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Vale cai 2%, OGX avança 6,8% e Rossi dispara 10%; veja destaques

Após resultados, JBS sobe 6,3%, BB recua 2,3% e small caps caem mais de 10%; ação PN da Oi sobe pelo 7º pregão e HRT acumula queda de 27% desde a saída de CEO

carregamento de minério de ferro - Vale
(Getty Images)

SÃO PAULO - Assim como nos últimos dias, a temporada de resultados chamou atenção novamente nesta quarta-feira (15), mas não foram apenas as ações dessas companhias que influenciaram para a alta de 0,49% do Ibovespa, que fechou aos 54.936 pontos - 2º pregão seguido no azul. O desempenho negativo de papéis com forte participação no índice - como a Vale (VALE3; VALE5) e as siderúrgicas CSN (CSNA3), Usiminas (USIM3, USIM5) e Gerdau (GGBR4) ajudou a arrefecer a trajetória positiva do benchmark, que chegou a subir 1% no intraday.

As ações da mineradora registraram o quarto dia de queda, sua maior sequência negativa desde fevereiro. Nesta sessão, os papéis ON recuaram 2,10%, a R$ 32,10, enquanto os PN apresentaram desvalorização de 2,03%, a R$ 30,44. Nesse breve período, VALE3 e VALE5 já caíram mais de 7%.

Já as três siderúrgicas recuaram entre 2,6% e 3,5% nesta sessão. Bradespar (BRAP4, R$ 23,40, -2,70%) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4, R$ 17,15, -2,00%), holdings que detêm participação no capital da Vale e da Gerdau, respectivamente, também fecharam no vermelho. Juntas, estas 8 ações respondem por 18,02% da composição do Ibovespa, segundo a carteira referente ao pregão de hoje disponibilizada no site da BM&FBovespa.

OGX completa 3 dias de alta
Por outro lado, o desempenho positivo das ações da OGX Petróleo (
OGXP3, +6,82%, a R$ 1,88), que ficaram entre as maiores altas do dia, ajudou o benchmark a terminar o dia em alta, tendo em vista que ela possui a 3ª maior participação na carteira teórica do Ibovespa. Os papéis ainda refletem a forte atuação da empresa na 11ª rodada de leilão da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), realizada ontem. Na ocasião, a empresa fez lances para 13 blocos em cinco das onze bacias ofertadas, desembolsando R$ 376 milhões.

Sozinha, a companhia de Eike Batista conseguiu concessão em dez blocos como operadora, além de fazer parcerias em outros três. Com a norte-americana ExxonMobil, dividiu meio a meio blocos nas bacias Potiguar e Ceará. Também na bacia do Ceará, adquiriu um bloco com a francesa Total e a brasileira Queiroz Galvão. 

Rossi chega a subir 12,5% após resultados...
A ação da Rossi Residencial (RSID3) após abrir em queda, recuperou-se durante a tarde e registrou a maior alta do Ibovespa, com ganhos de 10,34%, a R$ 3,52. Na máxima do dia, os papéis atingiram alta de 12,54%, cotados a R$ 3,59.

A imobiliária passou de um lucro de R$ 62,5 milhões no primeiro trimestre para prejuízo de R$ 9,97 milhões neste período. Já a receita líquida proveniente da venda de imóveis e serviços totalizou R$ 721 milhões no trimestre, uma redução de 14% em função do menor volume de produção, que é sazonalmente mais baixo no período em função do menor volume de vendas.

Veja também: Temporada de resultados trimestrais termina hoje; e se minha empresa não divulgou?

Para o analista Wesley Bernabé, da BB Investimentos, "a Rossi apresentou mais um trimestre de resultados fracos". Ele explica que do ponto de vista das operações, o grande volume de receitas proveniente de safras de lançamentos anteriores a 2010 carregou margens muito baixas, de 16%, enquanto o alto endividamento continuou a pressionar.

A teleconferência após os resultados, porém, animou os investidores. A companhia informou que espera retomar os lançamentos de empreendimentos imobiliários neste trimestre, após ter encerrado os três primeiros meses vendendo estoques diante de seu foco em rentabilidade.

... e JBS vem logo atrás
Como a segunda maior alta do Ibovespa no dia, apareceram as ações da JBS (JBSS3), que registraram ganhos de 6,31%, a R$ 6,57, depois de atingirem valorização máxima no dia de 6,63%, a R$ 6,59. O movimento ocorre após a empresa registrar um lucro líquido ajustado 96,3% maior na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A Planner Corretora ressalta que o lucro da companhia foi acima do esperado, assim como a receita e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), que tiveram alta de mais de 20% na comparação com o mesmo período do ano anterior. 

O forte crescimento do lucro, avalia a equipe de análise, refletiu também em menores despesas financeiras líquidas. Por outro lado, a margem Ebitda (Ebitda/receita líquida) registrou queda de 0,9 ponto percentual menor frente ao quarto trimestre de 2012, o que pode levar a alguns ruídos. Por fim, a Planner ainda destaca o incremento do endividamento e a manutenção do indicador de alavancagem em 3,4 vezes.

Banco do Brasil cai 2,30% com resultado
A ação do Banco do Brasil (BBAS3) caiu 2,30%, a R$ 24,68 após a instituição financeira reportar um lucro líquido ajustado de R$ 2,7 bilhões, com o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) ajustado em 17,4%. Já a carteira de crédito ampliada cresceu 25.7% e a inadimplência acima de 90 dias ficou em apenas 2%. 

