Em eletrobras

"Efeito Jaiminho" faz Eletrobras sair de disparada de 6% na Bolsa para queda

Fontes do governo de transição dizem que o deputado federal Jaime Martins (PROS-MG) foi convidado para a presidência da estatal - e isso não agradou o mercado

linhas de transmissão de energia elétrica 2
(Thinkstock)

SÃO PAULO - As ações da Eletrobras (ELET6; ELET3) foram do céu ao inferno em apenas algumas horas do pregão desta sexta-feira (23). O otimismo começou no comando do dia com o adiamento do leilão da Amazonas Distribuidora e com a sinalização de que o atual presidente Wilson Ferreira Júnior deveria continuar na companhia.

Os investidores comemoraram com a valorização de 6,85% das ações ordinárias e de 5,14% das preferenciais. Contudo, por volta das 10h50, os papéis amenizaram fortemente os ganhos e passaram a operar em território negativo.

Os ativos ordinários caíram 0,45%, a R$ 24,57, enquanto os ativos preferenciais registraram baixa de 0,61%, a R$ 27,65. 

Veja a forte movimentação das ações preferenciais durante a manhã, com uma queda de 6% em cerca de uma hora:

elet6

Os ativos devolveram toda a empolgação do início do dia com rumores sobre o possível ministro de Minas e Energia na gestão de Jair Bolsonaro (PSL). De acordo com agência especializada Infra, que ouviu fontes do governo de transição, o deputado federal Jaime Martins (PROS-MG), conhecido como "Jaiminho", - que não estava entre os mais cotados para o cargo -, foi convidado para ser ministro.

No início da semana, os nomes que eram ventilados para o mercado eram o do ex-secretário-executivo do ministério, Paulo Pedrosa, que se posicionou a favor da privatização da Eletrobras durante a sua permanência no governo Michel Temer, além do diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), Adriano Pires. O nome do novo ministro acabou deflagrando uma disputa política.

Assim, a possível nomeação do deputado, pouco conhecido entre especialistas do setor, para o ministério causou uma forte reação nos ativos. Contudo, o analista da XP Research, Gabriel Fonseca, destaca o que pode ter sido uma reação exagerada do mercado: "o nome não foi confirmado ainda. Acho que tem muita coisa para rolar ainda nessa questão", destacando ainda que o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, pode interferir nessa escolha. 

Vale ressaltar que, segundo o Estadão, Guedes indicou a Bolsonaro a permanência de Wilson Ferreira Jr. à frente da Eletrobras. A interlocutores, Guedes disse que aprova o trabalho de Ferreira na presidência da estatal. Bolsonaro, porém, ainda não bateu o martelo, informa o jornal.

Em nota enviada ao InfoMoney, a assessoria de imprensa do deputado informou que "não existe nenhum convite oficial para o cargo de Ministro de Minas e Energia até o momento". 

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Mais cedo, além da notícia sobre a possível permanência de Ferreira Júnior no comando da Eletrobras, o mercado tinha se animado com a alteração da data do leilão da Amazonas Distribuidora para 10 de dezembro, levando a expectativas de melhorias adicionais nos termos do leilão do governo federal a fim de facilitar a privatização. Porém, os rumores sobre os ministérios acabaram se sobrepondo às notícias positivas no início do pregão. 

Para o analista, a reação negativa do mercado financeiro eventualmente pode pesar sobre a decisão final de Bolsonaro. Até lá, as ações devem sofrer forte volatilidade, já que está a mercê de diversas decisões em Brasília - descoladas de seus fundamentos. Será preciso acompanhar o noticiário de perto. 

 

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