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Telebras sobe 100% em 2 dias e imobiliárias disparam; veja mais destaques

Tecnisa foi uma das poucas imobiliárias a cair; Cosan, Raia Drogasil, Gradiente, JBS e MMX também se destacaram nesse pregão

prédio em construção - construtoras - imóveis
(Getty Images)

SÃO PAULO - Dia bastante positivo na bolsa brasileira, que viu o Ibovespa subir 1,21%, terminando aos 59.161 pontos. Na véspera de feriado, as ações da Gafisa (GFSA3) lideraram os ganhos da sessão, com alta de 8,50% terminando aos R$ 4,47, enquanto a Gol (GOLL4) ficou na ponta negativa do índice, após desvalorização de 4,48%, terminando o dia aos R$10,44. 

Ações do setor de construção civil se destacaram um dia após o Copom (Comitê de Política Monetária) reduzir a Selic em 0,25% ponto percentual, para 7,25% ao ano. A alta das construtoras também foi impulsionada por balanços prévios divulgados. Entre os maiores avanços do setor, também se destacaram a Rossi Residencial (RSID3), com alta de 2,27% aos R$ 4,96, e Brookfield (BISA3) que viu seu papel subir 1,86%, aos R$ 3,83. Com a Selic mais baixa, as taxas de financiamento imobiliário acabam ficando mais baratas, aumentando a demanda por imóveis, embora essa relação não seja aceita com unanimidade pelos analistas (veja mais em Por que o noticiário da Selic mexe tanto com as ações do setor imobiliário?)

Para o analista Erick Scott, da SLW Corretora, as melhores oportunidades do setor estão na EzTec (EZTC3) e na Cyrela (CYRE3). Segundo ele, o otimismo com a primeira se deve ao forte resultado relatado na prévia. "A EzTec tem as melhores margens e tem mostrado bom crescimento", avaliou. A empresa fechou o terceiro trimestre com vendas contratadas de R$ 275,5 milhões, crescimento de 70,6% ante o mesmo período do ano passado. A maior parte das vendas entre julho e setembro foram de lançamento. Com isso, os papéis EZTC3 subiram 1,97%, terminando aos R$ 26,94.

Tecnisa desponta do setor
As ações da Tecnisa (TCSA3) caíram 4,19%, atingindo os R$ 8,92. A desvalorização contrasta com a forte alta de outras companhias do setor imobiliário. No caso da Tecnisa, o resultado acima do esperado no terceiro trimestre de 2012 não foi suficiente para alavancar as ações, que caem baseadas na estimativa anual que não deve ser alcançada e na previsão para os próximos trimestres.

Em relatório, o Credit Suisse afirma que a preocupação dos analistas é quanto à capacidade da companhia em alcançar sua projeção para o ano. "Apesar do resultado acima do esperado para o trimestre, a empresa alcançou somente 35,7% (R$ 499,6 milhões) de sua nova estimativa para 2012, que é de R$ 1,4 bilhões, o que diminiui nossa esperança de que a projeção será alcançada", diz o relatório chefiado pelo analista Guilherme Rocha.

Parceria com a TIM faz Telebras dobrar de tamanho
Desde o anúncio da parceria com a TIM (TIMP3), as ações preferenciais da Telebras (TELB3TELB4) saltam mais de 100%. Somente nesse pregão os papéis PN dispararam 28,59%, aos R$ 9,13, e registram a maior valorização da BM&FBovespa.  Ao mesmo tempo, movimento semelhante era visto nos ativos TELB3, que subiam 25,00% aos R$ 16,00. Além desse desempenho, também impressiona o volume negociado com as ações da companhia, que alcançou R$ 21,42 milhões para os ativos preferenciais. Com exceção da véspera, que a negociação também foi intensa, os papéis preferências registravam uma média de R$ 289 mil nos últimos 21 pregões, com 113 negócios. 

Segundo o analista Eduardo Machado, da Amaril Franklin, esse desempenho dos papéis é "exagerado", já que o mercado ainda não tem informação suficiente sobre o modelo da parceria e o resultado que isso terá na empresa. Em comunicado, a Telebras informou que fará um compartilhamento de infraestrutura com a TIM Participações para expandir o plano, que tem como meta expandir o acesso à banda larga para todo o Brasil até 2014.

