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Ibovespa chega a cair 4% e encosta nos 46.000 pontos; 70 ações operam em queda

Após bater menor fechamento desde abril de 2009 na véspera, índice estende perdas após dados desanimadores da China e da zona do euro

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(Divulgação/BM&FBovespa)

SÃO PAULO - Após renovar na véspera seu menor fechamento desde abril de 2009, pressionado pela sinalização de que o Federal Reserve deve dar início à retirada de estímulos econômicos nos EUA ainda neste ano, o Ibovespa acentua ainda mais as perdas nesta quinta-feira (20) e chegou a cair mais de 4%, com os investidores demonstrando bastante aversão ao risco após indicadores decepcionantes na China e nos EUA.

Segundo cotação das 10h47 (horário de Brasília), o benchmark da bolsa brasileira recuava 3,37%, a 46.279 pontos. Minutos antes, o índice chegou a bater nos 45.929 pontos, indicando queda de 4,10% em relação ao fechamento anterior. Com isso, o desempenho acumulado do Ibovespa em 2013 já chega nos 24% negativos.

Entre as 71 ações que compõem o Ibovespa, apenas a OGX Petróleo (OGXP3, R$ 0,80, +2,56%) registra alta. Dentre os papéis que estão em queda, destaque para LLX Logística (LLXL3, R$ 0,92, -10,68%), MMX Mineração (MMXM3, R$ 1,13, -9,60%), Rossi Residencial (RSID3, R$ 2,73, -9,30%),  Marfrig (MRFG3, R$ 5,94, -7,91%) e Eletrobras PNB (ELET6, R$ 8,40, -7,08%).

As mineradoras mundiais sofreram fortes perdas nesta sessão após a divulgação do indicador chinês, e a Vale (VALE3, VALE5) não é exceção, uma vez que a China é o principal destino de suas exportações. Neste momento, as ações da mineradora brasileira recuam mais de 2%, ajudando a pressionar o desempenho do Ibovespa, já que a empresa possui a maior participação na composição do índice.

PMI chinês decepciona
Na China, o PMI do setor manufatureiro contraiu mais do que esperado em junho, registrando 48,3, ante expectativa de 49,4 e 49,2 vistos em maio - valores abaixo de 50 indicam expansão e abaixo, contração. A queda em relação ao mês anterior não era esperada pelo mercado e levou o indicador ao menor patamar desde setembro de 2012, o que afetou profundamente as ações asiáticas, que chegaram a ter quedas de quase 3%.

Segundo Daniel Cunha, da equipe econômica da XP Investimentos, a pesquisa continua apontando deterioração espalhada no ritmo de atividade em junho, com queda em todos os sub-indicadores. "Isso sinaliza o fechamento de mais um trimestre de decepção com o crescimento econômico chinês", comenta Cunha.

Na Europa, o PMI composto da zona do euro veio melhor do que o esperado, subindo de 47,7 para 48,9 de maio para junho. Por outro lado, o PMI da Alemanha mostrou um avanço levemente abaixo do previsto, indo de 50,9, ante 50,2 - vale lembrar que resultados acima de 50 indicam crescimento e abaixo de 50 mostram retração.

Após Bernanke, indicadores nos EUA
Ao fim de sua reunião na tarde de quarta-feira, o Federal Reserve anunciou que manterá seu programa de compra de títulos, o Quantitative Easing 3. Mas o discurso de Ben Bernanke, presidente do Fed, após a reunião indicou que o BC pode inciar a retirada do QE3 no final deste ano, caso a economia norte-americana continue mostrando sinais de melhora. O fato fez com que as bolsas brasileira e norte-americana despencassem, tendo em vista os temores dos investidores com a capacidade da maior economia do mundo caminhar sem o estímulo monetário do Federal Reserve.

Nesta quinta-feira, a agenda trouxe o Initial Claims, que veio pior do que o esperado. O indicador, mensurado pelo Departamento de Trabalho, registrou 354 mil pedidos de auxílio-desemprego, 14 mil solicitações a mais do que o esperado e acima, também, dos 336 mil registrados na semana anterior.

Ainda nesta sessão, serão divulgados o Existing Home Sales de maio, que registra a venda de imóveis usados, o Philadelphia Fed Index de junho, indicador da atividade industrial da região e o Leading Indicators referente à maio, que compila uma série de indicadores já divulgados.

 

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