Em gol

Os 2 fatores por trás da disparada de 13% da Gol hoje - e por que ela pode subir muito mais

Dados prévios do 2° trimestre e uma recomendação de compra para a ação colocam a Gol de volta ao radar dos investidores

Gol Linhas Aéreas - Bloomberg
(Dado Galdieri)

SÃO PAULO - Dados prévios melhores do que o esperado no 2° trimestre e uma revisão para cima de recomendação das ações colocaram a Gol (GOLL4) de volta no radar dos investidores nesta quarta-feira (5). 

Os papéis, que acumulavam queda de 12% em quase um mês, dispararam 13%, a R$ 8,30, fechando na máxima desta quarta-feira (5) e figurando perto do maior patamar em bolsa (R$ 8,33, no dia 7/06) após a "delação bomba" dos executivos da JBS, que jogaram abaixo o mercado de forma geral. 

A euforia dos investidores - que veio acompanhada por um forte volume financeiro movimentado com o papel (R$ 62,8 milhões, contra R$ 13,4 milhões) - ocorre na esteira da divulgação dos dados prévios da empresa no 2° trimestre. A estimativa preliminar e não auditada da companhia aérea é de margem operacional (Ebit) de 1,5% a 2% no trimestre encerrado em junho, excluindo resultados não recorrentes, ante margem negativa de 8,2% no mesmo período de 2016. No caso da margem Ebitda, a projeção para o período é de 6,5% a 7%.

Esse números deram sustentação para uma leitura otimista do mercado. Em relatório, o Bank of America Merrill Lynch revisou para cima a recomendação dos ADRs (American Depositary Receipts) da aérea, que passou para compra. "Em um trimestre sazonalmente fraco e que normalmente vem com margens negativas, a Gol espera margens positivas entre 1,5% e 2,0%, que traz, em nossa visão, um viés positivo para fluxo de caixa e resultado", comentaram os analistas do banco. 

Em comunicado, a Gol também estima um crescimento anual de 7,5% a 8% na receita unitária por passageiro (PRASK) do segundo trimestre, bem como redução de cerca de 4% nos custos unitários excluindo combustíveis. 

Sobre os gastos projetados entre abril e junho deste ano, a companhia cita preço médio de 2,04 a 2,07 reais por litro de combustível, cerca de R$ 240 milhões com arrendamento de aeronaves e despesas não recorrentes de R$ 11 a R$ 15 milhões. 

A Gol reduziu ainda sua dívida total, incluindo arrendamento financeiros e operacionais, em aproximadamente R$ 100 milhões no trimestre.

Por que pode subir muito mais?
No relatório que traz a nova recomendação para os papéis, os analistas do BofA também indicam um novo preço-alvo para os ADRs da companhia de US$ 20,00, o que representa um potencial de valorização 58% frente ao fechamento desta sessão (US$ 12,68). 

Eles comentam que estavam preocupados com a queima de caixa, balanço e alavancagem no 2° trimestre e a notícia de hoje traz mais confiança sobre o "turnaround" e estratégia da empresa.

Os analistas apontam ainda que a ação caiu 21% nos últimos 90 dias, mostrando um desempenho abaixo da média da indústria. Enquanto isso, o câmbio e os preços dos combustíveis continuam a surpreender em grande parte com desvalorização e a indústria com potencial de valorização, comentam. Eles complementam apontando para o fato de que a Gol ter reportado dados melhores do que o esperado em um período sazonalmente fraco ajuda a trazer mais confiança ao case. 

Ainda assim, eles comentam que "o resultado da empresa continua dando aspectos fracos ao case de investimentos da Gol, mas um melhor segundo trimestre nos traz mais confiança. Além disso, os analistas apontam que a Smiles deve trazer um trimestre sólido e, com sua incorporação pela Webjet, que levará a impostos mais baixos, vai significar mais ganhos e mais dividendos para a Gol. Com isso, eles reforçam: "há um atrativo risco-retorno neste momento". 

 

Contato