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Com 3.837% de alta do grupamento ao 'split', Magazine Luiza tem um sonho maior: entrar no Ibovespa

Acionistas da empresa votarão nesta segunda-feira, 4 de setembro, se querem desdobrar as ações de 1 para 8, desfazendo assim o grupamento da mesma razão aprovado em setembro de 2015

Magazine Luiza
(Divulgação/Shopping Iguatemi Fortaleza)

SÃO PAULO - 30 de setembro de 2015. Naquela quarta-feira, os acionistas da Magazine Luiza (MGLU3) estavam reunidos em assembleia para aprovar um grupamento das ações na razão de 8 para 1. O objetivo da operação: distanciar os papéis da varejista da incômoda faixa de R$ 1,00 e evitar uma “luta pela sobrevivência” com a BM&FBovespa, que na época havia lançado uma regulamentação para extinguir as "penny stocks", empresas negociadas abaixo de R$ 1,00. Naquele dia, a ação MGLU3 fechou a R$ 1,76 (após o grupamento, o preço subiu para R$ 14,33), o que representava uma queda de quase 80% no acumulado do ano.

Hoje, o jogo virou completamente para a companhia: embalada por uma verdadeira revolução no modelo de negócios, passando a focar nas vendas online e na estratégia de “marketplace” (onde outras lojas podem vender seus produtos dentro do seu site), a Magazine Luiza trouxe resultados extraordinários nos últimos trimestres, o que contribuiu para um salto impressionante na bolsa - no dia 1º de setembro de 2017, as ações da Magazine fecharam a R$ 564,14, o que representa 3.836,8% de alta em relação ao fechamento daquele fatídico dia do grupamento em 2015.

E para coroar essa verdadeira revolução, a varejista de Franca convocou seus acionistas para neste dia 4 de setembro “desfazerem” aquele grupamento, ou seja, promover um desdobramento (ou "split") das ações na razão de 1 para 8. O motivo pode ser resumido como “preço do sucesso”: cotado a R$ 564,14, o papel acaba ficando inacessível para investidores menos abastados - se aprovado pelos acionistas, as ações MGLU3 passariam a valer cerca de R$ 60 cada. Final da história? Longe disso: em conversa com o InfoMoney, a empresa revelou ter planos bem mais ambiciosos no mercado acionário.

"A entrada nos índices da bolsa, especialmente o Ibovespa, são metas da área de Relações com Investidores", respondeu por email ao InfoMoney o Departamento de Relações com Investidores da empresa. Com o aumento de liquidez esperado com o 'split', alguns analistas já começam a fazer contas e vislumbrar a entrada de MGLU3 no Ibovespa na virada para 2018 - a carteira teórica do índice é atualizada a cada quadrimestre.

Nos últimos 21 pregões, as ações da Magazine Luiza movimentaram em média R$ 89 milhões, montante superior a grandes empresas do setor, como Lojas Renner (LREN3, R$ 77 milhões por dia), Lojas Americanas (LAME4, R$ 76 milhões/dia) e Pão de Açúcar (PCAR4, R$ 60 milhões/dia). Vale lembrar que ela começou o ano girando em média R$ 7,5 milhões por dia na bolsa.

Contudo, quando o assunto é valor de mercado (segundo quesito importante para entrar no Ibovespa), Magazine Luiza ainda está bem atrás de seus rivais: a varejista de Franca vale hoje em bolsa cerca de R$ 10 bilhões, bem atrás de Pão de Açúcar (R$ 22,5 bi), Lojas Renner (R$ 23,3 bi) e Americanas (R$ 35 bi).

Segundo o RI da Magazine Luiza, os diversos pedidos de investidores para desdobrar os papéis foram levados em conta para a proposta andar. "A maioria das sugestões foi feita por investidores institucionais, dado que as pessoas físicas acessam muito pouco o canal de RI. Mas os fundos e todos os outros acionistas que fizeram sugestões estavam pensando também no pequeno investidor, no aumento da liquidez e no número de negócios como um todo", explica a companhia.

Chuva de recomendações
Em consonância ao aumento do interesse dos investidores, grandes bancos e casas de análise passaram a cobrir os papéis da companhia. Somente na segunda quinzena de agosto, Bank of America Merrill Lynch e Credit Suisse iniciaram a cobertura para os ativos com recomendação de compra e preços-alvos respectivos de R$ 560,00 e R$ 570,00. Conforme aponta o Credit, o momentum da companhia deve continuar em meio ao sólido crescimento das vendas, desalavancagem decorrente da geração sólida de fluxo de caixa livre e taxas de juros mais baixas, enquanto o BofA ressalta que a companhia está redefinindo as plataformas multicanais, com a sua consolidação devendo levar a um potencial de valorização para os ativos.  

Bradesco BBI e BTG Pactual também revisaram para cima suas projeções para os resultados da varejista, elevando o preço-alvo e mantendo a recomendação de compra.

 

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