Em gol

Disparada de 20% na semana, mas riscos no radar: o que esperar para a ação da Gol?

Segundo comentou a analista, os bons ventos que têm guiado a Gol para cima - assim como o setor de aviação como um todo -, não devem ser duradouros

logo da Gol sobre céu azul - aviação
(Divulgação)

SÃO PAULO - A Gol (GOLL4) fechou em alta de 20,96% na semana e foi, de longe, o grande destaque de ganhos do Ibovespa no período. Na segunda-feira (16), a companhia registrou uma disparada de 11,60% e, com mais três fechamentos positivos em sequência, saltou em quatro dos últimos cinco pregões. 

Com seus papéis já tendo caído muito nos últimos meses, é fácil imaginar que a empresa está vivendo um ponto de virada e se posiciona agora para decolar. Contudo, para quem está pensando em investir no papel, vale destacar os potenciais riscos que está correndo.

Conforme apontou a analista da XP Investimentos, Bruna Pezzin, no programa "Bê-A-Bá da Bolsa" que foi ao ar na InfoMoney TV na última quinta-feira, bons ventos têm guiado a Gol para cima - assim como o setor de aviação como um todo.

Três fatores principais têm impulsionado esse movimento: (1) a queda nos preços do petróleo, (2) a estabilidade do câmbio e (3) a aquisição de novos jatos pela companhia, levando a uma redução dos custos unitários por assento. Enquanto esses primeiros dois pontos representam uma situação especialmente efêmera e frágil, os efeitos práticos do terceiro só serão sentidos um pouco mais para frente, quando os aviões forem de fato entregues.

O petróleo é tão importante às empresas de aviação porque o combustível representa cerca de 30% de seus gastos totais, apontou Bruna. Em uma semana como esta, que viu os preços da commodity atingindo as maiores baixas dos últimos meses, não surpreende que o setor tenha celebrado bons ganhos.

Contudo, os custos para as companhias seguem pressionados, com 50% destes sendo em dólar (não só de petróleo, mas de manutenção), o que tende a comprimir a margem da Gol se houver um real mais fraco, sendo agravado ainda pelo fato da empresa ter pouca receita indexada ao dólar. Assim, aponta Bruna, há lados positivos para a empresa mas, por outro, há uma pressão cambial muito forte que já deve afetar o resultado da companhia no segundo trimestre, justificando assim uma recomendação neutra para os ativos. 

O analista da Carteira InfoMoney, Thiago Salomão, reforça ainda que a recomendação neutra não quer dizer que uma ação não vai subir ou cair, mas sim que os fundamentos não justificam esse cenário. "Se as coisas derem muito certo no Brasil, o dólar vai para baixo, se o petróleo ajudar melhor ainda, consumo aumenta, então o papel tem muito para andar. Contudo, se houver uma eleição extremamente nebulosa para o futuro do Brasil, o dólar vai para cima, o PIB vai para baixo e esse papel tende a sofrer bastante. Então, quem quiser investir nesse papel tem que saber o risco que está correndo", avalia. 

Confira a análise completa:

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