Em eletrobras

Nas sombras da Lava Jato, Eletrobras promove varredura interna para evitar o pior

Com ações negociadas na Bovespa e em Nova York, a companhia tem a necessidade de se adequar às legislações brasileira e americana, como no caso das regras anticorrupção de ambos os países

Linhas de transmissão
(Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

SÃO PAULO - Enquanto o foco principal de imprensa e sociedade paira sobre as descobertas da operação Lava Jato em relação ao esquema de corrupção que ocorre dentro da Petrobras (PETR3; PETR4), envolvendo funcionários do alto escalão, políticos e grandes empreiteiras nacionais, outra companhia estatal trabalha para tirar o passado a limpo e evitar que desvios éticos graves se repitam. Também alvo de esquemas de corrupção com muitas semelhanças ao que foi descoberto pela Polícia Federal na petrolífera nacional, a Eletrobras (ELET3; ELET6) vive um momento delicado no mercado, em que tenta recuperar a credibilidade perdida frente aos investidores.

Com ações negociadas na Bovespa e em Nova York, a companhia tem a necessidade de se adequar às legislações brasileira e americana, como no caso das regras anticorrupção de ambos os países. Para atender às demandas dos órgãos reguladores dos dois mercados - CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e SEC (Securities and Exchange Commission) -, a estatal contratou dois escritórios especializados que começaram a tratar de investigar internamente irregularidades praticadas nos últimos anos: nos Estados Unidos, a Eletrobras fechou contrato com o escritório Hogan Lovells, enquanto no Brasil chamou a WFaria Advogados. Figura nas exigências da autarquia americana a entrega de material diagnosticando as irregularidade, precificando-as e propondo práticas para evitar que os mesmos problemas se repitam.

Os responsáveis pelas investigações dizem que os trabalhos ainda estão em etapa inicial, mas que a comissão formada por ambos os escritórios está averiguando todos os detalhes de como foram firmados contratos com empreiteiras e como os projetos foram remunerados. Muitas empresas envolvidas no esquema de propina também aparecem no caso da Petrobras, bem como as estratégias para a prática dos desvios e o envolvimento de nomes do meio político. Como ficou evidenciado com as investigações recentes, a nomeação de cargos específicos dentro dessas empresas estatais é componente chave para uma compreensão mínima do cenário de ilícitos orquestrados.

Conforme apontou a agência de notícias Reuters em reportagem, qualquer descoberta de práticas de corrupção poderia trazer impactos inclusive no atraso da conclusão de novas barragens, em um momento de crise energética no País. Contratos firmados recentemente ou que seriam firmados no futuro podem ser afetados a depender da gravidade das descobertas. De acordo com o TCU (Tribunal de Contas da União), a construção de barragens são menos supervisionadas que os contratos da Petrobras, apesar de os custos previstos terem mais que duplicados ao longo do tempo. Algumas concessionárias alegam efeitos da inflação sobre o incremento dos custos das obras.

As investigações internas já começaram, mas prometem longo caminho até que se chegue a conclusões - e que se saiba se as propostas de cobertura de danos a acionistas, juntamente com os planos preventivos para o futuro, serão suficientes para a volta da tranquilidade perante a SEC, a CVM e os mercados brasileiro e americano. Em meio às dificuldades, a Eletrobras já pediu adiamento do prazo para a entrega do formulário 20-F às autoridades americanas por duas vezes, tentando ganhar tempo para apresentar um material mais qualificado e evitar novas dores de cabeça. No momento, os escritórios contratados estão verificando documento a documento, vírgula por vírgula para não deixar passar nada. Resta saber se a companhia terá dias melhores no futuro.

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