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Fitch vê queda no preço dos imóveis por evasão da poupança

A evasão líquida de depósitos de poupança, recorde desde o começo do ano passado, vem desgastando a fonte de financiamentos imobiliários mais barata do país

SÃO PAULO – Devido à menor disponibilidade da principal fonte de recursos para financiamento de imóveis, os preços de imóveis devem cair cada vez mais rápido nos principais mercados metropolitanos do Brasi, acredita a agência de classificação de risco Fitch Ratings.

De acordo com ela, a evasão líquida de depósitos de poupança, recorde desde o começo do ano passado, vem desgastando a fonte de financiamentos imobiliários mais barata do país. Assim, bancos têm restringido a concessão e aumentado as taxas de crédito imobiliário, dificultando o financiamento.

Recentemente, o BC (Banco Central) tem tomado medidas para diminuir as exigências de reservas para depósitos de poupança e aumentar a disponibilidade dos depósitos para financiamentos imobiliários, o que pode, na opinião da agência, trazer alívio temporário ao mercado imobiliário.

Queda dos preços
São diversos os fatores que têm prejudicado o mercado imobiliário brasileiro: crescimento negativo, crescente desemprego e aumento dos níveis de dívida, combinados à inflação e déficits públicos elevados. A Fitch acredita que tudo isso contribui para que os preços médios de oferta de unidades residenciais nas grandes cidades brasileiras diminuíssem a partir de agosto do ano passado.

De acordo com dados do FIPE-ZAP, os preços caíram 4% em termos reais – e, para a Fitch, os preços das transações podem ter caído mais ainda. Em 2014, os novos créditos imobiliários financiados pelo SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos) aumentaram 3,4%, o nível mais baixo desde 2003, e apresentaram queda de 4,6% no primeiro trimestre deste ano.

Uma vez que as taxas das contas de poupança estão limitadas a 6,2% ao ano mais TR (taxa referencial) de 1%, é provável que grandes saques líquidos adicionais de depósitos de poupança aconteçam nos próximos meses.

Financiamentos da Caixa
A Caixa Econômica Federal, responsável por cerca de 60% dos créditos imobiliários não subsidiados do país, diminuiu drasticamente seus limites de LTV (loan to value) de abril para imóveis usados, de 80% para 50% para imóveis - dentro do limite do SFH. Enquanto isso, foca nas concessões de crédito para aquisição de imóveis novos. Além disso, a instituição aumentou duas vezes as taxas de financiamento imobiliário desde janeiro, especialmente para unidades habitacionais mais caras.

Os demais grandes bancos também estão enfrentando disponibilidade reduzida de depósitos de poupança, embora tenham mantido limites em torno de 80%. Entretanto, eles podem ser mais seletivos e têm aumentado as taxas de juro do crédito imobiliário nos últimos meses.

Se os outros credores também reduzirem os limites de LTV para imóveis usados, o menor acesso a financiamentos causaria a redução de preços em aproximadamente 40% para imóveis residenciais já existentes. Caso os bancos não alterarem os limites de LTV, mas a média das taxas de crédito imobiliário atingir 13%, a queda dos preços dos imóveis ficaria em torno de 13 a 14%.

Queda nos preços
Segundo a Fitch, os imóveis localizados no Rio de Janeiro terão queda de preços reais de 20 a 55%. Em outras regiões, o índice é mais baixo, variando de 15 a 50%.

 

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