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Saiba por que o aumento da concessão de crédito favorece a economia

Maior concessão de crédito incentiva a elevação do consumo da população e do investimento produtivo

SÃO PAULO - Nos últimos dois anos, o sistema financeiro nacional tem registrado uma forte expansão na concessão de crédito no País, liderada principalmente pelo crédito destinado à pessoa física e, sobretudo, ao consumo. De maneira geral, o aumento na concessão de crédito tende a beneficiar a economia, mas você sabe por quê?

O maior volume de crédito disponível tende a impulsionar o crescimento do país por duas variáveis que compõem o Produto Interno Bruto (PIB), o consumo e os investimentos que, juntamente com os gastos do governo e o saldo comercial, representam o lado da demanda do PIB.

Aumento no consumo e investimento
Tendo em vista que parte do PIB é função do consumo das famílias, um maior volume de crédito destinado à pessoa física, que tenderá a elevar o poder de compra da população, deverá ter um impacto indireto sobre o crescimento econômico do país, já que deverá incentivar o aumento dos gastos das famílias.

Simultaneamente, é de se esperar que, à medida que a economia fique mais aquecida em função da elevação do poder de compra da população, haverá também um aumento na oferta de produtos. Esta é estimulada por dois fatores: além do aumento do consumo, o maior volume de crédito também deve acarretar um aumento nos investimentos e, assim como o consumo, tenderá a impulsionar o PIB.

Vale lembrar também que o crescimento do PIB significa que outras variáveis também podem ter melhorado, por exemplo, o emprego. À medida que empresários passam a investir mais na produção, passa a haver também uma necessidade maior de mão-de-obra, espaço físico ou mesmo maquinário. Note que à medida que aumenta o número de pessoas empregadas na economia, estas também passarão a consumir mais e, portanto, a incentivar ainda mais a produção.

Crescimento econômico
O leitor deve estar se perguntando por que, então, para resolver o problema de baixo crescimento do país, simplesmente não há incentivos para uma expansão ainda maior na concessão de crédito no país. A resposta para esta pergunta não é simples, e é preciso levar em consideração outras variáveis, tais como o nível das taxas de juros, o comportamento dos preços internos, a inadimplência e até mesmo a necessidade de financiamento do governo.

Como todas estas variáveis também precisam ser controladas, dada a necessidade de controle da inflação e da dívida pública brasileira, que requer o financiamento proveniente de agentes privados e, para tal, a atratividade de uma taxa de juro elevada, não há espaço suficiente para reduzir a taxa de juro e elevar a concessão de crédito a ponto de estimular ainda mais o crescimento do PIB, de forma que este movimento costuma ocorrer de maneira gradual, à medida que as demais variáveis vão se ajustando ao longo do tempo.

Contudo, a despeito destas limitações, melhorias nos fundamentos econômicos do País vêm permitindo a redução gradual da taxa Selic, a taxa básica de juro da economia brasileira, que deverá traduzir-se em maior consumo, investimentos e, conseqüentemente, na aceleração do crescimento econômico do País.

 

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