Destaques da bolsa

Ação da Usiminas salta 10% e Petrobras sobe 3%; varejistas caem forte com recomendações e IRB recua 5%

Confira os destaques do noticiário corporativo na sessão desta terça-feira (23)

SÃO PAULO – A sessão foi de ânimo para as principais bolsas mundiais, o que também se refletiu no Brasil, após Donald Trump, presidente dos EUA, afirmar que “o acordo comercial com a China está totalmente intacto”. A noite da última segunda-feira foi turbulenta, após declaração de Peter Navarro, consultor comercial da Casa Branca, ter dado a entender o contrário, alimentando temores por parte dos investidores.

Apesar disso, o Ibovespa fechou longe de sua máxima do dia, quando subiu mais de 2%. Entre os destaques, as companhias aéreas, setor mais impactado pela atual crise, subiram, com Gol (GOLL4, R$ 19,90, +10,86%) e Azul (AZUL4, R$ 22,50, +9,06%) entre mas maiores altas do índice.

Também com alta expressiva, a Usiminas (USIM5, R$ 7,68, +10,34%) chamou atenção no índice. A associação de distribuidores de aços planos do Brasil, Inda, informou hoje que o setor teve alta de 26,4% nas vendas e reduziu estoques em maio ante abril. Na comparação com maio de 2019, porém, os distribuidores tiveram queda de 22% nas vendas, para 209,8 mil toneladas.

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As compras do setor, responsável por cerca de um terço do consumo de aço produzido pelas usinas siderúrgicas do país, fecharam maio em alta de 10,8% na comparação mensal, para 198,5 mil toneladas. Mas o volume representa baixa de 19,3% ano a ano.

Também favorecidos pelo bom humor do mercado como um todo, as ações de commodities tiveram ganhos, caso de Vale (VALE3, R$ 55,59, +1,07%) e Petrobras (PETR3, R$ 22,51, +2,93%; PETR4, R$ 21,65, +3,34%).

A ação do IRB Brasil (IRBR3, R$ 11,50, -4,96%), que subiu 16% na véspera, seguiu com ganhos durante boa parte da tarde, mas virou para queda e fechou com a pior queda do dia. A companhia realiza assembleia geral extraordinária para acionistas nesta terça-feira. O objetivo é apresentar o plano de reforma ampla de governança da empresa, além da proposta de criação de uma reserva de lucros estatutária.

As recomendações também movimentaram a sessão. C&A Modas (CEAB3, R$ 10,96, -3,18%), Renner (LREN3, R$ 41,87, -2,49%) e Guararapes (GUAR3, R$ 18,04, -5,30%) tiveram a recomendação rebaixada pelo HSBC e registraram desempenho negativo na sessão, com queda entre 3% e 6%.

Confira os destaques:

Suzano (SUZB3, R$ 38,04, -2,44%)

Aproveitando o apetite de mercado, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) quer voltar a vender a fatia que possui em algumas empresas, como a Suzano, segundo reportagem do jornal “O Estado de São Paulo).

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O movimento ocorre no momento em que o banco de fomento precisa se preparar para socorrer as áreas, o que poderá ser feito por meio de participações no capital dessas empresas, que tentam sobreviver em meio à crise causada pela pandemia do novo coronavírus.

Time for Fun (SHOW3, R$ 2,70, +3,05%)

E a empresa de entretenimento Time for Fun (T4F) anunciou que irá propor a redução do número de cadeiras na próxima reunião do Conselho de Administração, que ocorre em 22 de julho.

A medida está dentro do conjunto das ações tomadas para a redução de custos e ocorre na esteira do pedido de renúncia dos conselheiros Luciano Nogueira Neto, Maurizio de Franciscis e Guilherme Affonso Ferreira.

Klabin (KLBN11, R$ 19,97, -1,92%)

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo sancionador contra 13 conselheiros de administração da Klabin. A medida envolve mais uma das tentativas da empresa em encerrar o pagamento de royalties por uso da marca Klabin, segundo informou reportagem do jornal “Valor Econômico”.

