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Corretora estrangeira eleva recomendação da Vale; veja projeção para 16 empresas

Credit Suisse inicia recomendação de compra para ativos da Alupar; Ágora revisa Abril Educação, BTG reitera compra de BR Properties e BES reduz recomendação para AES Tietê

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(Agência Vale)

SÃO PAULO - No último dia da semana, grandes bancos e corretoras revisaram recomendações para companhias de diversos setores. Em destaque, a casa de research Sanford C. Bernstein elevou a recomendação das ações da Vale (VALE3;VALE5).

A recomendação passou de underform (desempenho abaixo da média do mercado) para outperform (desempenho acima da média do mercado). O preço-alvo por ação para daqui há 12 meses é de R$ 46,50, enquanto é de US$ 23,32 para os ADRs (American Depositary Receipts) da mineradora, representando um potencial de valorização de mais de 50% para os papéis PNA da Vale. 

Cabe ressaltar que as ações da companhia registram queda de cerca de 25% no ano, em meio às perspectivas mais negativas com relação à economia chinesa, maior importadora de commodities da companhia. Entretanto, muitos analistas acreditam que as cotações dos papéis da mineradora devem voltar a subir, uma vez que eles precificariam um preço do minério de ferro abaixo dos US$ 100 a megatonelada. 

Ágora revisa estimativas para Abril Educação 
A Ágora Corretora revisou as estimativas para as ações da Abril Educação (ABRE11), avaliando que a empresa combina duas unidades de negócio altamente rentáveis e que possuem boas perspectivas de crescimento: sistema de ensino e curso de línguas estrangeiras. 

Além disso, embora as outras duas unidades - de editora e escolas - não tenham grande potencial de crescimento, elas possuem relativa estabilidade e proporcionam boa geração de fluxo de caixa, aponta o analista Aloisio Lemos. 

O analista, ao incorporar no modelo de precificação da aquisição do curso de línguas Wise Up, seguindo com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 54,00. "Enxergamos a Abril Educação em uma posição favorável no plano de governo para melhorar a educação básica no Brasil, já que deve se beneficiar de qualquer recurso adicional para compra de conteúdo. Também temos uma visão otimista em relação ao aumento dos investimentos por estudante pelo governo, como já está sendo mostrado", aponta Lemos.

UM Investimentos recomenda compra de Fleury
Depois de reunião com os executivos da Fleury (FLRY3), os analistas da UM Investimentos elevaram a recomendação dos papéis de neutra para compra, com preço-alvo de R$ 24,70 por ativo.

Os analistas Ignacio Fravega e Thomas Chang destacam três pontos. Eles esperam que os resultados do segundo trimestre da companhia representem um ponto de inflexão, com um crescimento de 10% das vendas nas mesmas lojas, contínua melhora das receitas da unidade e uma maior diluição de custos fixos.

Além disso, eles esperam um forte ganho de momento no segundo semestre de 2013, com aumento de 38% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações)  em meio a maior integração regional e desaceleração do crescimento dos custos de pessoal.

Por fim, Fravega e Chang esperam uma reclassificação do setor de saúde, d iante de um cenário macroeconômico mais desafiador e a ausência de melhoras nos setores cíclicos. Com isso, eles acreditam que os investidores vão aumentar sua exposição a setores defensivos, como o setor de saúde, devido à baixa elasticidade renda-demanda e as atrativas perspectivas de crescimento estruturais de médio prazo.

"Em particular, dentro deste contexto esperamos que ocorra uma expansão dos múltiplos aos quais são negociados uma empresa líder e de alta qualidade como Fleury", apontam os analistas. 

BES reduz recomendação para AES Tietê
Os analistas do BES, Oswaldo Telles Filho e Frederico Lebre reduziram a recomendação dos ativos ordinários da AES Tietê (GETI3;GETI4) de compra para neutro, enquanto mantiveram a recomendação neutra para os papéis ordinários. 

Por outro lado, eles elevaram o preço-alvo dos ativos GETI4 de R$ 21,00 para R$ 24,70 e dos papéis GETI3 de R$ 21,00 para R$ 22,50. Eles ressaltam que a companhia continua apresentando um caso de investimento bastante sólido mas, com o desempenho bastante forte dos papéis GETI3 em maio - de alta de 11,4% frente à queda de 4,5% do Ibovespa - os papéis já parecem precificar o cenário da companhia.

Assim, os papéis da companhia têm potencial de valorização entre 7% e 8% até o final do ano, apontam, apesar dos analistas seguirem com uma visão bastante positiva acerca de seus negócios. 

Credit inicia cobertura de Alupar
A Alupar (ALUP11), companhia de energia privada, focada em transmissão e geração, teve a cobertura de suas units iniciada pelo Credit Suisse. O analista Vinicius Canheu possui recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para os ativos da companhia, com preço-alvo de R$ 22,00, destacando o seu fluxo de caixa bastante forte e crescimento sustentável nos próximos anos. 

De acordo com Canheu, o perfil bastante estável de seus segmentos de negócios combinado a concessões de longo prazo com uma visão de baixo risco. Além disso, a companhia vem apresentando resultados acima da média.

A empresa adota uma política de dividendos bastante alta, com dividendo mínimo de R$ 1,68 por unit entre 2013 e 2015. A companhia ainda apresenta um crescimento sustentável, com o número de unidades de gerações contratadas e de projetos de transmissão ganhando os recentes leilões, com um CAGR (taxa composta de crescimento anual) de 15%. Por fim, a empresa possui perspectivas de crescimento com seus novos projetos. 

