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Ações e DIs subindo juntos? Analistas veem 2 notícias que explicam dia atípico na Bolsa

Com a tributação de proventos mais distante e a Grécia mais próxima de um acordo, o mercado deixou de lado qualquer cautela por questões macroeconômicas brasileiras

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SÃO PAULO – Esta quarta-feira (10) é um dia atípico na Bolsa, com o Ibovespa disparando ao mesmo tempo em que os juros DI sobem forte. Pela manhã as notícias que apareceram para o investidor eram quase todas negativas. Em julho o Brasil pode ter seu rating soberano rebaixado, segundo o Valor Econômico, e a inflação subiu mais do que o esperado pelo mercado em maio. Isso explica a alta dos juros, mas por que então as ações sobem?

Uma explicação forte aparece em uma notícia do Valor Econômico segundo a qual a Receita Federal e a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda não estão dispostos a a lançar mão de medidas de tributação de lucros e dividendos obtidos por investidores estrangeiros para aumentar as receitas do governo. Como a medida provavelmente afastaria investimentos externos e de empresas locais, a equipe do ministério acredita que não seria uma boa ideia usar deste tipo de medida para fortalecer o ajuste fiscal. Isso também seria uma indicação de menor possibilidade de vermos a extinção dos juros sobre capital próprio (JCP), que tanto preocupou investidores este ano. 

O analista da Rico Corretora, Roberto Indech, diz que esta explicação faz todo o sentido dentro do cenário que observamos hoje, uma vez que as ações de setores como o dos bancos, que foram muito prejudicadas justamente pelos rumores de tributação dos proventos, hoje, são as que puxam a alta do índice, junto com a Vale (VALE3; VALE5), que segundo relatório do BTG Pactual divulgado no mês passado, seria a ação mais prejudicada com o fim dos JCP de todo o Ibovespa ao lado de Ambev. 

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Na mesma linha, o analista da Spinelli, Elad Revi, disse que os dois maiores drivers da sessão para o mercado de ações hoje são esta redução dos temores sobre tributação de proventos e o arrefecimento das tensões acerca do pagamento da dívida da Grécia. Segundo informação da Reuters, o governo grego está disposto a aceitar uma meta maior de superávit primário para o ano atual, a fim de atender às demandas dos credores, afirmou uma graduada fonte do governo de Atenas nesta quarta-feira.

Assim, a proximidade de um acerto dos gregos com a Comissão Europeia, o BCE (Banco Central Europeu) e o FMI (Fundo Monetário Internacional) ajuda a aumentar o otimismo para as ações em um dia que tinha tudo para ser dos vendidos em Bolsa.