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Ibovespa cai mais de 3%, abaixo dos 44.500 pontos; Petro e Vale caem mais de 5%

Com dados positivos de emprego nos EUA, investidores aumentam apostas de retirada de estímulos no país; IPCA desacelera mais que o esperado

Bovespa - mesa - corretores - mercado financeiro
(Divulgação/BM&FBovespa)

SÃO PAULO - A boa alta do Ibovespa no pregão anterior já ficou para trás e nesta sexta-feira (5) o principal índice de ações da bolsa brasileira retomou com força sua tendência de queda. Com o bom resultado do Relatório de Emprego dos EUA trazendo de volta as especulações de que o Federal Reserve pode retirar os estímulos econômicos, o benchmark da bolsa brasileira registra queda de 3,31% às 14h40 (horário de Brasília), indo aos 44.248 pontos.

Com essa queda mantida, o Ibovespa não só irá renovar seu menor fechamento desde abril de 2009 - período em que ele oscilou entre 41.976 e 47.289 pontos - como também terá sua pior semana desde maio do ano passado, com queda de 7,04%. Até o momento, o maior tombo do índice em 2013 foi na última semana de maio, quando caiu 5,14%. No acumulado do ano, a desvalorização já chega em 27,62%.

Colaborando para a derrocada do Ibovespa nesta sessão, blue chips que possuem forte participação no índice apresentam fortes quedas no último pregão da semana. É o caso das siderúrgicas Usiminas (USIM3, R$ 6,78, -11,26%USIM5, R$ 6,52, -11,05%) e Gerdau (GGBR4, R$ 12,78, -5,26%), da petrolífera Petrobras (PETR3, R$ 13,51, -7,28%; PETR4, R$ 14,96, -6,27%) e da mineradora Vale (VALE3, R$ 27,95, -5,16%; VALE5, R$ 25,62, -5,01%). Juntas, estas 7 ações respondem por mais de 25% do Ibovespa.

O setor financeiro, também responsável por uma boa fatia do Ibovespa, é outro que começa a despontar entre as quedas nesta sexta-feira. Destaque para as ações do Bradesco (BBDC3, R$ 28,48, -4,43%; BBDC4, R$ 25,69, -5,06%) e do Itaú Unibanco (ITUB4, R$ 26,02, -4,69%). "As ações de bancos costumam acompanhar o desempenho do Ibovespa tendo em vista a proximidade do risco-País com o risco do setor financeiro", explica Flavio Condi, analista da Gradual Investimentos.

No lado positivo, apenas 2 ações sobem mais de 2%. Uma delas é a OGX Petróleo (OGXP3), que após cair 8,51% na sua mínima do dia, apresenta alta de 4,26% neste momento, cotada a R$ 0,49 por ação. Em meio ao agitado noticiário envolvendo as empresas de Eike Batista nesta semana, a petrolífera virou notícia mais uma vez nesta sexta, após a Folha de S. Paulo publicar que os executivos da empresa já sabiam há seis meses do fracasso nos campos, que só foi divulgado ao mercado nesta semana.

Ainda entre as altas, aparece a Gafisa (GFSA3, R$ 2,72, +2,64%), que ganha forças após o BTG Pactual elevar a recomendação dos papéis da construtora de neutra para compra.

"Bom" Relatório de Emprego derruba bolsa
Principal evento da agenda econômica de hoje, o R
elatório de Emprego dos EUA surpreendeu ao mostrar que a criação de postos de trabalho no país cresceu de 175 mil para 195 mil postos entre maio e junho - a expectativa dos analistas era de que a criação de novos postos caísse para 166 mil. Já a taxa de desemprego permaneceu nos 7,6% relatados em maio.

E é exatamente esse "bom resultado" do mercado de trabalho norte-americano que ajuda a derrubar a bolsa brasileira hoje. Os dados de emprego são um dos principais "drivers" para o Federal Reserve avaliar quando deve retirar o programa de compra de US$ 85 bilhões mensais de títulos públicos - a autoridade monetária pretende manter este estímulo até a taxa de desemprego voltar aos 7%.

Dessa forma, a interpretação do mercado é a de que, com os EUA mostrando recuperação, o Fed pode começar a "fechar a torneira" dos estímulos e pensar em uma alta dos juros, explica Flavio Condi, analista da Gradual Investimentos. Atualmente, o juro básico dos EUA encontra-se em uma banda entre 0% e 0,25% ao ano.

Essa interpretação fica mais clara olhando para o desempenho dos "Treasuries" (títulos públicos norte-americanos) de 10 anos. No momento da divulgação do relatório, às 8h30 no horário local - 9h30, no horário de Brasília -, o "yield" (rendimento) destes títulos disparou quase 8%, para 2,70%, mantendo-se nesta região durante o dia. "Quando o rendimento dos Treasuries de 10 anos sobem forte deste jeito, não tem como a bolsa subir", afirma Condi.

IPCA supera a meta a uma semana do Copom
Nem mesmo o bom resultado da inflação brasileira em junho ajudou a manter o otimismo na Bovespa de ontem para hoje. Embora o 
IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) tenha fechado o acumulado em 12 meses em 6,70% - acima do teto da meta do governo, de 6,5% -, a variação de preços entre maio e junho desacelerou de 0,37% para  0,26%, enquanto a expectativa era de que a alta fosse de 0,34%.

Mesmo com essa desaceleração, os analistas seguem apostando em alta na taxa básica de juros brasileira na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que terá seu desfecho na quarta-feira que vem (10). Boa parte dos economistas aposta em elevação de 0,5 ponto percentual, o que levaria a Selic para 8,50% ao ano.

Ainda na agenda de indicadores brasileiros, o IGP-DI (Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna) mostrou alta de 0,76% em junho, bem acima dos 0,32% vistos em maio, informou a FGV (Fundação Getulio Vargas). Pesquisa da Reuters mostrou que o indicador teria alta de 0,68% em junho, segundo a mediana de 25 projeções, que variaram de 0,58% a 0,83%.

 

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