Em franquias

Diretora da Nutty Bavarian conta como criou uma grande empresa só com nozes

O produto foi levado da Alemanha para os Estados Unidos, mas veio fazer sucesso aqui no Brasil

Adriana Auriemo_Nutty Bavarian
(Divulgação)

SÃO PAULO – Você com certeza já estava passeando pelo shopping e sentiu um cheiro irresistível de nozes glaceadas. Acredite, não foi fácil para a administradora Adriana Auriemo trazer a marca Nutty Bavarian para o Brasil.

Na verdade, para contar essa história de empreendedorismo, a gente precisa voltar um pouco passado. Tudo começou na Alemanha, mas especificamente na região da Baviera, onde surgiu a receita, que foi levada em 1989 para os Estados Unidos pelo norte-americano John Mauter.

Ele largou a carreira e para vender as nozes, em Orlando, na Flórida. Como era chamado de louco por amigos e familiares, logo ganhou o apelido de “Nutty Bavarian”, que em português significa “Bavariano Louco”. Ele apostou no trocadilho com a palavra inglesa "nuts", que também significa grupo de nozes e castanhas, e nomeou seu negócio de Nutty Bavarian.

Logo depois, David Brent, ex-engenheiro da NASA conheceu o negócio e comprou a empresa de John. Para melhorar a empresa, ele desenvolveu uma panela elétrica para torrar e glacear os grãos. Isso possibilitou a venda em quiosques em locais de grande circulação de pessoas e conquistou o paladar dos norte-americanos.

Foi só em 1996, quando estava em uma viagem pelos EUA, que a recém-formada em administração, Adriana Auriemo, conheceu a iguaria. Ela estava assistindo a um jogo de basquete quando sentiu um cheiro adocicado que invadia a quadra. No intervalo da partida ela foi atrás do aroma e pode experimentar pela primeira vez a Nutty Bavarian.

Como já tinha o seu lado empreendedor aguçado – a empresária já havia feito um curso de especialização em franchising no ano anterior e já pensava em abrir uma empresa –, Adriana negociou com o executivo David Brent e conseguiu a licença para trabalhar a Nutty Bavarian com exclusividade na América do Sul.

Junto com a sua tia e investimento de familiares, no mesmo ano, ela inaugurado o primeiro ponto da marca no Brasil para testes. A unidade ficava em Campos de Jordão (SP) e foi um sucesso de aceitação. Pouco tempo depois, a tia dela ficou grávida e deixou a empresa aos seus cuidados.

Na época, o namorado de Adriana – atual marido e diretor da rede –, Daniel Miglorancia, achou uma loucura ela largar a carreira para vender amendoim. “No começo, eu não aprovei a ideia, mas ela tem visão de negócio”, afirma.

Podemos dizer que Daniel “mordeu a língua”. Ele estudava engenharia civil e estagiava na Gafisa quando uma gerente da Nutty se mudou para Brasília. “A Adriana precisava de ajuda na organização, coisa que eu gostava de fazer e fui ajudá-la”, conta.

Depois de ver que o produto fazia sucesso, a empreendedora enfrentou alguns desafios: conseguir entrar nos shoppings centers e explicar para os consumidores o que era o produto. A questão do shopping foi resolvida graças a um amigo que tinha participações no Shopping Penha e conseguiu um espaço no corredor para a Nutty.

Já o conhecimento dos consumidores foi algo que precisou ser bem trabalhado. Primeiro, a palavra “nuts” – como é chamada a família das amêndoas, nozes, castanhas, amendoim, pistache e avelã –, não possui tradução para o português. Então, Adriana encheu um pote de vidro com "nuts" e saiu perguntando para as pessoas o que era aquilo. “As respostas foram as mais variadas, foi então que eu percebi que tinha que criar uma identidade para a marca. Além disso, as pessoas não comiam nozes normalmente, era um produto consumido somente no Natal”, explica.

Também foi necessário “tropicalizar” o cardápio: além das tradicionais amêndoas, nozes, pecan, amendoim, pistache, avelã e castanha de caju, foram acrescentadas castanha do Pará e macadâmia – a favorita dos consumidores.

Não só trabalhar com os consumidores, a empresa também teve que modificar os shoppings, pois na época não era comum ter quiosques nos corredores. Outra atenção que se teve foi com o cheiro típico da Nutty Bavarian; apesar de muitos acharem o aroma adocicado bom, muitos lojistas reclamam do cheiro frequente. Por isso, eles precisaram desenvolver um sistema de exaustão para as unidades que não deixasse o cheiro se propagasse tanto.

Depois do Shopping Penha, eles conseguiram espaço nos shoppings SP Market e Ibirapuera. Além disso, passaram a participar de feiras de franquias. Hoje são 112 unidades, sendo 10 próprias, em vários estados; e a empresa ainda tem pontos de revenda em escolas, cafeterias, aeroportos e rodoviárias, fechou parceria com a rede de cinemas Cinemark e realiza eventos com produtos e brindes personalizados.

A empresa adota três modelos de quiosques: o tipo Standard, que apresenta taxa de franquia a partir de R$ 70 mil; o Deluxe, que tem tamanho médio e taxa de franquia de R$ 75 mil; e o formato Premium, com taxa de franquia de R$ 80 mil.

Além disso, o casal visa no melhor atendimento possível ao franqueado, como ajuda na gestão, guia de 10 passos para abrir uma franquia, reciclagem e treinamento de funcionários regularmente, visita aos pontos de vendas, análise de resultados mensais e oferecem até uma marcenaria interna que pode adaptar os quiosques de acordo com o ponto. Recentemente, a Nutty passou a oferecer uma espécie de test drive para os interessados em abrir uma franquia: é um quiosque, alugado pela franqueadora pelo prazo máximo de três meses, que permite ao futuro franqueado ver se o ponto é lucrativo e se gosta do negócio.

“Temos muitos franqueados interessados em abrir novas unidades, mas para acabar com as dúvidas, o programa tem se tornado uma importante ferramenta de decisão”, afirma a diretora. E são muitos interessados mesmo. A lista de espera para abrir uma unidade é de mais de 100 pessoas.

Mas toda a rigorosidade e cuidado com os franqueados geraram frutos: desde 2006 que a Nutty Bavarian recebe o prêmio de excelência da ABF. “O objetivo do franqueador é que o franqueado faça sucesso”, afirma Daniel.

A meta é expandir para 150 franquias em 2015 e nos próximos cinco anos ter de 300 a 400 pontos de vendas. Além disso, eles têm planos de cruzar as fronteiras e investir na Europa e Ásia; outro objetivo no exterior é padronizar as lojas dos Estados Unidos – apesar de a empresa ser norte-americana, lá as pessoas recebem a concessão de vender o produto e a marca não está atrelada a isso, ou seja, existem Nutty Bavarians de tudo quanto é jeito no país, tanto que hoje, a rede de franquia brasileira é mais desenvolvida.

A maior dificuldade da empresa é levar o consumidor a querer uma Nutty. Atualmente, o consumo dos clientes da companhia é por impulso, mas eles estão com um trabalho de marketing para mostrar que os produtos duram de 10 dias a seis meses, dependendo da embalagem, e que ele pode ser consumido em casa ou ser dado de presente para alguém.

A dica da Adriana para quem quer empreender é fazer o que gosta, estudar o mercado, o potencial e se o negócio é escalável. “Qualquer empreendedor vai fazer melhor se a empresa se encaixa no estilo de vida, por isso, tente encontrar aquilo que te faz vibrar. Nem sempre você vai viver fazendo o que você ama, mas com certeza isso ajuda a alcançar os seus sonhos”.

 

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