenário, a Petrobras é particularmente afetada pelos preços de petróleo e pela valorização do dólar frente ao real. 

Além disso, o risco China segue afetando o mercado, em meio aos maiores temores do mercado de uma crise no sistema financeiro chinês - o que não é o cenário do banco. "O cenário base do banco é de que a China esteja seguindo o passo de desaceleração do Japão, comum intervalo de 23 anos", apontam.

Já as instituições financeiras veem seus riscos crescerem, dado o maior custo de financiamento e o aumento do risco de crédito; soma-se a isso o fato de que as agências de rating cada vez mais propensas a cortar o crédito soberano. 

Com base nesses fatores, o JPMorgan reduziu a previsão de crescimento para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2,5% para 2% em 2013, devido ao maior nervosismo do mercado e dos dados econômicos fracos, além da economia ser afetada pelos protestos. 

De acordo com a equipe de análise, os protestos devem diminuir as expectativas dos investimentos, devido à incerteza geradae os riscos de que as respostas à inquietação atual contribuam para a deterioração fiscal. Com isso, tanto as pesquisas de confiança do consumidor e do empresário despencaram. 

Além disso, os analistas veem três consequências da diminuição do "dinheiro fácil" nos países emergentes. Primeiro, crescimento mais lento, com moedas mais desvalorizadas e taxas de juros mais elevadas. Em segundo lugar, crédito mais fraco e de menor qualidade e, terceiro, um maio prêmio de liquidez dada a volatilidade mais alta. 

O estrategista do banco, Adrian Mowat, também rebaixou a recomendação do Brasil para underweight nos fundos de GEM - mercados emergentes globais. 

 

Contato