Em equatorialenergia

Por que 10 entre 10 gestores adoram essa empresa do setor elétrico?

Qualidade de gestão é um grande diferencial; recente queda ofereceu uma boa oportunidade de compra

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SÃO PAULO - A decisão da tomada de investimento não é uma tarefa fácil. Independente da escola de análise, a construção de uma carteira de investimento envolve muito estudo e importantes renúncias, já que comprar todas as ações negociadas em bolsa extrapola (em muito) a definição de diversificação. Porém, existem empresas que são "marca registrada" nos portfólios pela qualidade de seus ativos e a competência de gestão: um grande exemplo disso é a Equatorial Energia (EQTL3).

A Equatorial é uma holding que atua no setor elétrico e seu core business é o ramo de distribuição, que corresponde a 95% do resultado. As receitas são geradas essencialmente a partir de duas operações: 

i) Cemar (Companhia Energética do Maranhão): que é a única concessionária de distribuição de energia elétrica no Maranhão e atende cerca de 7 milhões de habitantes;

ii) Celpa (Centrais Elétricas do Pará): concessionária localizada no estado do Pará e que atende 8 milhões de habitantes;

Justamente essa concentração no setor de distribuição que os gestores exaltam e faz da empresa uma das "queridinhas" do setor elétrico.

Só elogios
"A empresa atua em distribuição de energia, o que é um monopólio em cada região do Brasil, pois você não abre concorrência para saber qual energia é melhor usar na tua casa, você usa aquela que já é entregue", destaca Pedro Sales, responsável pela análise de renda variável da Verde Asset. A característica do business também é elogiada pelo time de análise da Apex Capital, fundo de investimento com patrimônio líquido de R$ 4 bilhões e capitaneado por Paulo Weickert: "gostamos do business de distribuição no Brasil. Acreditamos que o segmento tem condições de trazer crescimento, tanto orgânico, como através de consolidação via Fusões & Aquisições, com boas taxas de retorno".

Obviamente, tirar proveito de vantagens competitivas não é algo automático e depende de uma boa gestão, característica que sobra para Equatorial: "boa gestão significa bom resultado no setor de distribuição. E a Equatorial tem um histórico incrível. Desde 2004, ela transformou a Cemar de uma empresa praticamente quebrada em uma das melhores empresas do Brasil. É uma história de sucesso que completa 13 anos agora. Temos ainda o caso da Celpa, que ainda não é uma super história de sucesso mas já teve uma melhora muito significativa (...) claramente esse resultado é porque a gestão da empresa é excepcional e não é um resultado que eu avalio como pontual que vai mudar meu ponto de vista", exalta Sales.

O time da Apex também ressalta o posicionamento da Equatorial, assim como a capacidade do management em termos de alocação de capital, principalmente quando se trata da atuação nos últimos leilões de transmissão. Em abril, a empresa arrematou um lote de linhas de transmissão no estado do Pará com deságio de 9,5%, fator que foi exaltado pelos analistas do fundo de investimento. Segundo o time, a empresa conseguiu "retornos bastante atrativos".

A atuação da empresa nos leilões também é bastante elogiada por Gustavo Heilberg, sócio-fundador do fundo HIX Capital: "no final do ano passado e no início desse ano, a empresa saiu vencedora de 8 lotes nos leilões de linhas de transmissão. Apesar do mercado já esperar que a companhia fizesse lances por alguns trechos, a quantidade de lotes vencedores e as condições obtidas surpreenderam positivamente". Para provar a confiança na empresa, a maior posição do fundo atualmente é em Equatorial.

Caiu, comprou!
Por conta de todas essas características, a temporada de resultados costuma ser comemorada pelos investidores, pois sempre há expectativas por bons números da empresa. Porém, como "ninguém é de ferro", a Equatorial apresentou um resultado aquém do esperado no primeiro trimestre deste ano (mais informações neste link), prejudicada por menores vendas e aumento de custo. Mas isso não intimidou os gestores.

No dia 10 de maio, quando foi divulgado o resultado, a empresa recou 4% e a correção prosseguiu no fatídico dia 18 de maio, quando o mercado derreteu com a divulgação dos áudios dos donos da JBS. No final das contas, o papel recuou 7% naquele mês, chegando a marcar queda de 15% no pior momento, quando marcou mínima em R$ 49,00. Depois do tombo, a ação se recuperou em junho (+1,46%) e até o último fechamento acumula alta de 2,2% em julho.

Para o time da Apex, a queda ofereceu uma nova oportunidade de entrada, vide que o papel estava negociando "abaixo de patamares históricos de valuation". Apesar de esperarem mais um trimestre de fracos resultados, os analistas estão confortáveis e esperam por uma recuperação no longo prazo: "ainda vemos algumas assimetrias positivas em termos de crescimento inorgânico ao longo dos próximos anos".

Essa é a mesma percepção de Pedro Sales: "o resultado não mudou minha percepção de longo prazo da empresa, minha visão não foi alterada mesmo com os números abaixo do esperado pelos analistas do “sell side”. O importante em todo resultado é analisar se ele vai mudar o longo prazo da empresa. E, nesse caso da Equatorial, não mudou".

Portanto, esse período de turbulência que a companhia está passando não deve ser visto com desconfiança pelo investidor, já que ela mostrou ao longo dos anos capacidade para entregar bons resultados. Assim, as ações ordinárias da Equatorial podem ser uma boa alternativa para aqueles que querem encarteirar uma empresa premium do setor de energia.

 

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