Gol cai após Cade permitir compra da Webjet
Outra ação com situação complicada é a da Gol, que já havia caído 2,84% na última quarta. Na véspera, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou a compra da Webjet pela empresa, ondicionada ao cumprimento de um acordo para garantir um patamar de 85% de eficiência na operação dos slots do aeroporto de Santos Dumont, no Rio de Janeiro.

Os papéis da empresa aérea já estavam voláteis desde o dia 1º, quando a empresa anunciou que iria anunciar algo muito importante depois do pregão - fazendo com que os papéis subissem 10,63%, alta que já foi zerada depois das quedas subsequentes. "Todo mundo estava esperando empresa que a empresa fosse vendida, mas anunciou a compra de novos aviões", destaca Henri Evrard, analista da Infinity Asset.

MMX cai forte após JPMorgan rebaixar recomendação
Por sua vez as ações da MMX Mineração (MMXM3) tiveram queda de 3,21%, terminando o dia aos R$ 4,53 - após o JPMorgan rebaixar a sua recomendação para a ação, mas prever uma alta de mais de 100% para os papéis da mineradora de Eike Batista, para R$ 9,50. "Estou tentando descobrir o motivo para essa queda", afirma Henri Evrard, analista da Infinity Asset. Para ele, um potencial teórico de valorização de 100% seria bastante atrativo. 

De acordo com Evrard, o JP está questionando a possibilidade de execução do grande projeto da empresa, Serra Azul. "Não vejo muito motivo aparente, eles dizem que com o preço do minério atual eles não conseguem financiar esse projeto", destaca o analista. Os preços do minério se recuperaram fortemente na última semana, e já atingem o patamar de US$ 115 por tonelada. "Acima de US$ 110 já é sustentável", destaca. 

Para ele, o preço da ação, no momento, está barato - caso o cenário base de crescimento se concretize, abrindo uma oportunidade para que se compre uma ação barata - a patamares antes vistos apenas em 2009. "A empresa deve ver o Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização) crescer mais de cinco vezes até 2014", afirma o analista. Ele ressalta que a empresa tem conseguido entregar seus projetos tranquilamente até agora.

"Tubarões" derrubam Raia Drogasil e elevam Cosan
As ações da Cosan (CSAN3) subiram 2,25% aos R$ 38,60, enquanto as ações da Raia Drogasil (RADL3) recuaram 2,52%, atingindo os R$ 23,60. A razão pode ser a mesma: o Itaú BBA tirou a varejista de farmácias de sua carteira para clientes, substituindo-o pela empresa que produz açúcar e álcool - um movimento que ressoa em todo o mercado.

Não são apenas os clientes do Itaú, ou os fundos geridos pela instituição, que usam esse tipo de recomendação para definir quais ações possuir - boa parte do mercado leva em conta a opinião destes analistas. "Acredito que esse relatório, sim, possa fazer essa mudança. A gente acaba usando essas análises para tomar decisões", afirma um analista de buy-side que não quis se identificar. Geralmente, os responsáveis pela gestão de fundos - o buy-side - tomam suas decisões após ler diversos relatórios produzidos por áreas de análise, o sell-side.

Ajuda o fato de que o Itaú é uma das casas de research mais respeitadas do mercado. "Existem aquelas que tem mais poder de mercado, e que acabam influenciando mais. É o caso do Itaú, do Barclays, do JPMorgan, do Morgan Stanley", afirma o analista. Ele destaca que lê diversos relatórios diariamente antes de tomar suas decisões. Esse também é o caso dos fundos estrangeiros que aplicam na bolsa nacional - uma parte significativa de toda a quantia que entra na bolsa.

"Como a gente compara o poder de uma casa pequena com o de um JPMorgan que o relatório vai para o mundo todo?", indaga o analista. Ele destaca que é um fenômeno bastante comum uma das grandes casas rebaixar ou aumentar suas recomendações e a ação responder imediatamente. "As vezes eu acabo não recebendo o relatório, mas quando sai na imprensa que uma casa mudou as recomendações, a gente entende o motivo da movimentação", diz. 

O trabalho dos buys-sides, àqueles que giram o dinheiro dos investidores institucionais, acaba sendo "filtrar" as informações do sell-side. "Eu acredito que os fundos estrangeiros trabalhem com várias casas e a análise própria serve só para fazer uma espécie de filtro", finaliza o grafista. Ficar de olho nas grandes casas de research pode ser muito útil para antecipar o movimento dos tubarões.

