Em gafisa

Os fatores que mostram que a ação da Gafisa ainda está cara, apesar da queda de 50% em 2019

Construtora mais uma vez decepciona com resultado negativo - e adia perspectivas dos analistas de uma reviravolta 

Gafisa Vision Paulista - sacada

SÃO PAULO - A sessão desta sexta-feira (29) é positiva para boa parte das ações da B3 em meio ao alívio da tensão política e o ambiente positivo no exterior, mas o mesmo não se aplica para os papéis da incorporadora Gafisa (GFSA3). 

Os ativos GFSA3 registram queda em boa parte do pregão, após mais uma notícia negativa, ainda que não inesperada. A construtora reportou mais um resultado - desta vez do quarto trimestre de 2018 - considerado muito ruim, sendo impactado por uma diversidade de baixas contábeis em valores de terrenos e estoques, reversão de provisões, além do forte endividamento.

A companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 297 milhões, queda de 20% na base anual, enquanto a receita líquida recuou 44%, para R$ 192,9 milhões. Já a margem bruta ficou negativa em 15,4% no quarto trimestre. As despesas operacionais, por sua vez, subiram 67%, a R$ 251,4 milhões. Do total, R$ 112,8 milhões foram de “impairment” do ágio da remensuração da parcela do investimento de 30% em Alphaville e R$ 127,7 milhões, de despesas com demandas judiciais. Essas despesas cresceram 175%.

A Gafisa encerrou 2018 com uma dívida total de R$ 889,4 milhões e, com isso, a alavancagem medida por dívida líquida sobre patrimônio líquido passou de 87,8%, em setembro, para 153%, em dezembro de 2018, impactada pelo prejuízo e pelas baixas contábeis.

Tais dados aumentaram ainda mais o ceticismo do mercado com a companhia, que passou por meses bastante intensos de turbulência com a saída do fundo coreano GWI e as recentes mudanças no comando da empresa.

A gestão da GWI, do investidor Mu Hak, foi curta e marcada por polêmicas. Após assumir o controle da empresa, em setembro de 2018, o fundo demitiu metade dos funcionários, incluindo executivos do alto escalão, como CEO, diretor financeiro e diretor comercial, que foram substituídos por advogadas sem experiência no ramo de incorporação. A nova administração ainda deixou de pagar fornecedores e buscou a renegociação de contratos que considerava pouco vantajosos. A companhia também foi alvo de acusação de desvios de recursos. 

Em fevereiro, houve a saída da gestora para a entrada no controle da companhia de um grupo de investidores financeiros locais em operação intermediada pela corretora Planner. Desta forma, a princípio, em meio à reviravolta, a ação comemorou na bolsa, mas os analistas não estão tão animados ao projetarem uma demora na recuperação da empresa. 

Diante desse cenário complicado, o Bradesco BBI cortou o preço-alvo dos papéis de R$ 11 para R$ 8, reiterando recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado), avaliando que a recuperação operacional deve ser apenas gradual. Hoje, a ação negocia em torno de R$ 8,70.

Os analistas ainda apontam que a recente e agressiva reviravolta na construtora, com "tantas mudanças em um curto período de tempo", levantam incertezas significativas com relação ao futuro dela. 

Os resultados não ajudam. O Credit Suisse avalia que as baixas contábeis e as provisões foram os destaques e que, apesar de o efeito não ser recorrente, erodiram o book value (valor patrimonial) da companhia, atualmente em R$ 490 milhões ante R$ 870 milhões do terceiro trimestre de 2018. A expectativa é de que haja piora nos próximos meses, com o cenário de perdas devendo continuar. 

"Não enxergamos espaço para a empresa voltar a crescer em função da alta alavancagem e ela deve precisar de um novo aumento de capital para voltar a ser rentável", avaliam os analistas do banco suíço.

Assim, nos patamares em que a ação está negociada, os analistas continuam vendo o valuation "esticado" e também reiteram recomendação "underperform" para os ativos.

Com isso, Bradesco BBI e Credit Suisse se juntam a outras três casas de recomendação consultadas pela Bloomberg que possuem recomendação equivalente à venda, enquanto apenas uma casa de análise possui visão neutra para os ativos e só uma recomenda compra.

Mesmo com uma forte queda de 49,47% das ações da Gafisa no ano, enquanto o Ibovespa sobe cerca de 9%, os analistas seguem vendo a ação como cara e aguardam por mais sinais para ficarem positivos com o papel GFSA3. 

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