BTG Pactual reitera compra de BR Properties
O BTG Pactual reiterou a recomendação de compra para a BR Properties (BRPR3), apesar de reduzir o preço-alvo de R$ 30,00 para os ativos pra R$ 27,00.

Segundo os analistas Marcelo Millman e Gustavo Cambauva, as ações da companhia estão em um bom ponto de compra, uma vez que o atual patamar de preços sugere a precificação de um cenário excessivamente pessimista. Assim, avaliam, mesmo em um cenário conservador, ainda há expectativa de ganhos para o papel. 

Votorantim: cenário econômico ainda preocupa 
Os analistas da Votorantim Corretora realizaram um encontro com os executivos da Lojas Marisa (AMAR3), avaliando que a companhia está adotando medidas internas para reduzir o impacto de um ambiente econômico em desaceleração, depreciação e concorrência cambial mais elevada. 

Porém, avaliam os analistas Luiz Cesta e Paulo Prado, o cenário adiante é bastante desafiador e, por esta razão, mantêm a classificação de marketperform (desempenho em linha com a média do mercado), com preço-alvo de R$ 32,50 para cada papel, apesar das ações terem caído cerca de 14% em 2013. 

Assim, para outras companhias de vestuário sob cobertura seria a de continuar em posição de compra naquelas com maior exposição aos serviços financeiros, que devem sofrer menos, em virtude da reserva de resultados dos empréstimos de períodos anteriores e de uma inadimplência decrescente. Além disso, é recomendada a exposição em companhias companhias com foco em uma faixa de renda mais elevada, de maneira a permitir que a empresa se defenda contra o ambiente inflacionário que reduz o poder de consumo.

Dentre as companhias com recomendação outperform segundo o Votorantim, estão a Lojas Renner (LREN3), Guararapes (GUAR3) e Le Lis Blanc (LLIS3), enquanto a Hering (HGTX3), assim como a Marisa, segue com recomendação marketperform. 

Encontro com a Marcopolo
A Marcopolo (POMO4) promoveu uma reunião com investidores em Caxias do Sul, de modo a apresentar as perspectivas da companhia para o ano. 

O analista da Citi Corretora, Luis Vallarino, considera como boa a estratégia da Marcopolo de levar vantagem dos incentivos e dos gastos do governo, dos grandes eventos esportivos - Copa e Olimpíadas -, além do fato de que a frota brasileira é composta em grande parte por veículos relativamente velhos. Ao mesmo tempo, a companhia continua aumentando sua exposição a mercados internacionais (Índia, México, EUA e Canadá).

"Ninguém questiona a Marcopolo como uma história de sucesso ligada ao desenvolvimento do Brasil e da globalização. Mas o consenso continua sendo de que nos atuais níveis de valuation, a maior parte das expectativas positivas já estão incorporadas aos preços das ações. Reiteramos, portanto, nosso rating neutro", aponta o analista, que possui preço-alvo de R$ 13,00 para os ativos.

Fator: MP dos portos está precificada
Após a sanção da Medida Provisória 579, os analistas da Fator Corretora destacaram que os principais impactos dela já foram precificados nos papéis, em especial o desconto dos players que atuam nas concessões de terminais públicos - em especial a Santos Brasil (STBP11).

Para a Santos Brasil, a questão chave recai sobre as condições para renovação da segunda parte da concessão do Tecon Santos (o que deve ter maior visibilidade no 2S13), que está considerada em nosso modelo, avaliam os analistas Gabriel de Gaetano, Gustavo Perez e Raphael Assumpção.

"A competição deve se acirrar a partir do ano que vem com a entrada efetiva em operação de BTP e Embraport. Enxergamos oportunidades em possíveis relicitações. Seguimos com recomendação de compra e preço-alvo de R$ 38,00 para as units de Santos Brasil". 

Já a Log-in (LOGN3) continua com recomendação de manutenção, uma vez que os analistas não enxergam a empresa como participante agressivo nas rodadas de relicitação por conta do foco em cabotagem. O preço-alvo para os ativos é de R$ 9,00.

A recomendação para a Triunfo (TPIS3) também é de manutenção, com target de R$ 14,80. Para os analistas, a MP dos portos tem pouco ou nenhum impacto nas operações da Triunfo, uma vez que o terminal de contêineres de Navegantes (Portonave) é um terminal privado.

"A facilitação no desenvolvimento de novos terminais privados pode ser uma oportunidade para a companhia, contudo ressaltamos que, além das atuais limitações de alavancagem, a companhia já anunciou que o foco em 2013 seria a participação em licitações de concessões rodoviárias", afirmam.

Por fim, a recomendação para a Wilson Sons (WSON11) é de compra, com preço-alvo de R$ 39,80, com os analistas avaliando que os efeitos de aumentos na concorrência já estão precificados no preço das ações. 

"Ressaltamos que companhia está bem posicionada para novos investimentos em portos, tanto através de concessões como pelo desenvolvimento de portos privados. Nesse quesito acreditamos que a companhia leve vantagem em relação a seus concorrentes em virtude de seu conhecimento sobre potenciais áreas a serem arrendadas, reflexo de seus negócios de agenciamento marítimo e bons contatos em toda a cadeia", afirmam.

 

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