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Cesp derruba setor, TIM sobe e Petrobras fecha na mínima; veja destaques

Papéis de HRT invertem sinal e fecham em queda; MPX e Banrisul caem forte após balanço trimestral

barragem de usina hidrelétrica - energia - infra
(Getty Images)

SÃO PAULO - Após iniciar o dia volátill, o Ibovespa se fixou no campo negativo e terminou a segunda-feira (12) com queda de 0,51%, aos 57.064 pontos. Por trás desse movimento, destaque negativo para as elétricas, encabeçadas pela Cesp (CESP6), com perdas de 6,52% para R$ 16,05. Na ponta positiva, as ações da TIM Participações (TIMP3) subiram 2,86% e terminaram valendo R$ 7,92. 

Analisando primeiramente as perdas do dia: a renúncia do diretor financeiro e de relações com investidores da Cesp, Vicente Okazaki, foi mal recebida pelo mercado. Analistas temem que este seja um sinal de que a empresa aceitará os termos das renovações antecipadas de suas concessões. Por conta dessa notícia, a equipe de análise do UBS cortou o preço-alvo para as ações CESP6 em 25%, indo de R$ 24 para R$ 18.

Além disso, a empresa divulgou seu resultado antes da abertura do pregão, reportando lucro líquido de R$ 149,6 milhões no terceiro trimestre, revertendo prejuízo de R$ 98,6 milhões, relatado um ano antes. O resultado foi classificado como positivo pela equipe de análise da XP Investimentos. Contudo, os analistas consideram que as incertezas causadas pela Medida provisória 579 colocam os números em segundo plano. 

Queda da Cesp leva outras elétricas junto
Com isso, outros papéis do setor também recuam forte. É o caso da Transmissão Paulista (TRPL4), que apresentou perdas de 5,44% e fechou aos R$ 29,70, da Light (LIGT3), com recuo de 4,98%, para R$ 21,00, e da Copel (CPLE6), que liderou as perdas do Ibovespa por grande parte do pregão mas terminou com queda de 5,21%, aos R$ 26,40. 

"As outras seguem esse resultado ruim e todo o sentimento ruim no setor que vem desde setembro", avalia João Pedro Brugger, analista da Leme Investimentos. As empresas se veem pressionadas pelas imensas incertezas no setor, que culminarão no dia 3 de dezembro - quando terão de dizer ou não se aceitam as novas regras sobre suas concessões. "A Cesp acaba afundando todas as outras", avalia. 

TIM sobe após provar inocência
As ações da TIM Participações se destacaram na ponta compradora após a empresa divulgar um comunicado relatando que não é culpada pelas quedas em ligações. Em agosto, a companhia foi acusada de derrubar ligações por um grande número de usuários.

Segundo informa o texto, a TIM contratou duas empresas (Ericsson e PricewaterhouseCoopers) para verificar se realmente houve tais erros. “Segundo as avaliações, a Ericsson pode seguramente afirmar que não existem evidências levantadas nas Centrais Telefônicas e Solução de Rede Inteligente Ericsson que indiquem formas propositais ou intencionais de promover desconexões na rede da TIM”, relata a empresa.

De acordo com um analista que pediu para não ser identificado, a notícia contribui para melhorar a imagem da empresa, que estava desgastada. "Isso ajuda a tirar um pouco o medo com a empresa, e melhorar a imagem dela em geral", disse.

Ele acredita que as ações da companhia deverão seguir trajetória de recuperação, pois o plano de meta aprovado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), na semana passada, ter sido melhor do que os investidores esperavam. "Os papéis devem se recuperar, pois 'apanharam' bastante, com o mercado trabalhando com o pior cenário para a empresa", acrescentou.

Petrobras fecha na mínima
Já os papéis da Petrobras (PETR3; PETR4) tiveram uma sessão difícil. Os papéis ordinários da companhia recuaram 1,73% para R$ 21,07, enquanto os preferenciais tiveram queda de 1,64%, aos R$ 20,44. 

Nessa sessão, a empresa comandada por Maria das Graças Foster foi excepcionalmente pressionado pela decisão do Bank of America Merrill Lynch de cortar a recomendação das ações da Petrobras (PETR3PETR4), de compra para manutenção, e reduziu o preço-alvo para os papéis preferenciais da companhia, passando de R$ 29,00 para R$ 22,50.

A revisão para baixo deve-se ao aumento da preocupação em torno do atraso no reajuste dos preços dos combustíveis, o que deve limitar os ganhos da empresa e minimizar a flexibilidade financeira e operacional ao longo dos próximos 12 meses, apontaram os analistas Frank McGann e Conrado Vegner, do BofA, em relatório.

Como resultado, os analistas acreditam que uma visão mais cautelosa é apropriada no momento. “Apesar de vermos riscos controlados, acreditamos que o upside (potencial de valorização das ações) será também limitado até que essa questão seja resolvida”.

Alta de Usiminas perde força
As ações da Usiminas (USIM3USIM5) buscaram novamente uma arrancada nesta segunda-feira, mas depois de subirem mais de 3,4%, perderam força. Os ativos USIM3 terminaram o pregão com ganhos de 1,58% aos R$ 11,59, enquanto os papéis preferenciais classe A - negociados com o ticker USIM5 -, que avançaram 1,31% aos R$ 10,80.

