Em embraer

Ação da Embraer cai após primeiro prejuízo anual em duas décadas - mas analistas estão otimistas

Mercado segue de olho nos benefícios da parceria com a Boeing depois de um 2018 complicado

Embraer - Jatos E175
(Divulgação/Embraer)

SÃO PAULO - Números fracos, mas esperados. A Embraer (EMBR3) registrou um prejuízo de R$ 78,1 milhões no quarto trimestre, revertendo um lucro líquido de R$ 132 milhões apresentados no mesmo período de 2017. Com isso, as ações EMBR3 registram queda de cerca de 2%. 

No ano de 2018, a fabricante de aviões fechou com prejuízo líquido atribuído aos acionistas de R$ 669 milhões, revertendo lucro líquido de R$ 850,7 milhões em 2017, enquanto o prejuízo líquido ajustado foi de R$ 224,3 milhões. Esse foi o primeiro resultado negativo anual da fabricante de aviões em duas décadas em meio a entregas decepcionantes e várias despesas pontuais.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) ficou 2% abaixo do consenso, totalizando R$ 171,3 milhões.

Conforme destaca o Bradesco BBI, os resultados foram impactados por despesas não-recorrentes e a compressão de margem na aviação comercial, o que também levou a uma queda de 3% da receita na base de comparação anual.

Já o Ebitda foi negativamente afetado por: 1) uma redução de expectativas de vendas de US$ 61 milhões do Lineage 1000, da área executiva; 2) revisões nas bases de custo para o KC390 (que teve um incidente em maio de 2018); e 3) compressão de margem na aviação comercial devido à entrega do modelo de jatos E175 com desconto. Enquanto isso, o prejuízo foi acima do consenso em meio às maiores despesas financeiras líquidas, além do desempenho operacional mais fraco.

Vale destacar que a Embraer havia reduzido, em janeiro, sua previsão de entregas de jatos executivos para 2018 de um intervalo entre 105 a 121 aeronaves para 91 unidades, o que acabou se confirmando. Já no segmento comercial, a empresa fez a entrega de 90 unidades, dentro do esperado entre 85 e 95 aeronaves.

Contudo, nem todas as notícias são ruins para a companhia, ressalta o Bradesco BBI. Há dois pontos positivos: o aumento do fluxo de caixa livre, passando de US$ 402 milhões nos últimos três meses de 2017 para US$ 422 milhões em 2018 e a melhora gradual da margem de operações do segmento de aviação, que passou de 0,8% para 2% no período de um ano.

Os analistas apontam que a deterioração da margem operacional na aviação comercial não altera o acordo com a Boeing para criar uma joint venture para jatos regionais. Os termos da transação, que incluem o preço de aquisição de US$ 5,26 bilhões, não serão alterados.

Enquanto isso, com a melhora da lucratividade no segmento de aviação executiva e como parte dessa estratégia de recuperação, a Embraer lançou novos jatos executivos em 2018, o Praetor 500 (porte médio) e o Praetor 600 (porte super médio), com entregas antecipadas a partir de 2019. "Acreditamos que os novos produtos e o foco na lucratividade podem se traduzir em novas operações de expansão de margem nos próximos trimestres", avaliam os analistas. 

Falando sobre Boeing, a parceria com a companhia americana - que atualmente enfrenta uma grande crise de credibilidade após o segundo acidente em cinco meses com o modelo 737-8 Max - segue sendo um dos temas de destaque para os investidores. 

Em teleconferência de resultado, a brasileira reiterou que os problemas que a Boeing vem enfrentando com o modelo 737 Max não afeta os planos da companhia. "Não tem conexão com a Embraer e não afeta a parceria estratégica com a Boeing", disse Nelson Salgado, diretor financeiro da Embraer. 

As ações da fabricante de aviões dos Estados Unidos caíram mais de 10% nesta semana, depois que um segundo acidente levou as companhias aéreas de todo o mundo a suspender voos com a aeronave e colocou em risco US$ 600 bilhões em encomendas.

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Cabe ressaltar que, pelo acordo feito entre a Embraer e a Boeing, a aviação comercial foi segregada numa empresa que vem sendo chamada de NewCo, controlada pela Boeing. As divisões de aviação executiva e de defesa ficam com a Embraer S.A., que será dona de 20% da NewCo. De acordo com Salgado, a receita voltará a crescer assim que a parceria com a gigante aeroespacial norte-americana Boeing esteja totalmente formada.

Os acionistas da Embraer aprovaram acordo para construir aviões comerciais de menor porte com a Boeing no mês passado, mais de um ano após a divulgação das negociações. O acordo, que inclui uma parceria menor para comercializar o novíssimo avião de carga militar KC-390, está sujeito à aprovação regulatória no Brasil, nos EUA, na Europa e na China, entre outros países.

O CFO da companhia ainda destacou que as entregas ficaram abaixo das expectativas da própria empresa, mas espera recuperação em 2019. "Não é preocupante. As receitas devem crescer este ano", afirmou Salgado.  

Tendo esse cenário no radar, o Bradesco BBI mantém a classificação de Outperform e o preço-alvo de US$ 31 por ADR (American Depositary Receipt) da companhia, tendo em vista a perspectiva de que as duas joint ventures com a Boeing (aviação comercial e a KC390).

"A nossa classificação de outperform é baseada em: 1) atrativo potencial de valorização de 58%; 2) o preço atual da ação refletindo já um cenário negativo; 3) expectativa de novos pedidos para o KC390 e Super Tucanos; e 4) o dividendo especial de US $ 1,6 bilhão pode ser revisado para cima com custos de separação e despesas tributárias menores do que o esperado", avaliam os analistas do Bradesco BBI.

Os números do quarto trimestre foram "fracos, mas já antecipados" pelas declarações recentes e o guidance revisado, escreveu, Lucas Marquiori, analista do Safra, em relatório. "Continuamos a ver o desenvolvimento de negócios da Boeing como o principal condutor das ações", disse ele.

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(Com Bloomberg)

 

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