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Vale puxa alta, mas Eike faz contrapeso no Ibovespa; veja mais destaques

Usiminas volta a subir forte, mas analistas seguem céticos com a empresa; no setor elétrico, Cemig fecha com alta de 1,5% após subir mais de 6% no intraday

carregamento de carga - minério de ferro - Vale
(Getty Images)

SÃO PAULO - Em sessão instável, o Ibovespa foi palco de mais uma batalha entre compradores e vendedores, na qual o índice saiu da máxima de 1,36% durante a manhã e caiu para o campo negativo no final da tarde, mas conseguiu fechar em terreno positivo, com leve alta de 0,24% aos 59.743 pontos. 

Uma das responsáveis por ter conseguido sustentar a alta do índice foi a Vale (VALE3; VALE5), cujas as ações representam movimentam sozinhas um terço do volume negociado em toda a Bovespa. Os papéis ordinários da mineradora registraram valorização de 1,90% aos R$ 36,95, mas chegaram a atingir na máxima do dia alta de 4,49% aos R$ 39,08, enquanto as ações preferenciais subiram 2,40% aos R$ 38,11 e na máxima da sessão alcançaram patamar dos R$ 37,46 aos 3,45%. Esse desempenho levou para cima também os ativos da Bradespar (BRAP4), holding que possui uma fatia do controle da mineradora, que fecharam em alta de 0,93% aos R$ 29,32.

A mineradora anunciou nesta sessão que pela primeira vez em 10 anos não irá pagar dividendos extras aos acionistas. Contudo, segundo o analista Roberto Altenhofen, da Empiricus Research, essa alta das ações tem mais influência do possível acordo entre a mineradora e o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) sobre os royalties da mineração. "Isso por si só já é bastante favorável", acrescenta o analista, lembrando ainda que a eliminação do dividendo suplementar já era previsto devido à constante pressão nas margens da companhia e ao atual foco da mineradora na disciplina de capital.

Ainda entre as maiores altas, os papéis da BM&FBovespa (BVMF3) apresentaram valorização de 4,49% aos R$ 13,50 - maior avanço do Ibovespa -, seguidos pelas ações da Braskem (BRMK5, R$ 14,33) e Light (LIGT3, R$ 22,90), que subiram 3,54% e 3,25%, respectivamente.

Contrapeso: empresas X engordam lado vendedor
Quem chamou a atenção negativamente do mercado nessa sessão foram as empresas de Eike Batista. As companhias X voltaram para o holofote dos investidores, depois de uma queda de 4,50% das ações da MMX Mineração (MMXM3), fechando cotadas a R$ 4,46, seguidas pelos papéis da OGX Petróleo (OGXP3), com baixa de 4,20% aos R$ 5,47. Um pouco mais distante ficaram as ações da LLX (LLXL3), com desvalorização de 3,32% aos R$ 2,62. 

Contudo, o analista Victor Penna, do BB Investimentos, não vê motivos que justifiquem essa queda das ações. Porém, ele acrescenta que os papéis do grupo EBX possuem uma particularidade, já que o movimento de seus ativos nem sempre está relacionado somente com notícias específicas sobre as empresas, conhecido no mercado pelo jargão "risco X". 

Sandro Fernandes, operador da Corval Investimentos, segue a mesma linha e alerta que as ações do grupo costumam se movimentar em bloco. Isso se evidenciou quando a OGX Petróleo anunciou, em junho, que a produção no campo de Tubarão Azul seria muito abaixo do que estimado inicialmente. Na época, as ações da MMX foram uma das mais pressionadas, descolando-se de seu setor. Vale lembrar que no ano as ações da OGX acumulam perdas de quase 60%, enquanto MMX cai 32,83% no mesmo período. 

