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"O problema não está na companhia, está no Brasil", diz vice-presidente da Gol

A companhia aérea tem o segundo pior desempenho do Ibovespa em 2015 e para o vice-presidente financeiro da empresa, dólar e PIB são os maiores culpados

avião da Gol 2 - aviação
(Reprodução)

SÃO PAULO - O ano não poderia ter começado pior para a Gol (GOLL4). A companhia aérea amarga um dos piores desempenhos do Ibovespa, com queda que já chega a 46% nestes quase 3 meses, enquanto vê um cenário de dólar alto, o que eleva os custos da empresa e deixa mais delicada a situação de sua dívida. Porém, para Edmar Lopes, vice-presidente financeiro e de relações com investidores da Gol, esse caos não é culpa da empresa.

Em entrevista ao InfoMoney, Lopes disse que o recado da empresa no momento é de serenidade. "A companhia tem um plano e está estruturada. Nós temos mostrado resultado nos últimos anos. O problema não está na companhia, o problema está no Brasil", explica o diretor, fazendo referência ao conturbado cenário político interno, que tem dificultado o mercado em montar suas projeções, sobretudo para o dólar.

"Cenário incerto é o problema. Se amanhã o governo, por hipótese, solta uma lei dizendo que o dólar será de R$ 4 pelos próximos 10 anos, será ruim mas a gente cria um plano. O problema é que hoje ele está R$ 2,50 e amanhã está R$ 3,00. A gente não sabe o que vai acontecer, e fica difícil planejar", afirma Lopes.

Não é só o dólar
Além da alta do dólar - que acaba elevando o preço do combustível das aeronaves -, a expectativa de queda para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2015 é um dos fatores que mais prejudica a empresa. "O Brasil vive um período de instabilidade no que diz respeito ao novo governo, ajuste fiscal e na relação com o Congresso. E nós somos uma indústria que depende muito do PIB: se o País tem um crescimento baixo, isso gera menos oportunidade para o setor como um todo", explica Lopes.

Se não bastassem todas as incertezas citadas, há ainda o fato de que a Gol não sabe direito ainda qual está sendo o impacto do cenário econômico na demanda da companhia. Isso porque entre dezembro e fevereiro a empresa vê uma mudança no perfil de seu consumidor, que deixa de ser corporativo e passa a ser mais voltado para turismo e lazer por conta das férias. É apenas em março que as companhias aéreas podem começar a calcular o quanto a crise financeira está reduzindo suas demandas.

Queda do petróleo tem efeito nulo
Quando se fala nos custos da Gol, o principal item é o combustível das aeronaves. Muitos esperavam que neste segmento, a companhia tivesse uma melhora, já que o preço do petróleo já caiu mais de 50% desde sua máxima alcançada no meio do ano passado, mas isso não refletiu na empresa. Segundo Lopes, quando o petróleo começou a cair, o dólar também subiu, o que acabou anulando qualquer ganho que a companhia pudesse ter.

Além disso, ele explica que há uma defasagem entre a queda dos preços da commodity e o momento em que a Petrobras repassa isso para as companhias aéreas. "O que aconteceu é que até dezembro o querosene de aviação não tinha sofrido nenhuma alteração relevante em relação ao preço que vinha sendo praticado. O primeiro mês que isso ocorreu foi em janeiro", explica.

Segundo Lopes, nos dois primeiros meses desde ano realmente o preço do querosene foi mais baixo, já que o dólar se manteve em um patamar mais estável. Por outro lado, ele acredita que a partir de março o preço deve voltar a subir, já que o dólar registrou forte valorização e isso deve acabar anulando qualquer vantagem do petróleo mais baixo.

Dívidas
Um dos pontos que mais preocupa os investidores é o impacto da alta do dólar nas dívidas da companhia, porém neste sentido Lopes também diz estar tranquilo. "Apesar da maior parte da nossa dívida ser denominada em dólar, ela é de longo prazo. Então não há pressão de refinanciamento de dívida no curto prazo", afirma.

"É assim que a gente estruturou a companhia ao longo dos anos [com dívidas longas]. Com isso podemos enfrentar os momentos de volatilidade. Vai ter aumento de despesas de juros, mas no que diz respeito à necessidade de refinanciamento de dólar não há problema pelos próximos 18 meses a 2 anos", completa Lopes.

Por fim, ele ressalta a ideia de que a companhia está preparada para enfrentar as dificuldades, mas precisa que as dúvidas sobre a economia sejam menores. "Os últimos 3 anos mostram nosso nível de execução de projetos. É que a vida é dura, principalmente para uma empresa que tem a exposição a todos esses fatores externos", afirma.

 

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