De acordo com o analista da Omar Camargo, Felipe Rocha, um dos pontos negativos do resultado foi o baixo crescimento da margem financeira bruta, com alta de 1,7% em comparação ao guidance de 7% a 10%.

Itaú compra Credicard; ação sobe 2%
Ainda dentro do setor financeiro, outro grande grupo ganhou destaque - mas não pelo resultado trimestral. O Itaú Unibanco (ITUB4) anunciou na noite anterior a compra da Credicard por R$ 2,767 bilhões. Nesta quarta, suas ações subiram 1,68%, a R$ 35,10.

 Em relatório, o Banco Espírito Santo avaliou que o preço pago pela instituição foi justo e que a movimentação "fez sentido". Segundo os analistas, a aquisição complementará o portfólio de cartões do banco, além de ser uma garantia da manutenção do Itaú na posição de liderança desse mercado.

Atualmente, o banco detém 30% do market share (devendo aumentar para 40% com a aquisição), contra 20% do Bradesco (BBDC4), seu principal concorrente. As ações PN do Bradesco, aliás, subiram 0,75% nesta quarta, fechando a R$ 33,40.

HRT acumula queda de 27,6% em três dias
Desde a renúncia supresa de Marcio Mello do posto de CEO (Chief Executive Officer) da HRT Participações em Petróleo (HRTP3) na noite de sexta-feira, as ações da companhia seguem em derrocada na Bovespa. Nesta quarta-feira, elas completaram o 3º dia seguido de desvalorização ao caírem 8,01%, fechando a R$ 3,33. Nestes três dias, a petrolífera já perdeu 27,61% de valor de mercado.

Idealizador e criador da HRT, Marcio Mello apresentou sua renúncia ao cargo de CEO, mas segue como membro do conselho de administração. A companhia anunciou Milton Franke como novo comandante já na manhã de segunda-feira. Naquele dia, os papéis HRTP3 despencaram 17,39%. Já na terça, elas voltaram a cair, só que de forma mais amena (-4,74%).

Veja mais:

HRT: antes de CEO renunciar, ação subiu 10% com volume histórico; faz sentido?

HRT anuncia novo CEO no lugar do Marcio Mello; ação despenca 14,5%

Small caps: CSU, BR Pharma e Profarma caem 10%
Fora do índice, o resultado trimestral decepcionante da CSU Cardsystem (CARD3) fez as ações registrarem forte baixa, de 16,72%, a R$ 2,74, levando os papéis para o seu menor patamar desde março de 2009.

A companhia registrou um prejuízo de R$ 3,46 milhões no primeiro trimestre de 2013, revertendo o lucro de R$ 7,75 milhões na comparação com o mesmo período do ano passado. Já a receita líquida totalizou R$ 81,72 milhões, queda de 19,3% na comparação com os R$ 101,29 milhões observados no mesmo período de 2012. O Ebitda teve baixa de 82,6%, a R$ 3,72 milhões, enquanto a margem Ebitda caiu 16,6 pontos percentuais, para 4,6%.

Com fortes baixas, estão também duas ações de empresas do setor farmacêutico. A Profarma (PFRM3) fechou o dia com queda de 11,89% em suas ações, a R$ 18,68, após a companhia registrar uma queda de 27,2% no lucro líquido, para R$ 6,9 milhões, com menor crescimento das vendas. Entretanto, para o restante do ano, aponta a companhia, "a expectativa é positiva, com sinais de forte recuperação nas vendas já em abril”.

Já a Brasil Pharma (BPHA3) também vê suas ações caírem, 5,80%, a R$ 12,01, após a companhia registrar um lucro líquido ajustado de R$ 2,58 milhões no primeiro trimestre, apontando queda de 74,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado ficou abaixo do esperado pelo Itaú BBA, que esperava um lucro de R$ 12 milhões.

Segundo a empresa, a menor margem bruta no período impactou o resultado, assim como o maior patamar de despesas com vendas. O resultado da financeiro da companhia ficou negativo em R$ 18,9 milhões, ampliando as perdas de R$ 14,7 milhões do primeiro trimestre de 2012. 

Restoque: alta da ação mesmo após resultado "ruim"
Por outro lado, a Restoque (LLIS3) surpreendeu ao ver sua ação registrar alta de 4,24%, a R$ 9,35, após a companhia apresentar um prejuízo líquido de R$ 9,5 milhões, ante lucro de R$ 13,7 milhões no mesmo período do ano anterior. A receita líquida surpreendeu positivamente, com alta de 40,6% na comparação com os primeiros três meses de 2012.

Entretanto, aponta a Planner, apesar do crescimento das vendas no período, vale ressaltar que este se explica pelo maior número de lojas e pelas liquidações mais intensas no trimestre (evidenciadas pela queda no ticket médio), que ainda implicaram em forte redução das margens bruta e Ebitda. A margem bruta caiu 6,9 pontos percentuais e o Ebitda teve baixa de 7,7%, para R$ 21,1 milhões.

Ações PN da Oi tem 7º dia de alta
Outra companhia que teve uma sessão positiva foi a Oi (OIBR3; OIBR4). Os papéis preferenciais da empresa de telecomunicação atingiram sua 7ª alta consecutiva, com valorização de 3,40% nesta quarta, fechando a R$ 4,87. Nesses 7 dias, a alta acumulada chega a 8,46%Mesmo com esse rali, os ativos registram queda de 1,62% em maio e de 36% em 2013.

O desempenho negativo das ações ao longo do ano tem sido reflexo da falta de confiança do mercado em relação aos ambiciosos planos da companhia tanto na parte de controle do endividamento quanto no lado dos investimentos e distribuição de dividendos.

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