BTG reitera compra e JBS sobe
Um cenário de melhora de margens também tem permitido que as ações da JBS (JBSS3) tivessem alta - registrando ganhos de 3,21% nessa sessão, terminando aos R$ 6,75. "Hoje o BTG Pactual reiterou compra, comentando que o business no Mercosul deve vir muito forte, com margens muito altas", comenta Evrard. O relatório do BTG seria o mais importante driver para impulsionar as ações do frigorífico.

Contudo, o mercado de boi gordo - o principal insumo da companhia - também deve beneficiar no longo prazo. "A JBS deve se beneficiar bastante do ciclo de abates nos próximos quatro anos", avalia. Ele destaca que cada ciclo de bois dura oito anos, e que o atual já está entrando na fase que favorece o desempenho das empresas frigoríficas. A expectativa de Evrard é que o preço do boi caia daqui para frente, ou então pelo menos permaneça estável. 

Embraer avança mesmo com entregas fracas
Mesmo com a confirmação de um número fraco nas entregas de aeronaves no terceiro trimestre, as ações da Embraer (EMBR3) avançaram 1,43% aos R$ 14,15. Momentos antes, o papel chegou a avançar 3,23%, aos R$ 14,40. Dessa forma, o momento continua positivo para os papéis da empresa. Se levar em conta o desempenho nos últimos sete dias, a ação já acumula ganhos de 8,85%.

Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, diz que a visão positiva sobre as ações da empresa decorre da carteira de pedidos firmes a entregar, que totaliza US$ 12,4 bilhões, isso é, um recuo de aproximadamente 4%. Galdi lembra que os analistas que compareceram ao Embraer Day na semana passada, em Melbourne, voltaram com uma expectativa pior do que a anunciada. O analista também ressalta que o dia é de ganhos para o mercado, o que pode ajudar as ações da companhia. 

BrasilAgro vende fazenda e sobe forte
A notícia que a BrasilAgro (AGRO3) vendeu a Fazenda Horizontina, no Maranhão, foi muito bem recebido pelos investidores, colaborando assim para mais um pregão de alta para as ações da companhia. Mantida essa tendência, os ativos AGRO3 caminham para a 7ª semana consecutiva de valorização.

Segundo fato relevante enviado ao mercado, a BrasilAgro vendeu a fazenda por R$ 75 milhões, praticamente o dobro do valor pago para adquiri-la em 2010 - R$ 37,7 milhões. Após a divulgação, as ações da BrasilAgro registraram alta de 2,58%, valendo R$ 9,95. Mais cedo, eles chegaram a subir 4,12%, quando bateram sua cotação máxima do dia (R$ 10,10). Com o desempenho neste pregão, os ativos da companhia já acumularão cerca de 20% nessas sete semanas positivas.

Segundo análise da XP Investimentos, a operação mostra-se bastante positiva pelo retorno bruto de aproximadamente 100% do capital investido. "A venda da propriedade está em linha com a estratégia da companhia, de obter ganhos tanto com a produção agrícola quanto com a venda da propriedade. O impacto financeiro do deal deve ser percebido somente nos dois próximos trimestres, em linha com o perfil de ciclos longos de obtenção de valor para a empresa", diz a corretora em relatório enviado nesta manhã.

Em documento enviado à BM&FBovespa, a Telebras justificou as oscilações recentes como uma característica dos mercados de capitais. A princípio, o analista avalia que toda a divulgação tem efeito de estimular os investidores a comprarem, mas na sequência os papéis tendem a voltar para o estado inicial, em função do excesso de expectativa gerada em torno do comunicado. "A maioria das empresas que tem essa alta baseada em notícias tende a recuar, o que acaba sendo um movimento meramente especulativo. Apenas depois o mercado vai precificar esse anúncio de forma sustentada, mas até lá as ações devem fatalmente cair", argumentou. 

Gradiente já subiu 34% com proximidade da OPA
Os papéis da Gradiente (IGBR3) subiram 9,40% aos R$ 10,36. Esse movimento ocorre em virtude da proximidade da OPA (Oferta Pública de Aquisição), anunciada em janeiro, e que deve terminar a partir da 2ª quinzena deste mês - de acordo com estimativas não definitivas da própria empresa. O laudo de avaliação pela Capital Soluções de abril, quantificou cada IGBR3 em R$ 13,11. Os papéis apresentam alta de 33,68% desde o dia 19 de setembro, quando iniciou o rali altista.

 

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