Os conselheiros são acusados, pela autarquia, a não agir “com a diligência necessária” para analisar a conveniência da manutenção do contrato com a Sogemar e a Klabin Irmão e Cia (KIC), detentoras da marca. Ambas têm como sócios os controladores da companhia.

Esses pagamentos já chegaram a alcançar R$ 60 milhões em um ano e o atual processo foi aberto a pedido da BNDESPar, uma das acionistas da fabricante de papel e celulose.

Weg (WEGE3, R$ 46,12, +1,14%)

A Weg anunciou que comprou o controle da startup Mvisia, especializada em soluções de inteligência artificial aplicada à visão computacional para a indústria.

O valor do investimento não foi revelado, apenas que ele não é significante.

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A Weg passa a deter 51% na empresa adquirida, com possibilidade de aumento da fatia futuramente. “A aquisição faz parte da estratégia da companhia de incluir novos recursos a WEG Digital Solutions e a plataforma IoT WEGnology”, segundo comunicado da empresa.

Na avaliação do Itaú BBA, a compra da empresa especializada em soluções de inteligência artificial é estrategicamente positiva para a Weg. “Acreditamos que é estrategicamente positivo pois representa outra etapa da Weg relacionada à sua estratégia de aprimorar suas “Soluções Digitais WEG” e a plataforma “IoT WEGnology”, ambas projetadas para atender às demandas da indústria 4.0″, explicaram.

Gerdau (GGBR4, R$ 15,51, +1,91%)

A Gerdau vai ligar o seu alto-forno da usina de Ouro Branco, em Minas Gerais, no dia 1º de julho, segundo o “Metal Bulletin”. A capacidade de produção desse alto-forno é de 1,5 milhão de toneladas.

A usina possui dois altos-fornos, mas um desligado foi desligado no início de abril devido à queda da demanda causada pela pandemia do novo coronavírus.

Os analistas do Bradesco BBI lembram que a Gerdau, que é classificada como “neutra” pela instituição financeira, está aproveitando o real mais fraco para oferecer chapas grossas a preços competitivos na Europa e América do Sul. Além disso, tem registrado um aumento da demanda doméstica em aços longos. “Destacamos, no entanto, que levará algum tempo para o forno retornar totalmente aos níveis normais de produção”, avaliaram.

JBS (JBSS3, R$ 21,53, -0,55%), Minerva (BEEF3, R$ 12,94, -0,31%) e BRF (BRFS3, R$ 22,18, +0,77%)

A JBS e a Minerva assinaram as declarações solicitadas pela China dizendo que suas exportações estão livres do novo coronavírus, segundo informações obtidas pela Reuters. A BRF, por sua vez, ainda não assinou a declaração, mas planeja fazê-lo, disse uma das fontes da agência de notícias.

Aliansce Sonae (ALSO3, R$ 29,30, -0,58%)

Em função do aumento da ocupação dos leitos nas respectivas redes de saúde locais, devido a evolução da pandemia de COVID-19, Aliansce Sonae fechará temporariamente os shopping centers Parque D. Pedro Shopping e Uberlândia Shopping, com funcionamento apenas das atividades essenciais, segundo comunicado.

Atualmente, 19 Shoppings do portfólio próprio da companhia estão em operação, o que corresponde a 64% do total de NOI e 58% da ABL própria. Os ativos da empresa que se encontram temporariamente fechados seguem funcionando com as atividades de delivery e Drive-Thru & Pick-up, além dos serviços essenciais.

Iguatemi (IGTA3, R$ 35,83, -1,02%)

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Os restaurantes e estabelecimentos de alimentação do I Fashion Outlet Novo Hamburgo poderão funcionar exclusivamente na modalidade de delivery e drive thru, no horário das 12h às 20h, segundo comunicado que cita a “bandeira vermelha” instituída na região metropolitana de Novo Hamburgo (RS).

