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Fundos imobiliários: retorno anual só com dividendos chega a 7,4% até maio

70% dos fundos listados em Bolsa entregaram "dividend yield" acima da variação do CDI nos últimos 12 meses

Imóveis
(Shutterstock)

SÃO PAULO – Os investidores de fundos imobiliários tiveram mais razões para comemorar o desempenho da classe de ativos em maio.

Levantamento elaborado pelo InfoMoney com base em dados da Economatica revela que o retorno médio com os dividendos pagos pelos FIIs nos últimos 12 meses chegou a 7,43% em maio, acima dos 7,09% acumulados até abril.

O resultado mostra um maior distanciamento em relação ao CDI, já que 83 de 119 FIIs (70%) entregaram “dividend yield” acima da variação de 6,37% do referencial das aplicações de renda fixa nos últimos 12 meses. Em abril, a amostra com retorno acima do CDI havia sido de 63%.

O número mais recente representa uma mediana dos resultados de 119 FIIs, dos quais sete fundos não distribuíram dividendos no período considerado. Vale lembrar que sobre os proventos não incide Imposto de Renda, assim como acontece com os dividendos pagos por ações.

Do total da amostra, 60 FIIs entregaram retorno com dividendos igual ou acima dos 7,43% até maio.

Confira a seguir os dez fundos com maior retorno com dividendos no intervalo avaliado. Os dados são um retrato do mercado e não são garantia de retorno futuro.

Fundos imobiliários com os maiores dividend yields
Fundo Código Dividend yield em 12 meses até 31/05/2019
Kinea Real Estate KNRE11 18,17%
BC Fund BRCR11 17,25%
RB Capital Desenvolvimento Residencial II RBDS11 16,56%
General Shopping Ativo e Renda FIGS11 13,48%
BB FII Progressivo BBFI11B 13,11%
Edifício Almirante Barroso FAMB11B 13,08%
 UBS (Br) Recebíveis Imobiliários UBSR11 12,31%
Polo FII II PORD11 12,06%
Habitat I HBTT11 11,85%
Fator Verità VRTA11 11,01%
     
CDI   6,37%
Ifix   15,29%

Fonte: Economatica.

Com alta de 1,76% em maio, o Ifix, indicador do desempenho médio das cotações dos fundos imobiliários negociados em bolsa, acumula valorização de 8,55%, em 2019, e de 15,29%, em 12 meses. A rentabilidade do índice incorpora a variação em Bolsa das cotas dos fundos que compõem o Ifix e os rendimentos distribuídos por eles.

Juros em baixa; imóveis em alta

Alexandre Rodrigues, analista de investimentos imobiliários da gestora Rio Bravo, lembra que os fundos imobiliários são precificados de acordo com duas variáveis: taxa de juros e a dinâmica do próprio mercado imobiliário.

Ele nota que as variáveis do mercado, principalmente de lajes corporativas em São Paulo, já têm um ponto de inflexão, diante dos melhores preços obtidos pelos proprietários nas negociações, em meio à redução de oferta e a um aumento de demanda.

“A atividade construtiva está muito mais baixa hoje e faz com que os proprietários tenham um poder de barganha maior. Essa variável tem pouca volatilidade, depende de tempo de construção e demanda por novos projetos e imóveis”, diz.

Já a influência das taxas de juros sobre os fundos imobiliários e sobre o mercado financeiro como um todo está sujeita a maior oscilação, fruto de eventos políticos e econômicos.

Neste ano, em meio à expectativa crescente de queda dos juros, o analista da Rio Bravo vê potencial para um aumento dos preços dos imóveis. Na última semana, o Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, mostrou que o mercado reduziu a projeção para a taxa Selic de 6,50% (patamar atual) para 5,75%, em 2019, e de 7% para 6,50%, em 2020.

“No geral, em mercados sem novas ofertas, com escassez de terrenos e com demanda crescente, como para escritórios corporativos em São Paulo, enxergamos uma melhora significativa de preços de locação”, observa Rodrigues, ressaltando que o movimento vai se traduzir em dividendos mais altos.

A queda da taxa Selic tende a estimular ainda mais o fluxo financeiro para os fundos imobiliários, que se destacam dentre os investimentos mais arriscados por conta de sua volatilidade mais baixa.

Depois das crises enfrentadas em 2015 e 2016, o mercado brasileiro parece ter saído do fundo do poço há algum tempo, diz Carlos Simonetti, diretor de relação com investidores da Capitânia.

Ele vê o momento atual como positivo – com a exclusão de algumas praças, como a do Rio de Janeiro – , com a vacância diminuindo e o poder de barganha para se renegociar aluguéis, aumentando. “Gostamos muito do segmento de shoppings, de lajes corporativas, especialmente em São Paulo, e logístico para aluguel para boas empresas.”

Bruno Nardo, sócio da RBR Asset, avalia que um cenário de longo prazo de juros abaixo de dois dígitos é por si só muito favorável para o mercado imobiliário e, consequentemente, para o segmento de fundos listados.

“Do começo do ano passado para cá, o número de investidores mais do que dobrou”, ressalta Nardo. No período, o total de pessoas físicas com cotas de fundos imobiliários listados na B3 cresceu de nada menos que 126 mil para 317 mil investidores. “Em dois ou três anos, o número de investidores de FIIs tende a ficar muito próximo ou ultrapassar o de ações, até pelo perfil de risco, que é muito maior na Bolsa.”

A ausência de alavancagem nos fundos imobiliários já exclui grande parte das incertezas dos investidores, assinala Nardi, que vê hoje uma demanda crescente por imóveis, ainda não acompanhada pelo ritmo de ofertas.

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