Destaques da Bolsa

Ações de bancos caem até 5% com reforma do IR; Ambev recua 4% e apenas 4 ações do Ibovespa sobem

Confira os destaques da B3 na sessão desta quinta-feira (2)

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SÃO PAULO – As ações de Vale (VALE3, R$ 98,54, -0,31%) e siderúrgicas chegaram a abrir entre perdas e ganhos, esboçando um desempenho melhor nesta quinta-feira (2) do que o visto nos últimos dias. Mas com a piora do mercado durante a tarde, os papéis perderam força.

Por outro lado, as ações de bancos, como Itaú (ITUB4, R$ 29,94, -3,61%), Banco do Brasil (BBAS3, R$ 29,20, -4,14%), Bradesco (BBDC4, R$ 22,28, -3,52%) e Santander Brasil (SANB11, R$ 39,48, -5,23%) caíram forte. Os papéis repercutem, assim como outros setores, a aprovação do texto base da reforma do Imposto de Renda na Câmara dos Deputados (veja mais clicando aqui).

No caso dos bancos, foi estabelecida uma queda de 15% para 14% na alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), menor do que a prevista anteriormente, de 1,5%.

O relatório da proposta do IR foi modificado de Celso Sabino (PSDB-PA) passou por 397 votos a 77. As principais diretrizes da reforma permanecem: criar imposto sobre dividendos, reduzir o imposto de renda para empresas e pessoas físicas. Os juros sobre o capital próprio (JCP) estão extintos, na proposta.

Os deputados optaram por reduzir Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica (IRPJ) de 15% para 8% – empresas grandes pagam 10 pontos percentuais a mais. O texto base estabelecia alíquota sobre lucros e dividendos em 20% mas, como esperado, a alíquota foi reduzida para 15% com a votação de um destaque. Votados os destaques, o projeto segue para o Senado.

Ações de algumas estatais registraram perdas, com destaque para a Eletrobras (ELET3, R$ 36,75, -4,99%;ELET6, R$ 37,10, -4,23%). Na véspera, o Senado também aprovou uma medida de mudanças nos planos de saúde das estatais.

Nos cálculos da área econômica, a reviravolta pode impactar em: R$ 387,4 milhões na Caixa/CEF; R$ 274,5 milhões na Petrobras; R$ 267,4 milhões no BB; R$ 219,9 milhões nos Correios (ECT); R$ 182,2 milhões na Eletrobras e R$ 69,2 milhões no Serpro. Saiba mais clicando aqui.

Já do lado positivo, fora do índice, a OceanPact (OPCT3, R$ 5,05, +3,70%) avançou quase 4% após ter fechado quatro contratos com a Petrobras sendo dois para afretamento de embarcações RSV e dois de prestação de serviços de ROV nas embarcações. As ações da Petrobras abriram com perdas, mas viraram para ganhos na esteira da alta do petróleo, com os principais contratos do brent e do WTI subindo mais de 2%.

Dentro do Ibovespa, apenas quatro das 84 ações registraram alta, com destaque para Assai (ASAI3, R$ 17,54, +2,99%) e Engie (EGIE3, R$ 39,08, +1,03%), as únicas com ganhos acima de 1%.

Ainda no radar, as ações da Ambev (ABEV3, R$ 16,52, -4,29%) caíram: além de repercutir a reforma do IR, atenção ainda para a produção industrial, que caiu 1,3% em julho na comparação mensal, frustrou as expectativas e ficou abaixo do patamar pré-pandemia. Uma das influências negativas mais importantes da produção industrial de julho foi do setor de bebidas, que caiu 10,2%, interrompendo três meses de taxas positivas consecutivas, quando acumulou alta de 11,7%.

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Confira os destaques:

Petrobras (PETR3, R$ 27,29, -1,73%; PETR4, R$ 26,60, -1,63%)

A Petrobras  informou nesta quinta-feira que avalia os impactos financeiros da alteração sobre a coparticipação da empresa no custeio dos planos de saúde dos funcionários, aprovada na véspera por decreto legislativo do Senado.