A companhia também informa que, a partir de 23 de junho, o Iguatemi Porto Alegre e Praia de Belas estarão funcionando em horário reduzido das 11h30 às 20h apenas para as operações consideradas essenciais (farmácia, estabelecimentos e serviços na área da saúde, óticas, Policia Federal, supermercado, bancos, terminais de autoatendimento, correios, lotéricas e alimentação). Os restaurantes e estabelecimentos de alimentação deverão funcionar com atendimento presencial somente das 11h30 às 17h.

Os shoppings no país já perderam 68,7% de suas vendas entre os dias 2 de março e 14 de junho, segundo levantamento da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) divulgado pelo jornal “O Estado de São Paulo”.

Recomendações

C&A Modas (CEAB3, R$ 10,96, -3,18%), Renner (LREN3, R$ 41,87, -2,49%) e Guararapes (GUAR3, R$ 18,04, -5,30%) tiveram a recomendação rebaixada pelo HSBC.

O HSBC mostrou cautela com a recuperação do setor de varejo no Brasil, já levando em conta incertezas sobre o mercado de trabalho, e atualizou as recomendações para as empresas desse segmento. As ações da Renner e da C&A foram rebaixadas de “comprar” para “manter”, com preços-alvo de, respectivamente, R$ 42 e R$ 10. No caso da Guararapes (controladora da Riachuelo), a recomendação passou de “manter” para “reduzir” (R$ 14).

A recomendação dos papéis de Arezzo e Marisa foram mantidas em “comprar”, com preços-alvo de, respectivamente, R$ 54 e R$ 10. Também foi mantido a recomendação da Hering (“manter, R$ 14,50).

“O varejo de vestuário foi um dos mais impactados setores de varejo em todo o mundo, dadas as regras de distanciamento social e o fechamento temporário de lojas. Estamos céticos quanto ao ritmo de recuperação”, disseram, reforçando que os próximos meses devem registrar aumento da concorrência e, dessa força, pressão sobre os preços dos artigos vendidos.

Magazine Luiza (MGLU3, R$ 70,25, -0,92%)

O Magazine Luiza faz reestruturação na Netshoes e cargo de CEO da varejista de artigos esportivos foi extinto, segundo o Valor.

Braskem (BRKM5, R$ 24,90, +0,28%)

A Braskem firmou contrato de longo prazo para compra de energia renovável com a Canadian Solar, viabilizando a construção de um novo parque de energia solar no Brasil. Com investimento estimado em R$ 1,5 bilhão em novos projetos, a Canadian está erguendo um cluster de geração solar em Minas Gerais e firmou ainda um contrato com a Copel para construção de outra usina em Pernambuco.

BR Distribuidora (BRDT3, R$ 21,60, -0,87%), Cosan (CSAN3, R$ 68,76, -2,18%) e Ultrapar (UGPA3, R$ 18,46, +0,65%)

Os dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) mostram que em maio a demanda por combustível subiu 9% na comparação com abril. Já me relação a igual mês de 2019, está 17% menor. Na avaliação do Credit Suisse, essa recuperação mostra que as empresas listadas em Bolsa estão tendo um desempenho superior ao do segmento chamado de “bandeiras brancas” (14% x 3%).

Um dos destaques foi a Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, que reverteu a perda de participação de mercado registrada nos meses anteriores e avançou 1,1 ponto percentual. O ganho da BR Distribuidora no período foi de 0,7 ponto percentual e a rede Ipiranga ficou praticamente estável.

O Credit Suisse ressaltou que os postos de bandeira branca, que tem uma participação de mercado em torno de 40%, ganharam fatias no período de maior isolamento social. A avaliação é que as redes listadas na Bolsa possuem maior concentração em grandes cidades, que passaram por isolamentos mais severos. “Com a gradual volta as atividades das capitais, acreditamos que os players listados irão capturar esse retorno”, avaliaram.

Copasa (CSMG3, R$ 60,41, -3,27%)

A Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário do Estado de
Minas Gerais aprovou reajuste tarifário médio de 3,04% com vigência a partir de 1º de agosto, empresa diz em comunicado ao mercado.

Em função da pandemia de Covid-19, o início do efetivo faturamento das novas tarifas fica suspenso até 31 de outubro, a Arsae diz em decisão.

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(Com Bloomberg)