As ações da siderúrgica, contudo, já vêm de um forte avanço nos últimos pregões. Neste começo de novembro, as ações ordinárias registram alta de 9,13%, enquanto as preferenciais apresentam valorização de 10,09% - no mesmo período, o Ibovespa encontra-se praticamente no "zero a zero".

Segundo o analista Henri Evrard, da Infinity Asset, o mercado está acreditando numa melhora da empresa, embora os números do terceiro trimestre ainda não tenham mostrado uma recuperação operacional, com o Ebitda (Lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) tendo ficado aquém do esperado pelos analistas. 

Na ocasição, a empresa registrou Ebitda de R$ 150 milhões, queda de 56,27% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Entretanto, a companhia sinalizou otimismo para os próximos trimestres, durante teleconferência de resultados, quando reforçou foco na melhora operacional, redução do endividamento e manutenção de adequado nível de liquidez financeira. 

Depois de se destacar entre altas, HRT fecha em queda
Em dia de divulgação de resultado, as ações da HRT (HRTP3) tiveram forte alta de 6,39%, aos R$ 6,05, depois de abrir com gap de 3,03%, segundo os ganhos de 9,58% da última sexta-feira (9). Contudo, os papéis perderam força e a ação fechou em queda de 0,67%, aos R$ 5,91. 

O desempenho pode ser um reflexo da ata da última reunião do conselho de administração da companhia, divulgada na noite de sexta-feira, quando o management decidiu, por unanimidade, autorizar a HRT a continuar com as negociações de farm-out (processo de venda parcial ou total dos direitos de concessão detidos por uma petrolífera) na Namíbia, com relação à proposta recebida de uma nova companhia.

"A ata anterior do conselho de administração já trazia um comentário semelhante, o que sinaliza o interesse nos ativos da região e, possivelmente, um deal mais razoável à frente", diz Roberto Altenhofen, da casa de research Empiricus. Ele considera a notícia positiva para a empresa, embora seja evidente a necessidade de sua efetiva materialização. Já em relação ao resultado, a maior expectativa fica para a teleconferência, que será realizada na próxima terça-feira (13), e para a possibilidade da empresa apresentar redução adicional da queima de caixa. 

"A HRT estaria rodando a um nível de queima de caixa de R$ 1,4 milhão por dia, contra R$ 3,2 milhões por dia na fase mais aguda da companhia no Solimões; mas isso é algo que a empresa já vinha sinalizando para o mercado", comenta Altenhofen. Se vier dentro dessa linha, "é inegavelmente positivo, mas dentro do esperado", pondera. 

MPX Energia caiu
Após divulgar resultado do terceiro trimestre, as ações da MPX Energia (MPXE3) fecharam com queda de 4,60% aos R$ 11,00. Na mínima do dia (R$ 10,95), os papéis chegaram a recuar 5,03%. Também impressionou o giro financeiro dos papéis, que em dia de baixa liquidez na bolsa superaram a média diária dos últimos 21 pregões, com movimentação de R$ 34,65 milhões, o triplo da média diária.

No terceiro trimestre, a empresa apresentou receita 219,2% superior ao mesmo período do ano passado, devido ao início do contrato de suprimento de energia de Pecém I, no final de julho, porém o mercado não recebe bem os números da companhia, como já esperava a equipe de análise da XP Investimentos, que aponta uma sessão negativa para os papéis. 

Os analistas, contudo, ressaltam uma visão atrativa para as ações, uma vez que a MPX trata-se de um case diferenciado de geração de energia, com acesso a suprimentos de matéria-prima necessária para sua geração, assim como uma elevada capacidade de geração a ser desenvolvida. 

Banrisul: 6ª queda seguida após balanço do 3T12
Os papéis do Banrisul (BRSR6) retrocedem com força na sessão desta segunda-feira (12), após ser relatado recuo no lucro da empresa no terceiro trimestre. O banco informou contração de 13,2% em seu lucro líquido no trimestre, para R$ 207,5 milhões, em relação a igual período de um ano antes. As ações marcaram o sexto pregão seguido de queda, com queda de 5,35%, aos R$ 14,11. Assim, já acumulam desvalorização de 11,84% no mês e de 26,49% no ano.

Segundo demonstrativo financeiro do banco, a redução do resultado líquido decorreu da diminuição das receitas de intermediação, frente a queda da taxa básica de juros e dos preços das operações. A queda também pode ser atribuída à desaceleração do nível de negócios no ambiente econômico e ao aumento da inadimplência. 

"O efeito da redução de taxas e de spread, que no acumulado dos nove meses atingiu 6,77%, penalizou o balanço da instituição no período, levando essa pressão nas ações", avalia o analista Carlos Daltoso, da BB Investimentos.

Pela análise elaborada pelo HSBC, no entanto, era esperado resultado pior. A estimativa realizada pela instituição era de retração de 16,60% no lucro da empresa. Já na comparação com os três meses antecedentes, o lucro subiu 1,20%, ante expectativa de queda de 2,80%, pelo HSBC.

 

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