A empresa não divulgou valores, mas em notas explicativas do balanço do quarto trimestre de 2020 havia reconhecido um ganho de R$ 13 bilhões que ajudou no lucro daquele período e agora pode ser revertido, diante da nova regra aprovada pelo Senado.

Na noite de quarta-feira, o Senado aprovou decreto que susta os efeitos da Resolução CGPAR nº 23, norma que vigorava desde 26 de janeiro de 2018 e estabelecia, dentre outros temas, diretrizes e parâmetros para o custeio das empresas estatais federais sobre benefícios de assistência à saúde aos empregados.

Com o decreto, a proporção 60%/40% do custeio do plano de saúde, pagos pela companhia e funcionários, respectivamente, será mantida e permanecerá durante a vigência do atual acordo coletivo ou até novo ajuste entre as partes, disse a Petrobras.

Na negociação do acordo coletivo 2020-2022, a proporção do custeio do plano de saúde havia sido alterada de 70% dos gastos cobertos pela companhia e 30% pelos beneficiários titulares para 60%/40% (companhia e empregados), a partir de 1 de janeiro deste ano.

OceanPact (OPCT3, R$ 5,05, +3,70%)

A OceanPact comunicou ter fechado quatro contratos com a Petrobras (PETR3;PETR4), sendo dois para afretamento de embarcações RSV e dois de prestação de serviços de ROV nas embarcações.

“O backlog consolidado de cada conjunto de embarcação e serviço de ROV é de , respectivamente, R$387,5 milhões e R$ 405,9 milhões, sendo 59,7% e 59,4% em dólar”, aponta o comunicado.

Vittia (VITT3, R$ 10,05, +16,86%)

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A ação da Vittia estreia na B3 nesta quinta-feira, após ter o preço por ativo fixado em R$ 8,60 em oferta restrita. A companhia atua na área de defensivos biológicos e fertilizantes especiais.

O IPO movimentou R$ 359 milhões, com cerca de 15% desse valor sendo destinado ao caixa, com o objetivo de realizar aquisições estratégicas.

Taesa (TAEE11, R$ 37,74, -0,97%)

A transmissora de energia elétrica Taesa iniciou nesta quarta-feira a operação do empreendimento de transmissão Janaúba, que liga as regiões Nordeste, que tem batido recordes de geração eólica e solar, e Sudeste, principal centro de consumo elétrico do país, informou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A inauguração, quase seis meses antes do previsto, ocorre em momento importante para reforçar a robustez do sistema, enquanto o governo trabalha para garantir o abastecimento de energia do país, diante da maior crise em mais de 90 anos em reservatórios de hidrelétricas, principal fonte geradora do país.

O empreendimento conecta os Estados de Minas Gerais e Bahia, com extensão de 542 km de linha. O projeto compreende as linhas de transmissão de Bom Jesus da Lapa (BA)-Janaúba (MG) e Janaúba-Pirapora (MG), ambas de 500 kV, e três subestações de 500 kV distribuídas em cada uma das cidades.

Omega

A Omega Desenvolvimento fechou acordo com o Grupo Heineken para a implementação de ativos de geração renovável no Nordeste, visando o fornecimento de eletricidade para atendimento a 100% do consumo de 13 cervejarias e nove centros de distribuição no Brasil, informou a empresa nesta quarta-feira.

Segundo a Omega, a operação deve acarretar uma redução de 270 mil toneladas de emissões de gás carbônico na atmosfera. O contrato prevê fornecimento de energia por um período de dez anos.

BRF (BRFS3, R$ 23,64, -1,58%)

A companhia de alimentos BRF concluiu nesta quarta-feira, por meio da subsidiária BRF Pet, a aquisição das empresas de ração para pets Mogiana Alimentos e Grupo Hercosul por R$ 1,35 bilhão, segundo fato relevante.

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A BRF havia divulgado as operações no final de junho, mas sem detalhar os valores envolvidos. A empresa passará a ter uma fatia de cerca de 10% no mercado de “pet food” do Brasil, segundo maior país em vendas do setor do mundo.

