Em eztec

"É o período mais complexo da construção dos últimos 30 anos", diz diretor de RI da Eztec

Em conversa com o InfoMoney, ele disse que, enquanto o "marco regulatório" dos distratos não for resolvido, não haverá novos investimentos no setor

SÃO PAULO - "Ser conservador no nosso setor, da maneira como o Brasil é administrado, é um prêmio muito grande", disse o diretor de RI da Eztec (EZTC3), Emílio Fugazza, quando questionado, em entrevista ao InfoMoney, sobre qual foi a maior lição que a crise vivida nos últimos anos pelas construtoras deixou. A conversa foi transmistida ao vivo na última quinta-feira na InfoMoneyTV

Segundo ele, "esse, seguramente, é o período mais complexo da construção dos últimos 30 anos, tanto no âmbito econômico quanto regulatório", embora acredite que o seu pior momento da Eztec já tenha passado, em referência ao balanço do 3° trimestre de 2016, quando a empresa surpreendeu o mercado ao mostrar vendas líquidas negativas (que ocorre quando o número de distratos é maior do que o de vendas). 

Apesar de ressaltar um quadro econômico e político melhor no País, Fugazza ressalta que, hoje, o grande problema do setor reside na incerteza regulatória dos distratos. "O que assustou todo o setor é que o poder judiciário iniciou uma dinâmica de devolução de valores aos clientes muito próximos aos que eles tinham pago e em alguns casos até superiores. É como se o cliente tivesse sido premiado por fazer aquele distrato e isso assustou completamente o incorporador. Enquanto o marco regulatório do distrato não for resolvido, não ocorrerá novos investimentos no setor", comentou. 

Com isso, ele acredita que as incorporadoras - incluindo a Eztec - terão que se "reinventar" em 2017, com empreendimentos menores. "Como é uma situação de absolutamente insegura, a cabeça do empreendedor está em lançamentos pequenos, com poucos apartamentos e voltados para um público muito específico. Mas essa não foi a história dos últimos 10 anos de 'boom' imobiliário, a história foi que passamos a entender e fazer de maneira mais eficaz empreendimentos voltados para a classe média, classe média baixa. Mas enquanto não tiver um 'marco regulatório', esse tipo de empreendimento, que é na verdade aquilo que gera riqueza, que é de escala, a gente não tem coragem de fazer", comentou.

Confira abaixo a entrevista na íntegra com o RI da Eztec:

BLOCO 1: O pior da crise das construtoras ficou para trás?

BLOCO 2: O pesadelo dos distratos: por que as construtoras ficaram tão expostas a isso?

BLOCO 3: Como a Eztec está se preparando para a retomada do setor?

BLOCO 4: Quais lições a crise deixou e os desafios para 2017?

 

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