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Após quase zerar ganhos Ibovespa volta a subir na casa de 1%

Índice "ignora" dados externos; economia americana cresce 1,8% no 1º tri, ante projeção de 2,4%

Bovespa - mesa - corretores - mercado financeiro
(Divulgação/BM&FBovespa)

SÃO PAULO - Os temores dos investidores sobre a possível antecipação da retirada dos estímulos monetários nos EUA têm movido os mercados nas últimas sessões. Enquanto indicadores econômicos positivos normalmente animariam os investidores, a incerteza sobre o que pode acontecer com o fim do Quantitative Easing 3 fazem indicadores ruins não pesarem sobre o apetite por risco dos investidores.

Para corroborar com o cenário, o Ibovespa opera no positivo, voltando a ganhar forças após quase zerar os ganhos. Após subir 1,77%, a 47.725 na máxima do dia, o índice avançava 1,03%, a 47.376 pontos, na cotação das 14h32 (horário de Brasilia).

Segundo o analista sênior do BB Investimentos, Hamilton Moreira Alves, um dos motivos das altas vistas nos mercados nesta quarta-feira é o PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano ter registrado crescimento de 1,8% no primeiro trimestre, ante expectativa de 2,4%. "A economia crescendo menos do que o esperado leva os investidores a acreditarem que, no curto prazo, os estímulos continuarão sendo feitos", comenta. Nos EUA, o principal índice acionário, o Dow Jones, opera em alta de 0,92%.

No âmbito nacional, Moreira analisa que esta sessão, assim como a anterior, mostram um repique. "Após fortes quedas, chegando a renovar a mínima em 4 anos, o Ibovespa vê a alta nos mercados internacionais como uma 'oportunidade de respirar', com investidores recompondo carteiras e montando posições." Apesar da alta, o analista destaca que o Ibovespa continua com desempenho negativo no ano, de 22,36% e que o mercado continua em tendência de baixa.

Grupo EBX em destaque
A maior alta do Ibovespa neste momento é da LLX Logística (LLXL3, R$ 1,26, +26,00%), do megaempresário Eike Batista, que sobe após divulgar que contratou assessores financeiros para avaliar oportunidades de negócios e operações societárias envolvendo seus ativos. Na mesma linha, OGX Petróleo (OGXP3) sobe 10,84%, cotada a R$ 0,92. Por outro lado, a MMX Mineração (MMXM3) cai 0,61%, a R$ 1,64, mas acumula valorização de 29,13% nesta semana, após fechar o último pregão em alta de 17,86%.

As empresas do Grupo EBX voltam ao noticiário com a informação de que Eike Batista pode continuar vendendo ativos das companhias mesmo após a reestruturação da dívida, que deve ocorrer até meados de julho, segundo a Agência Estado.

Ainda na ponta positiva, destaque para B2W (BTOW3, R$ 6,81, +6,07%), além das empresas do setor imobiliário MRV (MRVE3, R$ 6,90, +2,68%), Brookfield (BISA3, R$ 1,49, +4,93%) e PDG Realty (PDGR3, R$ 2,23, +2,29%).

Por outro lado, o índice perde forças com ações virando para o terrendo negativo, como Gafisa (GFSA3, R$ 2,85, -2,40%) e Vale (VALE3, R$ 28,61, -2,69%; VALE5, R$ 26,85, -2,36%) que possui cerca de 10% de participação no índice. 

Neste momento, 15 ações das 71 que compõem o índice caem mais de 1%, com destaque para Suzano (SUZB5, R$ 7,81, -4,76%), Oi (OIBR3, R$ 4,18, -3,02%) e Eletropaulo (ELPL4, R$ 6,62, -3,36%)

Agenda doméstica
No Brasil, a FGV (Fundação Getulio Vargas) divulgou o ICI (Índice de Confiança da Indústria) de junho. O indicador recuou 1,1% em junho em relação ao registrado no final do mês anterior, ao passar de 105,0 pontos para 103,8 pontos - menor nível desde julho de 2012.

Mas as atenções devem ficar com o fluxo cambial semanal, que nas últimas semanas tem apresentado forte saída de dólares do País. Com o cenário mudando um pouco como indica a cotação do dólar comercial nos últimos dias, é possível que o resultado mostre uma reversão e registre entrada de divisas.

Referências asiáticas e europeias
No início da semana, o mercado chinês preocupou os investidores, que temem por um colapso no setor bancário, cujas taxas subiram fortemente. Na véspera, o Banco Central chinês garantiu que, se necessário, oferecerá fundos para os bancos. Com isso, os índices asiáticos apresentam sinais mistos. Nesta sessão, o Nikkei do Japão fechou em queda de 1,04%, a 12.834 pontos e o índice de Xangai caiu 0,43%, ainda com investidores cautelosos sobre o setor bancário, que corre riscos no país. Já o índice de Hang Seng subiu 2,43%.

No Velho Continente, os mercados estendem os ganhos da sessão anterior, animados com notícias internas. Na Espanha, o índice IBEX 35 subiu 3,03%, impulsionado pelas ações de bancos, após o Citigroup elevar a recomendação para o setor para neutra. Já na Alemanha, dados sobre confiança do consumidor mostram maior otimismo em quase seis anos, com o índice Gfk registrando 6,8 pontos em julho, ante estimativa de 6,6. Com isso, o índice DAX fechou o pregão em Frankfurt com alta de 1,67%.

Na Inglaterra, o ministro das Finanças, George Osborne, deve anunciar corte de gastos de US$ 17,7 bilhões, mas tentará moderar o corte com promessas de capital a longo prazo para projetos de infraestrutura. Na França, nem o recuo de 0,2% da economia no primeiro trimestre desanimou os investidores e o índice CAC 40 subiu 2,06%.

 

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