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Petrobras despenca e B2W lidera ganhos do Ibovespa; veja mais destaques

Papéis da JBS e Sabesp inverteram o sinal durante o pregão; imobiliárias sofrem forte oscilação após balanço trimestral

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(Getty Images)

SÃO PAULO - Em mais um dia de queda na bolsa brasileira, o Ibovespa fechou em queda de 2,10%, aos 56.279 pontos. Puxando essa queda estiveram as ações da Fibria (FIBR3), que recuaram 5,82% e terminaram o dia aos R$ 19,24, enquanto o papel da B2W Varejo (BTOW3) liderou os ganhos com alta de 4,95%, atingindo R$ 10,82. 

A companhia de varejo online viu um aumento de 18% no prejuízo líquido, para R$ 47,9 milhões. Mas o analista da Leme Investimentos, João Pedro Brugger, afirma que o balanço da companhia vem demostrando gradativamente uma melhora em seus resultados. "O resultado aberto não foi tão ruim comparado aos publicados anteriormente e estamos falando de um setor desafiador, no qual a concorrência vem se mostrando bastante acirrada", afirma o analista.

Os papéis da varejista online têm conseguido apresentar um ótimo desempenho na Bovespa nos últimos meses. De junho pra cá, os ativos BTOW3 já se valorizaram mais de 115%. Contudo, é importante mencionar que no longo prazo essas ações se mostraram um péssimo investimento para quem acreditou nelas, já que de 2010 pra cá eles ainda acumulam perdas de quase 75%.

Ações da Lojas Americanas ficam quase estáveis
Enquanto a B2W apareceu entre as maiores altas do dia, os ativos da Lojas Americanas (LAME4) mostraram um desempenho menos empolgante. As ações LAME4 reportaram modestos ganhos de 0,51%, sendo cotados a R$ 17,79. Durante o intraday, eles chegaram a subir 2,15% e cair 1,81%.

A varejista reportou que seu lucro líquido expandiu 60% no comparativo anual, passando de R$ 49,2 milhões para R$ 78,7 milhões, ficando acima das projeções dos analistas compiladas pelo portal InfoMoney, que sugeriam ganhos de R$ 55,6 milhões.

Para Brugger, apesar de o resultado ter vindo acima das expectativas, veio abaixo da média dse outras companhias do mesmo setor. "Se comparado a outros varejistas, o resultado não foi visto como muito animador",  destaca o analista da Leme. 

Petrobras despenca com política de subsídios 
Enquanto isso, a Petrobras (PETR3PETR4) viu suas ações ordinárias cairem 3,36%, para R$ 20,40, enquanto seu ativo mais líquido - e com maior participação no índice Bovespa, PETR4, cair 3,27% para R$ 19,80.

Os papéis da estatal estão sendo fortemente penalizadas pela possibilidade do País voltar a importar petróleo no ano que vem, disse Filipe Portella, sócio-diretor da Monte Bravo Investimentos. Em matéria publicada pela Veja, o Brasil vai precisar voltar importar a commodity em 2013, dando adeus a autossuficiência celebrada em 2006.

"Se Dilma Rousseff mantiver a política de subsídio pela Petrobras vai debilitar ainda mais o resultado da empresa, que já provocou nesse ano um prejuízo de R$ 12,8 bilhões. A importação aumenta o custo do combustível e, consequentemente, retrai ainda mais os ganhos da estatal", avalia.

Outro fator que também contribuiu para a forte desvalorização das blue chips é o feriado prolongado. "Amanhã a agenda dos Estados Unidos e Europa estará repleta de indicadores e com o mercado doméstico fechado, por conta do Dia da Proclamação da República, os investidores preferem ficar de fora e liquidar suas posições, já que na sessão seguinte o Ibovespa pode ser afetado pelos números externos", reforça Portella. 

Inversão no lucro impulsiona JBS, mas ação termina no vermelho 
A melhora do JBS (JBSS3) no terceiro trimestre deste ano sobre o mesmo período do ano anterior é clara. Sendo assim, o mercado reconheceu os bons números e as ações da empresa chegaram a ter alta de 3,37% antes de virar para o negativo e fechar em queda de 3,06% aos R$ 6,33.

Na passagem do terceiro trimestre do ano passado para este a empresa reverteu o prejuízo de R$ 67,5 milhões em lucro de R$ 367,0 milhões. Outras linhas do balanço, como receita líquida e Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações), também mostraram evolução. A primeira avançou 24,4%, enquanto a segunda saltou 75,2%.

"O JBS reportou números muito bons neste terceiro trimestre, vindo inclusive acima do esperado pelo mercado e mostrando evolução importante em segmentos como a Pilgrim e o segmento de bovinos nos EUA", destaca a equipe da XP Investimentos, em relatório.

Sabesp inverte sinal
Bastante penalizadas nos últimos meses pela expectativa da definição do valor da revisão de tarifas, as ações da Sabesp (SBSP3) abriram o pregão como a maior queda no Ibovespachegando a recuar 4,78% no início do pregão, mas ganharam força e terminaram o dia aos R$ 84,50, alta de 1,08%.

As ações da companhia estão pressionadas pelo o processo de revisão tarifária. O processo será finalizado até 9 de agosto de 2013, para entrar em vigor na próxima data-base, em setembro, mas, na véspera, a Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) divulgou uma nota técnica preliminar em que revelou que o valor da tarifa média máxima inicial (P0) corresponde a R$ 2,9295479/m³, de acordo com matéria publicada pelo Valor Econômico. 

O P0 é o valor máximo que a empresa poderá utilizar como tarifa média e a partir do qual ocorrerão os reajustes anuais. O novo nível tarifário indica um aumento de 1,94% em relação à tarifa média atual (R$ 2,8737863) da companhia de saneamento paulista.

