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Embraer lança o P600 AEW, primeiro jato militar depois da Boeing-Brasil

Avião de alerta antecipado é equipado com um radar de alta resolução para monitorar o tráfego aéreo

Embraer P600 AEW
(Embraer / Reprodução)

O primeiro produto militar da Embraer Defesa e Segurança (EDS) lançado depois da criação da Boeing-Brasil Commercial, empresa resultante da compra da divisão comercial da Embraer pelo grupo dos Estados Unidos, será apresentado nesta terça-feira, 18, em Paris, no Salão Aeronáutico de Le Bourget.

O P600 AEW, avião de alerta aéreo antecipado e inteligência, é um jato de porte compacto, com alcance na faixa de 7,5 mil km. Será montado sobre a plataforma do biorreator executivo Praetor 600, de 12 lugares, mostrado ao mercado de aeronaves corporativas há sete meses.

Hoje, na França, a EDS e a israelense Elta Systems, assinarão o acordo de desenvolvimento que permitirá o uso de sistemas eletrônicos e digitais de 4ª geração.

O principal deles é um radar de múltiplo emprego do tipo AESA (Digital Active Scanned Array), capaz de cobrir o campo de ação de 360 graus em menos de 10 segundos, com sistemas de identificação amigo/inimigo. A antena será montada em um casulo sobre a fuselagem.

O avião também possuirá sistemas SIGINT (para coleta e inteligência de sinais), ESM (detecção e interferência em outros radares) e datalink (para a integração de dados com outras plataformas, como bases em terra, navios e outros aviões). 

Segundo Jackson Schneider, presidente da Embraer Defesa, "o P600 AEW pode atender ao crescente mercado de capacidades de inteligência, vigilância e reconhecimento em países que exigem soluções economicamente viáveis".

O preço do novo avião militar será definido de acordo com as especificações para atender as necessidades de cada cliente. A versão civil é cotada a US$ 21 milhões, mas o P600 AEW deverá custar muito mais: um concorrente de porte parecido, o Gulfstream/IAI G550 AEW&C, foi vendido recentemente para a Itália por US$ 375 milhões cada. 

Schneider diz que, entre as virtudes da aeronave, estão "o alto desempenho e a flexibilidade para cumprir missões de defesa e de segurança interna".

O acordo entre a EDS e a Elta, subsidiária da Israel Aerospace Industries (IAI), estabelece que sairão da indústria brasileira o jato, os recursos de terra e os sistemas de comunicação e integração. Os israelenses fornecerão o radar de alerta antecipado, mais os sensores de coleta de informações, vigilância e inteligência.

A plataforma vai trabalhar com um amplo conjunto de aplicações, usualmente encontradas apenas em modelos de grande porte.

Os aviões de alerta aéreo antecipado (AEW) geram imagens situacionais do espaço aéreo em áreas fora da cobertura dos radares terrestres. Eles detectam, rastreiam e identificam alvos em uma ampla faixa de altitude. 

Os consoles de bordo permitem a execução de missões variadas: fornecimento de imagens de situação, defesa aérea, reconhecimento marítimo, defesa terrestre. Faz a detecção de ameaças, atua como base aerotransportada de comando e controle com cobertura além do horizonte por meio de sinais de satélite.

O Prateor 600, sobre o qual a EDS vai montar o P600, é um jato bimotor de 20,7 metros, operado por dois tripulantes. Voa a 863 km/hora e tem autonomia intercontinental. Leva de 8 a 12 passageiros, além de 1,4 toneladas de carga. Faz parte da linhagem da família Legacy de jatos executivos. Até janeiro desse ano haviam sido entregues 111 unidades. O primeiro protótipo voou em novembro de 2012.

O P600 AEW não será a primeira aeronave do tipo feito pela Embraer: no final da década de 1990, a empresa desenvolveu o EMB-145 AEW&C (também baseado num jato comercial, maior que o Prateor) com relativo sucesso, com unidades encomendadas pelas forças aéreas da Índia, Grécia e México, além do Brasil.  

A área militar da empresa, que permanece sob controle brasileiro, também tem no portfólio o turboélice de treinamento e ataque leve Super Tucano (em operação em 18 países, inclusive nos EUA, onde é fabricado sob licença) e o cargueiro militar KC-390, maior avião projetado e construído no Brasil. 

Na última segunda-feira, 17, a Embraer divulgou ter assinado contrato com a United Airlines para a venda de até 39 jatos E175, pelo valor de US$ 1,9 bilhão.

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Com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

 

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