Kora Saúde (KRSA3, R$ 7,45, -1,97%)

A Kora Saúde informou que a Ilha do Boi Participações, controlada da companhia, celebrou contrato de compra e venda de quotas para a aquisição de, no mínimo, 75% das quotas representativas do capital social da Angiocardis.

O  preço de aquisição de R$ 7,1 milhões, sendo R$ 5,6 milhões no fechamento da Operação e R$ 1,5 milhão em até 5 anos.

Oncoclínicas (ONCO3, R$ 17,10, -0,58%)

A Oncoclínicas  concluiu a compra da totalidade do Centro Brasileiro de Radioterapia Oncologia e Mastologia, o CEBROM. O valor estipulado foi de R$ 190,5 milhões, com estimativas de sinergias em R$ 25 milhões para 2022.

“Esta aquisição representa um importante avanço para o Grupo Oncoclínicas na estratégia de consolidação do mercado de oncologia clínica na região Centro Oeste do Brasil”, destacou a companhia.

Qualicorp (QUAL3, R$ 22,09, -0,18%)

A Qualicorp informou que obteve anuência da Agência Nacional de Saúde (ANS) para cisão parcial da Qualicorp Administradora.

Pague Menos (PGMN3, R$ 12,16, -1,54%)

A rede de farmácias Pague Menos informou seu guidance (projeção) de abertura de lojas, com projeção de ter 80 novas unidades, número que vai a 120 no final de 2022.

Segundo a empresa, as expectativas têm como base sua estratégia de expansão, capacidade financeira e capacidade de obter pontos comerciais atraentes, mas que pode haver alteração na percepção ou nos fatores mencionados, alterando as previsões.

Vibra Energia (BRDT3, R$ 25,61, -4,30%)

O Bradesco BBI participou do dia do investidor da Vibra Energia, antiga BR Distribuidora, o primeiro desde que a empresa foi completamente privatizada. O banco diz que o CEO Wilson Ferreira apresentou a meta de se tornar uma plataforma multienergética, visando contribuir para que o mundo atinja suas metas de redução de emissões de carbono.

O foco da Vibra deve ser a distribuição de biometano, autogeração em sua cadeia de distribuição, soluções para recarga de veículos, programas de relacionamento, lojas de conveniência, e uma transição mais gradual para hidrogênio verde e e-fuels (combustíveis sintéticos que não exigem a mudança dos motores no mercado).

O banco diz que uma análise do cenário até 2030 indica a importância de que a Vibra transicione imediatamente, visando evitar a estagnação do lucro Ebitda nos próximos dez anos.

O Bradesco também ressaltou iniciativas no setor de varejo da empresa que podem contribuir para um lucro Ebitda adicional de R$ 900 milhões até 2025, frente à estimativa de R$ 3 bilhões do banco em 2020.

O banco diz que gostou da mensagem geral da Vibra, e diz avaliar que não há volta para o processo de transição energética, sobre o qual a empresa adotou um tom de urgência. O Bradesco BBI mantém avaliação outperform (perspectiva de valorização acima da média do mercado) para a Vibra, e preço-alvo de R$ 36, frente à cotação de quarta de R$ 26,76.

O Morgan Stanley também participou do dia do investidor da Vibra, e diz que as iniciativas implementadas pela empresa desde sua IPO em 2017 vêm dando resultados. O banco diz que a empresa parece estar bem posicionada para se beneficiar da recuperação do consumo de combustíveis no Brasil. Também diz esperar que os papéis remunerem os acionistas de forma atrativa, ao mesmo tempo em que a gestão começa a lidar com problemas de longo prazo relacionados à transição de energia de longo prazo. O banco mantém avaliação overweight (acima da média) para a empresa, e preço-alvo de R$ 36.

O Credit Suisse diz que o dia do investidor da Vibra trouxe uma mensagem em geral positiva para o investimento na empresa, mas em linha com suas expectativas. O banco mantém avaliação outperform e preço-alvo de R$ 39, frente à cotação de quarta de R$ 26,76.