Segundo a publicação, o valor apresentado leva em consideração uma base de remuneração regulatória líquida inicial (base de ativos) da Sabesp de R$ 30,467 bilhões - número em linha com a expectativa do mercado -, além de investimentos (capex), despesas operacionais (opex) e depreciações para cada ano do segundo ciclo tarifário. O WACC (sigla em inglês para Custo Médio Ponderado de Capital) determinado é de 8,06%.

Apesar de as ações terem reagido negativamente no início da sessão, analistas vêm o valor apresentado como melhor do que o esperado. "O valor revelado pela Arsesp foi visto como acima das expectativas pelos analistas. Em um primeiro momento, isso não justifica a queda dos papéis", afirma o analista da Futura Investimentos, Luis Gustavo Pereira. 

Sem pressão vendedora, ações da T4F voltam a subir
O fundo GIF II Fundo de Investimento em Participações - administrado pela Gávea Investimentos - vendeu sua fatia de participação na Time For Fun (SHOW3), que era de 6,27% do capital da empresa ou 4.373.627 ações, segundo informou a companhia de entretenimento. Sem pressão vendedora, os papéis da companhia subiram 5,84% nessa sessão, terminando aos R$ 9,79. 

"Essa transação já era esperada pela Companhia visto que o horizonte de investimento do fundo em questão se aproximava do fim", diz a companhia. É válido ressaltar que os papéis cairam 19,57% em um rali de cinco pregões - o que já fazia o mercado especular que um fundo estava desfazendo posição dos papéis. 

Nesse período, provavelmente foi o Gávea que estava movimentando a ação. E a decisão de liquidar a posição pressionou os papéis da companhia. O volume ficou em uma crescente: foram diversos dias de movimentação acima da média - incluindo a movimentação de R$ 51,18 milhões na véspera - bastante acima da média dos últimos 21 pregões.

Resultados impactam imobiliárias
As ações da Tecnisa (TCSA3) apresentam forte queda depois da publicação dos fracos resultados do terceiro trimestre. Os papéis da construtora despencaram 15,54%, terminando aos R$ 6,85 - sua mínima do dia.

A empresa fechou o terceiro trimestre do ano com prejuízo de R$ 56,45 milhões, contra ganhos de R$ 48,71 milhões no mesmo trimestre do ano passado, mostrou balanço divulgado após o fechamento do pregão de terça-feira.

Além da Tecnisa, a Rossi Residencial (RSID3) também esteve no radar dos investidores, por conta dos números do terceiro trimestre. As ações da incorporadora recuaram 3,13% e terminaram cotadas a R$ 4,02, refletindo o fraco desempenho no período. Em seu pior momento do dia, elas chegaram a cair 4,58%, quando bateram a cotação de R$ 3,96.

"Com as mudanças recentes da contabilidade, esperava-se, pelo menos, que os resultados estivessem em linha com as expectativas do mercado", afirma a equipe da XP Investimentos, que reitera recomendação de não exposição em RSID3 no curto prazo. O lucro da Rossi registrou queda anual de 41,9% no período, para R$ 18,77 milhões. A empresa também reduziu a meta de lançamentos para o ano.

Esses números contrastam com a alta de 3,32% das ações da Lopes Brasil (LPSB3), que terminaram o dia aos R$ 38,00. A companhia lucrou R$ 111,5 milhões de julho a setembro, queda de 44% no confronto anual. Apesar da queda na última linha do balanço, a companhia manteve seu volume de lançamentos e apresentou crescimento de 5% nas suas vendas intermediadas no mesmo período.

Restoque sobe pós-balanço
Em um dia de forte movimentação no setor corporativo por conta da divulgação de balanços trimestrais, as ações do grupo Restoque (LLIS3), que detém a marca Le Lis Blanc, chamam a atenção pela forte alta após mostrar reversão do prejuízo no terceiro trimestre deste ano, para um lucro líquido de R$ 3,52 milhões.

As ações LLIS3 registraram alta de 4,82%, cotadas a R$ 8,63. Contudo, os papéis atingiram em sua máxima intradiária ganhos de 7,23%, chegando a ser negociadas a R$ 8,90. Para o analista da Corval Corretora, Guilherme Canaan, os números da companhia vieram expressivos e mostram um cenário de expansão para os negócios. Além disso, segundo ele, as ações estão sendo negociadas com um valor de mercado muito baixo, o que possibilita mais altas para as ações.

"A companhia tem promessa de melhoras expressivas e está trabalhando com um cenário de redução de custos bastante interessante para este setor", completa Canaan.

Small Caps operam voláteis pós-resultados
Em pregão com mais de 20 resultados trimestrais anunciados, as ações de dois micos se destacaram: enquanto as da Portobello (PTBL3) dispararam 6,47%, aos R$ 3,62, as da Forjas Taurus (FJTA4) tiveram forte queda de 7,49%, aos R$ 3,09. 

A Portobello viu seu lucro líquido crescer 73%, para R$ 21,7 milhões. O resultado operacional também mostrou melhora, com uma alta de 23% na receita líquida, aos R$ 207,1 milhões. O Ebitda disparou 41%, aos R$ 41,2 milhões. Recentemente, as ações da empresa já vinham em uma trajetória positiva. Isso porque na última semana surgiram rumores de que a Eucatex (EUCA4), da família de Paulo Maluf, estaria negociando a aquisição da companhia. A Portobello, no entanto, nega a informação.

Por outro lado, a Forjas Taurus anunciou um lucro líquido de R$ 9,5 milhões, valor 42,2% inferior ao reportado no ano passado, apesar de uma receita líquida 7,9% maior, aos R$ 151,1 milhões. O Ebitda mostrou melhora de 9%, para R$ 38,2 milhões.

 

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