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Magalu e B2W na briga por Netshoes: o que o mercado acha disso?

Pelo movimento das ações, investidores parecem confiar mais no Magazine Luiza para assumir as operações deficitárias da varejista de artigos esportivos  

Magazine Luiza galpão
(Divulgação)

SÃO PAULO – Magazine Luiza e B2W confirmaram na semana passada o interesse na compra da varejista de artigos esportivos Netshoes. Pelos rumores do mercado, o Mercado Livre também está no páreo. E os investidores já começaram a precificar as empresas de acordo com suas expectativas para este negócio.

O produto

A Netshoes vem penando para conseguir bons resultados operacionais e, consequentemente, a confiança dos investidores. Entre 2014 e 2018, a empresa acumula prejuízo líquido de quase R$ 300 milhões.

A ação, listada desde abril de 2017, foi precificada em US$ 14,50 no IPO, chegou ao pico de US$ 24,50 e já mergulhou quase 92%, agora girando em torno de US$ 2. O valor de mercado da varejista está em US$ 68 milhões.

Para o Magazine Luiza, comprar essas operações significaria entrar em um novo rol de produtos (vestuário). Já a B2W compraria pela primeira vez outra empresa de e-commerce: desde a fusão entre Submarino e Americanas.com, a B2W só adquiriu companhias de software e logística.

Bom no médio prazo

Para analistas da Levante, qualquer que seja o vencedor dessa disputa pode se beneficiar das operações da Netshoes no médio prazo – se souber aproveitar sinergias.

“O vencedor usará a expertise e experiência para melhorar a operação e transformar o business mais rentável”, diz um relatório da casa de análise.

Em um primeiro momento, o mercado pode “se assustar” com a aquisição de um ativo tão debilitado. “A Netshoes passa por um momento muito delicado de grande consumo de caixa, aumento do prejuízo nos últimos resultados e redução da receita, em função de resultados operacionais mais fracos e o fechamento da unidade de suplementos alimentícios”, listam os analistas.

Eles acreditam, porém, que os três potenciais compradores têm potencial de colocar essa operação nos eixos, “se o preço pago não for muito caro”.

Pelos cálculos da XP Investimentos, a aquisição, sem prêmio, sairia por US$ 107 milhões, por uma empresa com um valor transacionado (GMV) de R$ 2,5 bilhões.

Preferência do mercado: Magalu

Para o analista da Rico Thiago Salomão, o mercado vem dando dicas da sua preferência nesse imbróglio. “A ação do Magalu fechou ontem [quarta-feira] com alta de 1,5% na máxima do dia enquanto a da B2W caiu 3,6% na mínima do dia”, lembra. “Pelas reações, o mercado entende que o deal faria muito mais sentido para Magalu do que B2W. Isso pode ser justificado pelo melhor momento operacional e financeiro da Magalu”, opina.

O resultado financeiro do Magazine Luiza para o último trimestre de 2018 surpreendeu o mercado positivamente – de novo. O lucro líquido avançou 14,5% nos três meses. No acumulado do ano, ficou em R$ 597,4 milhões. O crescimento de 57,4% no e-commerce (justamente o foco da Netshoes) foi considerado o principal destaque.

Já a B2W decepcionou. O prejuízo líquido no ano foi de R$ 67,7 milhões, pior que o consenso do mercado à época graças a uma geração de caixa mais fraca que o esperado.

Enquanto isso, o Mercado Livre anunciou recentemente um investimento de R$ 3 bilhões no Brasil focando principalmente na experiência de compradores, logística e no braço financeiro Mercado Pago. Como a empresa ainda não se pronunciou sobre um interesse na Netshoes, os analistas ainda não estão se posicionando neste sentido.

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