Perspectivas

10 grandes eventos devem agitar a Bovespa na próxima semana; fique atento

Nos destaques, investidor deve atentar-se ao IPCA, ata do Copom, crise na Grécia e dados na China e nos EUA

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SÃO PAULO – Nem mesmo o feriado de Corpus Christi na quinta-feira (4) conseguiu esfriar o mercado na primeira semana de junho. Enquanto, no exterior, os investidores seguiam atentos aos desdobramentos do drama da dívida grega e novas especulações dos Estados Unidos sobre uma possível elevação no juros nos próximos meses, no plano doméstico a decisão do Copom de elevar a taxa básica de juros em mais 0,5 ponto percentual, para 13,75% ao ano, e a participação do ministro da Fazenda Joaquim Levy em evento no FMI (Fundo Monetário Internacional) mexeram com o comportamento dos ativos na Bovespa.

Mais emoções são aguardadas na Bolsa na próxima semana, quando 10 grandes eventos deverão guiar o humor do mercado e ditarão os rumos do Ibovespa. Para evitar maiores surpresas negativas com indicadores já previstos, é importante alinhar-se às expectativas dos especialistas e tomar nota da agenda entre 1 e 5 de junho. 

No plano doméstico, dados de peso que norteiam as percepções e estratégias de atuação do governo em políticas macroeconômicas serão apresentados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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Neste sentido, ganham destaque o PMI (Product and Manufacturing Information) regional e, principalmente, do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a ser apresentado na quarta-feira (10), que pode dar indícios importantes sobre a eficácia da política monetária adotada. As estimativas do mercado são de que o indicador apresente alta de 0,58% em maio. O economista e professor da Fundação Getulio Vargas Felipe Serigatti ressalta que, apesar da percepção de desaceleração nos preços na comparação mensal, o processo está em ritmo bem abaixo do esperado, após expectativas de acomodação maior após a correção de preços administrados. Os esperados 0,6% de alta na inflação mensal não seriam suficientes. Essa pode ser uma mensagem preocupante para as autoridades do Banco Central.

Ainda no plano nacional, a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) também figura no radar do mercado. Na percepção do Goldman Sachs, o documento não deverá trazer grandes sinalizações de como o Banco Central se comportará nas próximas reuniões. A decisão de provocar nova alta na Selic foi vista pelos agentes econômicos como uma indicação de compromisso da autoridade brasileira com a condução da inflação em direção ao centro da meta no futuro. As minutas da reunião serão apresentadas na quinta-feira (11). No entanto, detalhes mais precisos para melhores prognósticos sobre o futuro da política de controle sobre a alta dos preços só será possível ao final do mês, quando será publicado o relatório de inflação.

Dados “escondidos” na China e nos EUA
Na China, dados inflacionários, balança comercial, vendas no varejo e produção industrial ganham atenção. Para a equipe econômica internacional do Banco Espírito Santo, essa será uma semana chave para os mercados emergentes, porém, com viés negativo, em meio a um consenso de investidores pode haver uma maior flexibilização das condições monetárias no curto prazo. O economista Serigatti chama atenção para os dados dos preços ao produtor como um indicador ainda mais importante para os brasileiros nesse momento, pelo fato de poder dar sinalizações importantes para as exportações de commodities minerais.

No gigante asiático, de um lado, a inflação para o consumidor caminha em altas, os produtores vêm preços recuarem, o que reduz suas margens e pode comprometer toda a cadeia do setor industrial. Os dois indicadores sairão na segunda-feira, enquanto dados da produção industrial e vendas do varejo serão apresentados na quinta. Com a mudança no perfil de crescimento chinês, que migra do foco em investimentos para o consumo interno, mineradoras e siderúrgicas brasileiras sofrem com queda de demanda e de preços de matérias-primas. “É um caminho necessário, mas não será indolor”, explica o professor da FGV, que também lembrou da diferença de acomodação de preço entre commodities minerais e agrícolas, com as últimas mantendo-se mais valorizadas do que as primeiras.

Enquanto isso, na Europa, os problemas da dívida da Grécia – com um elevado ceticismo sobre a aprovação de planos mais amplos nos próximos dias – seguirão atraindo atenções, juntamente com o PIB (Produto Interno Bruto) da zona do Euro e os dados da produção industrial da região na sexta-feira. Os economistas do BES mantiveram seu cenário de riscos para o continente, mas isso pode crescer nas últimas semanas de junho. Para muitos economistas, o país vive um dilema entre sair de vez do bloco europeu e sofrer com as consequências ou “esticar” uma corda desgastada já em meio às grandes dificuldades de se honrar as dívidas. “A conta que sobrou para a sociedade foi muito alta”, observou Serigatti.

Quanto ao PIB da zona do Euro, as expectativas do especialista são de uma alta de 0,4% no primeiro trimestre – o que, apesar de parecer má notícia, pode ser visto como indicador positivo considerando-se o atual cenário tenso no velho continente. Trata-se de uma sinalização de que há um progresso na organização de contas e até, eventualmente, uma percepção de boa condução da política monetária pelo Banco Central Europeu com os estímulos, hipótese que ainda precisaria de novos acontecimentos para ser confirmada.

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Já nos EUA, indicadores do mercado imobiliário e de emprego chamam atenção, sendo o segundo uma espécie de bússola usada pelo Federal Reserve em seus próximos passos na política econômica. Vale lembrar que, nesta sexta-feira (5), o Departamento de Trabalho da maior economia do mundo mostrou criação de 280 mil empregos em maio, ante expectativas de 225 mil. Já a taxa de desemprego apresentou leve alta, saltando de 5,4% em abril para 5,5% no mês passado. Com isso, as expectativas do mercado são de que a autoridade monetária eleve os juros já em setembro deste ano.

De acordo com Serigatti, neste momento, mais importante é atentar para os números de vagas de emprego criadas, uma vez que a tendência de queda da taxa de desemprego não necessariamente reflete uma realidade de melhora na economia. Existe um fenômeno em curso na maior economia do mundo que sinaliza para uma menor força de trabalho dentro da população economicamente ativa – isto é, uma redução na procura por emprego, em vista da situação econômica. Em consequência disso, a taxa de desemprego pode até recuar, mas os salários permaneceriam inalterados o que não geraria pressão inflacionária suficiente que justificasse a retomada na alta dos juros.

Uma gama de eventos importantes deverá ser apresentada na semana que vem, acompanhada de uma série de informações implícitas nos indicadores que deverão ser divulgados e que podem guiar o comportamento de boa parte dos investidores mundiais. Neste sentido, torna-se imperativo atentar-se, além dos índices tradicionais, a dados secundários que, neste momento, podem ser mais fieis na mensuração do andamento dos mercados globais e não derrubá-lo do cavalo em eventuais análises apressadas.