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Comparando empresas: entenda os indicadores fundamentalistas

Indicadores e múltiplos fundamentalistas podem ajudar a detectar empresas caras ou baratas no mercado

SÃO PAULO - A análise fundamentalista adiciona o componente preço aos indicadores financeiros da empresa. Isso porque os múltiplos de mercado em que se baseia são calculados a partir da relação entre o valor de mercado da empresa e os elementos de seu demonstrativo financeiro.

Para quem não conhece, o valor de mercado é calculado multiplicando-se a quantidade total de ações pelo último preço. No caso de uma empresa com várias classes de ações (ON, PN, etc.), o valor de mercado é obtido pela soma do valor de mercado de cada classe de ações.

É importante destacar que o valor de mercado, apesar do nome, pode não representar o que efetivamente vale a empresa. O preço usado no cálculo reflete apenas o último negócio realizado, que pode ter ocorrido a um preço bem diferente das expectativas dos demais acionistas da empresa.

Indicadores mais utilizados
Os indicadores fundamentalistas mais utilizados por analistas são o P/VPA, P/LPA, VE/EBITDA e o dividend yield.

Preço/Valor Patrimonial por Ação (P/VPA) - indica quanto o mercado paga para cada real que os acionistas investiram na empresa. Por exemplo, se o P/VPA da empresa é 1,5X isso significa que o mercado está disposto a pagar R$ 1,50 por cada R$ 1,00 que os acionistas investiram na companhia. O mesmo raciocínio vale para P/VPA inferiores a um, nesse caso o mercado aplica um desconto no capital investido pelos acionistas.

Preço/Lucro Líquido por ação (P/LPA) - expressa o valor de mercado da empresa em termos de seu lucro líquido. Assim como o P/VPA, quanto maior o indicador mais cara a ação está em relação a sua geração de lucro. Geralmente é recomendável fazer uma análise comparativa do P/LPA da empresa com o de empresas do setor.

Dividend Yield - é calculado como a divisão entre o dividendo pago por ação nos últimos 12 meses e a última cotação da ação. Empresas que possuem um dividend yield alto tendem a ser as escolhidas por investidores que preferem retorno garantido a ganhos de capital.

Usando o valor da empresa
O valor da empresa é calculado como a soma entre o valor de mercado e a dívida líquida da empresa. Assim, reflete o valor total da empresa, com a soma do capital próprio (acionistas) com o de terceiros (dívida líquida). Em geral, o valor da empresa é usado no cálculo de índices relativos a vendas, EBIT e EBITDA (todos eles representam fluxos disponíveis a acionistas e credores).

VE/EBITDA - é o indicador mais utilizado dentre os que utilizam o valor da empresa, usando o EBITDA, que é uma medida aproximada do fluxo de caixa operacional da empresa. Esse múltiplo relaciona valor da empresa com a sua capacidade de geração de caixa (fluxo de caixa). Esse múltiplo não se aplica a empresas financeiras, pois para essas empresas endividamento financeiro (e despesas financeiras) faz parte de suas atividades normais.

Analise o setor
Para saber se o indicador fundamentalista de uma empresa está alto (empresa está cara no mercado) ou baixo (empresa está barata) você precisa analisar o desempenho do indicador dessa empresa historicamente e, principalmente, em relação ao de empresas do mesmo setor.

Mas atenção! Uma empresa não está necessariamente barata (ou cara), porque seus indicadores fundamentalistas estão abaixo (ou acima) da média das empresas do mesmo setor! Liquidez da ação, estrutura de capital, capacidade de geração de caixa e capacidade dos executivos, entre outros fatores, podem explicar essa avaliação.

 

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