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Estácio mostra que pode brilhar sem Kroton, surpreende o mercado e ação sobe 10%; mas isso não é o suficiente

Após forte resultado do 2° trimestre, BofA decidiu elevar a ação para compra; BTG Pactual e Citi Corretora ainda se mantêm cautelosos com o papel 

Estácio - Fachada - Campus Tom Jobim
(Divulgação Estácio)

SÃO PAULO - As ações da Estácio (ESTC3) disparam nesta sexta-feira (28) após resultado surpreendente no 2° trimestre deste ano. A empresa viu seu Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) subir quase seis vezes na comparação com o mesmo período do ano anterior, para R$ 254 milhões, superando e muito as projeções do mercado. O consenso da Bloomberg apontava para o valor de R$ 170 milhões.

Às 16h20 (horário de Brasília), os papéis da companhia subiam 10,42%, a R$ 18,92, depois de alcançarem na máxima do dia ganhos de 11,47%, a R$ 19,15. O volume financeiro movimentado com o papel atingia R$ 375 milhões, contra média diária de R$ 29,5 milhões dos últimos 21 pregões. 

Enquanto isso, seus pares na bolsa operavam entre perdas e ganhos. A Kroton (KROT3, R$ 15,09, -0,40%) caía pelo sexto pregão seguido, acumulando no período queda de 2,5%. Já a Anima (ANIM3, R$ 16,83, +2,12%) e Ser Educacional (SEER3, R$ 26,36,  +1,11%) registravam alta nesta sessão. 

Vale menção que a euforia em torno das ações da Estácio não é de hoje. No mês, os papéis da companhia disparam 26,74%, enquanto Kroton aparece quase estável, Anima sobe 3,6% e Ser Educacional avança 7,5%. 

O que agradou tanto o mercado?
Dos quatro relatórios de bancos compilados pelo InfoMoney, Bank of American Merrill Lynch, BTG Pactual, Santander e Citi Corretora ressaltaram números muito fortes no 2° trimestre, bem melhores do que o esperado. 

Não foi apenas o Ebitda: a receita líquida subiu em 9,3% no trimestre, para R$ 913,4 milhões, impulsionada por dois fatores: 1) melhor controle de evasão de alunos de ensino à distância (que recuou em 35,8%, representando agora 12% da base); 2) salto no ticket médio de 11,7% no presencial e 27,8% no ensino à distância, ressalta o BTG Pactual.

Destaque também para o controle de custos de serviços no período, aponta o BofA e BTG, que reduziu em R$ 35 milhões, apresentando um ganho de margem de 8,7 pontos percentuais quando comparado ao mesmo período do ano passado, principalmente em função da redução de R$ 32 milhões em custo de pessoal. Uma melhora que contribuiu para o Ebitda de R$ 254 milhões e margem Ebitda (Ebitda/Receita Líquida) de 27,8%, ganho de 22,6 p.p. em relação a 2016. O lucro líquido foi de R$ 166,3 milhões no período (58% acima do consenso do mercado), contra prejuízo de R$ 19,9 milhões um ano antes.

Passado o 2° tri, o que temos pela frente?
Embora a leitura positiva sobre os números do 2° trimestre tenham sido uma unanimidade entre os analistas de mercado, o cenário que se traça daqui para frente ainda é cheio de incertezas, ainda penalizado pela recente decisão do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) de barrar a união com a Kroton.

Enquanto o BofA optou por revisar a recomendação da ação de neutra para compra, o BTG Pactual e Citi ainda apontam para um ambiente que requer cautela. Já o Santander diz apenas que o resultado do 2° trimestre reduz as preocupações do mercado sobre a Estácio ser agora uma companhia "sozinha". 

Na análise do BofA, os analistas comentam que acreditam que o forte "momentum" para os ganhos da Estácio devem continuar e que a história de fusões e aquisições não deve ter chegado ao fim, podendo ainda oferecer suporte para as ações no médio prazo. "Com as novas estimativas, a Estácio negocia a 9 vezes o P/L (Preço sobre o Lucro), abaixo da Kroton a 12 vezes, se mostrando com um valuation atrativo", comentam. A projeção do LPA (Lucro Por Ação) da companhia foi elevada em 67% pelo banco para 2017, indo de R$ 1,15 para R$ 1,92. Além de revisarem a recomendação, os analistas do banco elevaram o preço-alvo do papel de R$ 16,00 para R$ 21,00.

Por sua vez, o BTG Pactual diz que, apesar dos bons resultados, o case ainda traz algumas dúvidas estruturais, principalmente relacionadas à necessidade marginal da empresa de ajustar sua estrutura de custos e despesas após a decisão negativa do Cade sobre a fusão com a Kroton. 

A Citi Corretora preferiu manter a recomendação neutra/alto risco para a ação, em meio à visão cautelosa sobre o quanto a surpresa reportada nesse trimestre deve se manter nos próximos, dada a baixa visibilidade de orientação da administração.

 

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