Positivo (POSI3, R$ 13,24, -10,30%)

O Bradesco BBI iniciou a cobertura da Positivo, com avaliação outperform e preço-alvo para 2022 em R$ 18. O banco diz que a forte demanda por PCs, notebooks, tablets e smartphones deve continuar nos próximos anos, em meio a mudanças estruturais causadas pela pandemia, com modelos de trabalho híbridos, com home office.

O banco diz que a empresa opera com um desconto de 30% na relação entre valor da firma (EV em inglês) e lucro Ebitda, em relação a atores globais, o que o BBI vê como exagerado.

Mosaico (MOSI3, R$ 12,00, -3,69%)

O Itaú BBA realizou uma reunião com o cofundador da Mosaico, Guilherme Pacheco, e o novo CEO, Mauricio Cascão. O banco diz que o programa de cashback (programa de fidelidade em que é possível recuperar parte do gasto) impulsionou a criação de dezenas de milhares de carteiras móveis, não apenas criando oportunidades para monetização em serviços financeiros, mas também foi crucial para identificar melhor a base de usuários.

O banco diz que a expectativa é de que o cartão de crédito seja oficialmente lançado no quarto trimestre de 2021, emitido pelo BTG+. Ele deve garantir cashbacks em gastos com cartões e na plataforma da Mosaico.

Novos recursos no ecossistema da empresa e maiores campanhas de marketing devem apoiar a aceleração do crescimento do volume bruto de mercadorias (GMV em inglês) no segundo semestre de 2021. O Itaú BBA mantém avaliação market perform (perspectiva de valorização dentro da média do mercado) e preço-alvo para 2022 de R$ 13, frente à cotação de quarta de R$ 12,46.

Stone (NASDAQ: STNE)

O Itaú BBA atualizou o seu modelo para a Stone tendo em vista os recentes solavancos em seu negócio de crédito. O banco diz que a combinação de previsões mais baixas para o portfólio de crédito e uma nota metodologia de contabilidade levaram a reduções em suas projeções para receita líquida ajustada, de 56% em 2022 e 40% em 2023.

O banco diz que a perspectiva menos positiva para o negócio de crédito foi incorporada ao seu preço-alvo de US$ 65 para a Stone em 2022, frente ao preço-alvo anterior, para 2021, de US$ 95, e à cotação de quarta dos papéis STNE na Nasdaq, de US$ 47,8. O banco diz avaliar que a perspectiva ainda é atrativa, o que justifica sua avaliação outperform.

No curto prazo, o banco diz esperar que o mercado se mantenha atento às tendências no negócio excluindo o crédito.

ABC Brasil (ABCB4, R$ 17,27, -2,87%)

O Itaú BBA elevou o preço-alvo da ABC Brasil de R$ 20 em 2021 para R$ 24 em 2022, com base em estimativas maiores, frente à cotação de R$ 17,48 dos papéis ABCB4. Para a empresa, o Itaú mantém avaliação outperform. Em seu universo de cobertura, o banco diz que a empresa é uma boa opção para investidores que buscam histórias consistentes de empresas menores, com valorações razoáveis e potencial de reavaliação, por conta de sua exploração de novos canais para crescimento e retorno sobre o patrimônio líquido com perspectiva de valorização.

A ABC superou suas estimativas em dois trimestres em seguida, e há expectativa de rápido aumento da receita líquida de 60% em 2021 e de 20% em 2022.

BrasilAgro (AGRO3, R$ 29,34, -2,85%)

A BrasilAgro, companhia que atua na compra e venda de propriedades rurais e também na produção agrícola, reportou salto de 277% no lucro líquido do quarto trimestre da safra 2020/21, para R$ 127,9 milhões, com impulso do bom momento de preços que atravessa o setor apesar de uma quebra de safra por intempéries.

A companhia, que opera no Brasil, Paraguai e Bolívia, disse ainda que entra no novo ano-safra 2021/2022 “preparada para se beneficiar da conjuntura de câmbio e preços das commodities. Segundo a BrasilAgro, com os custos atuais, “esperamos que o bom nível de rentabilidade se mantenha na operação também para a 2021/22”.

(com Reuters e Estadão Conteúdo)

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