Siderúrgicas disparam, mas analistas ainda não indicam compra
Do lado positivo, as ações das siderúrgicas voltaram a ganhar força nesse pregão, com os papéis da Usiminas (USIM3; USIM5) liderando a valorização do setor - figurando na quarta maior alta do Ibovespa -, com avanço de 3,04% para os papéis ordinários, que fecharam aos R$ 11,85, enquanto os preferenciais avançaram 2,38% aos R$ 10,32. Segundo o chefe de análise da SLW Corretora, Pedro Galdi, os papéis estão corrigindo as forte na semana passada. Ele acrescenta que amanhã terá dados sobre a economia da China e também vencimento sobre dividendo, o que tem impulsionado o investidor a operar antes do início da forte volatilidade na bolsa. 

Ainda no setor, as ações da Metalúrgica Gerdau (GOAU4) subiram 2,53% aos R$ 24,69, enquanto os papéis da Gerdau (GGBR4) ficaram um pouco mais afastados, com alta de 2,06% aos R$ 19,30. Segundo o analista Eduardo Machado, da Amaril Franklin, não teria nenhum motivo direcionado à empresa, mas o início da temporada de resultados corporativos dos Estados Unidos deve ter ajudado a dar uma turbinada nos ativos nesse pregão, lembrando que 60% da receita da empresa vem do país. 

Depois da tormenta, elétricas retomam maiores altas
Já fora do Ibovespa, as ações da AES Tietê (GETI4) se destacaram nesse pregão, depois de subirem 7,16% aos R$ 22,60. Segundo Machado, o desempenho dos papéis está relacionado com o atual momento vivido pelo setor com o vencimento do prazo para as empresas manifestarem interesse na renovação das concessões de energia com vencimento previsto entre 2015 e 2015. "Como a companhia não tem contrato com vencimento antes de 2020, os papéis dispararam nessa sessão, já que ela não sofre risco pela mudança na remuneração", comenta.

Ainda entre as elétricas, as ações da Cemig (CMIG4) registraram forte alta no intraday, chegando a subir 6,19% no intraday, mas perderam um pouco de força e fecharam com ganhos de 1,49% aos R$ 25,90. Na véspera, a companhia mineira surpreendeu o mercado ao deixar de fora o pedido de renovação de concessões as hidrelétricas São Simão, de 1,7 mil megawatts (MW), Jaguara (424 MW) e Miranda (408 MW) e solicitou a renovação de outras concessões de geração e transmissão com resssalvas.

HRT cai à espera de maiores detalhes sobre acordo com Petro
Após uma forte alta de 19,28% na sessão anterior, em meio à divulgação de acordo de intenções com a Petrobras (PETR3;PETR4), as ações da HRT Participações (HRTP3) devolveram parte dos ganhos nesse pregão, quando chegaram a cair 10,34%, mas recuperaram parte das perdas e fecharam com desvalorização de 1,32% aos R$ 5,25

De acordo com o analista do BB Investimentos, Nataniel Cezimbra, o mercado ainda está esperando detalhes com relação ao acordo de monetização e, deste modo, ainda está reticente com relação aos ativos devido ao cenário de indefinição.

Cezimbra destaca que o protocolo de intenções assinado pela companhia prevê a elaboração de um plano de trabalho de até trinta dias, que definirá atividades e cronogramas referentes ao projeto. "Até lá, as ações HRTP3 ficarão em 'modo de espera'", avalia o analista.

Depois de alta de 100%, Telebras segue movimento corretivo
Após o anúncio da parceria com a TIM (TIMP3), as ações preferenciais da Telebras (TELB3; TELB4) saltaram mais de 100% na semana passada, mas desde o pregão anterior os papéis vêm entregando praticamente todos os ganhos da última quarta-feira (11), quando subiram 28,59%. Somente nesta terça, os ativos ordinários da empresa caíram 10,03% aos R$ 13,99, enquanto os preferenciais registraram desvalorização de 9,05% aos R$ 7,64.

"Levando em consideração a baixa liquidez que há nesses ativos, uma notícia ou até mesmo a saída ou entrada de um acionista, pode gerar grandes oscilações", argumenta Anderson Luz, da Intrader. "As ações da TELB4 já são conhecidas nas mesas de operações, sabemos que as grandes puxadas geralmente vêm acompanhadas de grandes correções, sendo ela rápida ou mais tardia", complementa o operador.

 

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